20 milhões de crianças perderam vacinas importantes em 2018, segundo OMS

Incluindo a que protege contra o sarampo, que voltou a ser epidêmico. Com a cobertura vacinal estagnada em vários países, outras doenças podem reaparecer.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou essa semana que 20 milhões de crianças não foram vacinadas contra o sarampo e outras doenças perigosas em todo o mundo. Desde 2010, a cobertura da tríplice bacteriana (que barra difteria, tétano e coqueluche) está estagnada em 86% — o ideal para garantir proteção a todos é 95%. 

As doses contra a poliomielite e rubéola também estão na lista de coberturas abaixo de 90%. Desde 2017, as entidades de saúde do mundo alertam para o risco de doenças já erradicadas voltarem a fazer estragos. Algumas delas têm consequências sérias, como morte, paralisia infantil e malformações congênitas.  

A queda da cobertura vacinal é mais acentuada em países pobres e zonas de conflito, mas não exclusiva deles. No Brasil, que sempre foi referência no assunto, a cobertura do Programa Nacional de Imunizações atingiu em 2017 seu pior índice desde 2002. E a OMS avisa que mesmo em nações com alta taxa de vacinação a incidência do sarampo — a doença mais preocupante no momento — aumentou, provavelmente por conta de grupos que perderam a vacina no passado. 

O sarampo 

Ele é o caso mais emblemático. Em 2018, cerca de 350 mil casos de sarampo foram registrados no mundo — mais do que o dobro de 2017. O Brasil registrou 10 mil, com 12 mortes confirmadas. Este ano, os casos seguem avançando em diversas regiões do país, especialmente no Sudeste e no norte. 

A cobertura vacinal contra a doença, que é altamente contagiosa, ficou em 86% entre as crianças em 2018 na primeira dose e 69% na segunda. As duas são necessárias para garantir imunidade ao vírus. No Brasil, a cobertura geral do Programa Nacional de Imunizações está em 74% — a do sarampo ficou em cerca de 85%. 

“O sarampo é um indicador em tempo real de onde temos mais trabalho a fazer para combater doenças evitáveis. Como a doença é muito contagiosa, um surto aponta para comunidades que estão perdendo as vacinas”, declarou Henrietta Fore, diretora-executiva da UNICEF, em comunicado à imprensa. 

Os horários comerciais das unidades básicas de saúde e a falta de algumas vacinas quando os pais conseguem ir aos postos são os fatores que mais dificultam o acesso das crianças brasileiras à vacina. Mas a percepção de que as doenças evitadas por elas são coisa do passado e não tão perigosas — muita gente não viu as epidemias comuns até os anos 1980 — também contribui para a queda da cobertura.

Motivos não faltam para manter a carteirinha de vacinação dos filhos em dia. Confira alguns aqui.

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