Cardiopatia congênita: por que o diagnóstico é essencial ainda na gravidez

O diagnóstico precoce da doença durante os exames pré-natais é a peça-chave para um tratamento adequado do bebê. Entenda!

Por Isabelle Aradzenka Atualizado em 13 jun 2022, 12h31 - Publicado em 12 jun 2022, 10h00

Elas são o problema congênito mais frequente entre os recém-nascidos e a maioria de seus casos ainda não tem causa conhecida. Pois é, neste 12 de junho – reservado para o Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita – não poderíamos deixar de falar sobre as cardiopatias congênitas, que afetam mais de 130 milhões de crianças em todo o mundo, de acordo com o Organização Mundial da Saúde (OMS).

De forma sucinta, as cardiopatias são alterações que surgem durante o desenvolvimento do coração do bebê. “O coração se forma até a 12° semana de gestação. Assim, entre seis e doze semanas, pode ocorrer algum defeito no processo de formação do órgão. Esta é, aliás, a má formação congênita mais frequente que existe, em comparação com outros sistemas e órgãos do corpo”, explica Marina Zamith, cardiologista pediátrica responsável pela área de Ecocardiografia Fetal e Neonatal do Hospital e Maternidade Santa Joana.

Costuma-se dizer que a maioria das cardiopatias tem causa multifatorial. Em outras palavras, há vários fatores por trás da disfunção. “Em 85% das vezes, acreditamos que seja uma alteração genética que leva à mudança no desenvolvimento do bebê. Mas também existem condições associadas, como a doença diabetes tipo I e o uso de medicações calmantes para transtornos psicológicos pela mãe”, completa a cardiologista.

Atenção com o diagnóstico precoce!

No cenário ideal, em que a gestante consegue realizar o pré-natal corretamente, a primeira suspeita da presença de cardiopatias no bebê é levantada durante um ultrassom obstétrico. Em seguida, a mãe deve ser encaminhada para a realização da ecocardiografia fetal – exame que avaliará a formação intrauterina do coraçãozinho da criança.

“Os obstetras que conhecem os defeitos mais comuns já pedem direto a ecocardiografia, que deve ser realizada entre 24 e 28 semanas”, orienta Marina. Se, por acaso, a questão passar “batida” no ultrassom e não for solicitado o segundo acompanhamento, o neném poderá apresentar sintomas logo após o nascimento, no berçário.

“Quando a criança nasce, há uma circulação de sangue que chamamos de ‘transição’. Ou seja, durante dois ou três dias, há estruturas que mantêm o fluxo substancial, daí o bebê pode parecer que está bem. No entanto, após este período, a criança piora subitamente – às vezes até nas primeiras horas. Há uma queda de fluxo do sangue para o rim, falta de oxigênio no cérebro, então ela começa a passar mal e precisamos encaminhá-la para tratamento”, explica a cardiologista.

Para evitar este mal-estar, ainda no berçário também é realizado o teste do coraçãozinho, independentemente se o bebê passou pelo ecocardiograma fetal ou não durante a vida intrauterina. “Neste exame, é medida a oxigenação da mão direita e de qualquer pezinho, para identificar as cardiopatias que afetam a circulação de oxigênio. Ainda assim, o teste tem apenas 75% de sensibilidade, então há uma parcela que pode passar sem diagnóstico e ir para a casa”, explica a doutora.

Continua após a publicidade

Estas crianças que apresentam uma cardiopatia e não têm o seu diagnóstico fechado durante a gestação ou logo após o nascimento poderão apresentar em casa os indícios da doença. Entre eles, cansaço para mamar, irritação, ganho de peso inadequado e até sudorese. Caso os pais não se atentem aos sintomas, o pediatra, durante a primeira consulta com a família, provavelmente irá desconfiar e encaminhar para tratamento.

Toda cardiopatia é igual?

A verdade é que existem diversas classificações para a má formação do coração do bebê, mas é importante ressaltar a divisão entre acianóticas e cianóticas – aquelas que causam oxigenação baixa no sangue ou não. “As mais importantes claro que vão ser as cianóticas, visto que interferem com mais intensidade no nível de oxigênio do corpo”, ressalta a cardiologista.

Dentro disso, também há os defeitos considerados graves – aqueles que exigem alguma correção via cirurgia durante o primeiro ano de vida da criança – e os muito graves, que geralmente ocorrem quando o fluxo de sangue compromete o pulmão e outras partes do corpo logo ao nascimento. Neste último caso, é necessário haver correção da má formação logo no berçário, portanto, ter um diagnóstico completo do problema ainda durante a gestação é imprescindível.

Apesar disso, a maioria dos quadros de cardiopatia são leves e, mediante tratamento e correção adequados, a criança poderá seguir com a sua vida normalmente.

E como é feito o tratamento?

Quando falamos do tratamento, vai depender do tipo de cardiopatia. “Existem aquelas disfunções que conseguimos corrigir totalmente assim que o bebê nasce, outras é necessário fazermos cirurgias paliativas – para suprir o nível de sangue no momento – e depois levar para a intervenção corretiva posteriormente”, conta Marina.

No caso de cirurgias corretivas, a situação é um pouco mais complicada caso o bebê seja muito pequeno, então tudo irá depender de cada tipo e grau de cardiopatia e a idade da criança. O mais importante é ressaltar a necessidade do diagnóstico precoce, e da realização de um pré-natal correto, com os exames de rotina em dia, instrui a cardiologista.

Compartilhe essa matéria via:
Continua após a publicidade

Publicidade