Mães adotivas podem amamentar

Quando adotam bebês, muitas mulheres descobrem que dar o peito para seus filhos não é um sonho impossível. Veja como e por que isso pode acontecer.

1. Como uma mulher que não engravidou poderia amamentar?
“Amamentar não é somente colocar o bebê no bico do peito. Isso a mamadeira faz. Amamentar é proteger, abraçar, acolher. É um ato muito mais amplo”, detalha Alberto D’Auria, ginecologista, obstetra e diretor do Hospital Maternidade Santa Joana, na capital paulista. Para uma mulher que não passou por toda a revolução hormonal de uma gestação, isso é possível graças à lactação induzida.

O processo de produção do leite materno é fruto de um estímulo repetido. Ao sugar o seio, o bebê ajuda a mandar uma mensagem para a hipófise, no cérebro. É ela que avisa que é preciso começar a produção do leite. Assim, o organismo da mãe libera dois hormônios: a prolactina, que aciona as glândulas mamárias para fabricar o leite, e a ocitocina, o hormônio responsável pela liberação do líquido. A produção da prolactina vem de ações encadeadas. “Desde a vontade consciente e inconsciente de amamentar, passando pelo processo do pós-parto, até a proximidade física com o bebê influenciam esse processo”, explica o ginecologista.

2. O que é preciso para que a mulher, de fato, amamente?
O procedimento para estimular a produção de leite em uma mãe adotiva é praticamente o mesmo de uma mulher que engravidou: é necessário que haja estímulo. Isso é feito por meio do uso de aparelhos próprios para retirar o leite, que cumprem o papel da sucção. Os médicos também recomendam massagens no bico do seio. Isso ajudará a deixá-lo com a pele mais grossa e evitar, assim, futuras rachaduras. “É claro que muitos fatores influenciam a amamentação adotiva. Quanto mais nova é a criança, maior é a chance de o aleitamento se tornar possível”, pontua o pediatra Marcus Carvalho, de São Paulo.

3. Pode ser necessário lançar mão de medicamentos?
Sim. O médico pode recomendar remédios que atuam na hipófise e aumentam a produção da prolactina.

4. O leite de uma mãe adotiva é de boa qualidade?
Sim, mas o ginecologista Alberto D’Auria lembra que, muitas vezes, o leite da mãe adotiva dá para, no máximo, uma mamada por dia e que, nesses casos, é importante suplementar a alimentação da criança.

5. Quais são as vantagens do aleitamento, mesmo no caso de uma mãe adotiva?
Todas. O leite materno, como é bem sabido, é a primeira vacina de um bebê. No caso de uma mãe adotiva, além de fortalecer as defesas do pequeno, a amamentação é mais uma maneira de reforçar os laços entre mãe e filho.

6. É comum mães adotivas amamentarem? Elas costumam ser bem-sucedidas?
“Não dá para atestar que todas terão sucesso. Se o bebê chega com mais de quatro meses, por exemplo, o processo é ainda mais lento, mas não impossível”, informa o ginecologista Alberto D’Auria, que incentiva a persistência.

7. Quando a amamentação se torna inviável?
Embora não existam contraindicações para uma mulher tentar, há situações em que problemas de saúde dessa mãe e tratamentos medicamentosos comprometem o leite produzido.

8. O que fazer quando o aleitamento não é viável?

Os bancos de leite são uma ótima alternativa para quando a mãe, seja ela adotiva ou não, não é capaz de amamentar. Além disso, os bancos brasileiros são reconhecidos por sua confiabilidade. “O leite é submetido a uma análise microbiológica. Sua validade é analisada e, em seguida, ele passa para por um processo de pasteurização, que inativa qualquer germe que possa vir a ter”, explica Kátia Sydronio, enfermeira do Banco de Leite Humano do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), no Rio de Janeiro.

Fontes:

Ginecologista e obstetra Alberto D’Auria, diretor do Hospital Maternidade Santa Joana, em São Paulo; pediatra Marcus Renato Carvalho, pós-graduado em manejo clínico da lactação pela em Wellstart International, de San Diego, na Califórnia, e especialista em amamentação pelo International Board Certified Lactation Consultants; enfermeira Kátia Sydronio, do Banco de Leite Humano do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), doutora em saúde da mulher e da criança.

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