Marcos Mion revela a importância do colo na vida do filho autista

O apresentador conta como desenvolveu uma "metodologia própria" para não perder o contato físico e continuar a dar colo para o filho Romeo.

Apresentador, ator, escritor, influenciador… Apesar de tantos ofícios, Marcos Mion conta que o mais transformador foi mesmo o de ser pai. E em dose tripla, são eles: Romeo, com 14 anos, Donatella, de 11 e Stefano, de 9.

Logo na primeira experiência de paternidade, o apresentador de “A Fazenda” se deparou com a realidade do autismo. Cuidar de Romeo não foi uma tarefa fácil, e Mion aprendeu na prática a lidar com alguns comportamentos.

Em evento de lançamento do livro “100 Razões Para Dar Colo”, o ator abriu o coração sobre a importância do contato físico com o filho. Ele contou com sinceridade como foi não desistir da proximidade, mesmo quando profissionais da área recomendavam mais afastamento.

Tudo começou antes mesmo do diagnóstico do espectro. O menino sofreu uma luxação congênita no parto. “Ele teve que fazer uma cirurgia com três meses de idade e o gesso vinha do peito até o calcanhar, para que o tecido fosse reconstruído e ficasse com o fêmur encaixado”, explica Mion. Com o corpo completamente imóvel, coube ao apresentador a tarefa de carregar o pequeno para lá e para cá. “Só eu conseguia segurar ele”, conta. Durante praticamente todo o primeiro ano de vida, essa foi a única forma de locomoção de Romeo: o colo do pai.

 

No entanto, quando o garoto reconquistou os movimentos, tudo mudou. “Eu fui para o extremo oposto do que era minha realidade. Meu filho não queria dividir esse momento comigo e não aceitava mais ser abraçado“, revela Mion.

A tática adotada por ele foi pouco convencional. “Eu era muito moleque, muito inexperiente, era meu primeiro filho. Mas eu não quis ouvir nenhum especialista“, confessa. Apesar de respeitar os conselhos dos profissionais, o ator diz que preferiu seguir suas próprias regras. “Eu sou um pai que vai um pouco de acordo com o que eu acredito dentro do meu espaço”.

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Durante quase 4 anos fomos apenas nós 3! . Do susto do parto prematuro em 2005 até os dias de hoje onde continuamos recebendo sustos quase diários. . Mas agora são sustos bons, maravilhosos, de surpresa ao ver Romeo tão espirituoso, engraçado, curioso e audacioso entre tantas qualidades que, com todo orgulho do mundo, já conseguimos identificar. . Aproveito esse post para responder às centenas de milhares de DMs e mensagens que recebo de famílias especiais me pedindo alguma direção, palavra de conforto ou, o que ouço muito, “qual o segredo que vc aplicou no Romeo?”. . O único “segredo” que tenho pra contar é que nós nunca desistimos dele. . . Quando ele se fechava, eu ficava do lado buscando alguma forma de trazê-lo de volta. Quando ele se debatia eu ajoelhava ao lado dele no chão até passar (dane-se os olhares de terceiros cheios de julgamento e desprezo. Nunca me afetaram), quando ele não queria abraçar eu insistia, quando ele queria repetir mil vezes eu assistia mil vezes, quando ele não dormia de forma alguma eu estava ao seu lado, quando alguém olhava torto eu me agarrava a ele ainda mais, quando ele não fazia o que as outras crianças faziam eu achava todas as outras bobas e o que estavam fazendo desnecessário. Quando ele não conseguia falar eu entendia de qq forma, quando ele não queria entrar na festinha que tínhamos acabado de pegar 1:30 de trânsito pra chegar, todos arrumados, nos virávamos e íamos embora. Sem cara feia. Sem nenhum “que saco”. Nada. Entre centenas de outros exemplos que posso dar, pensava: Esse é o caminho que Deus quer pra mim. Essa é nossa realidade e seremos felizes nela HOJE. . O maior problema são pais que ainda se apegam a uma realidade que não existe mais! Uma vida que ficou pra trás no momento que o autismo chegou. Quando sua cabeça está no passado, ou no futuro, vc não vê a beleza do hoje, do que vc tem na sua frente AGORA. Pra esses pais eu deixo um aviso: a nova realidade é INFINITAMENTE melhor. O autismo engrandece e ilumina quem está ao seu redor. Pare de reclamar e entenda que Deus te escolheu. Seu anjo autista te escolheu. Entenda, faça sua parte e seja feliz! . #FamilyFirst #Autismo #Conciencia #EverlastingLove

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Por isso, quando as pessoas ao seu redor recomendavam que ele aceitasse a situação e respeitasse os limites do menino, Mion conta que se indignou. “Como eu não vou abraçar meu filho? Viveu um ano no meu colo!” e completa “vou, através do meu amor, superar essa situação”.

E a duras penas. A “luta” diária para que Romeo aceitasse o contato físico nem sempre era encarada de forma positiva. “Fui muito criticado, não só externamente, como internamente – dentro da família”, admite Mion.

Eu desenvolvi uma metodologia minha, que foi batalhando contra essa então considerada uma característica imutável do autismo

Com insistência e carinho, o apresentador diz que a estratégia deu resultado. Se anda na rua, é sempre com Romeo “pendurado” em seus braços. “Hoje em dia, é basicamente assim: eu no colo dele e ele no meu – porque ele está quase do meu tamanho”, brinca.

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“Você vai sempre ser meu papai do mundo”!💙 . Para uma criança neurotipica, tá faltando um adjetivo aí nesta frase, como por exemplo, “meu papai mais querido do mundo” ou “sempre ser o melhor papai do mundo” entre outras opções. . Mas no meu mundo neurodiverso, no meu mundo autista, essa declaração é perfeita! É um reconhecimento sem igual.💙Que me emociona e me faz sentir digno de estar neste mundo por afogar meu filho autista de tanto amor a ponto de hoje ele devolver em palavras e atos o mesmo amor pra mim! . Tem algo mais forte e intenso do que ser “sempre o meu papai do mundo”?💙🧩 . #FamilyFirst #Autismo #Autism #AutismAwareness (se vc tem o autismo de alguma forma na sua vida, procura pelo grupo Comunidade Pró Autismo na minha página do Facebook).

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“Ele não consegue desgrudar de mim em nenhum momento. E isso não estava em nenhum livro, não tinha nenhum vídeo na internet me falando sobre essa experiência. Foi um puro instinto paterno de amor. É meu filho, eu dei colo para ele durante um ano e vou continuar dando, porque é minha função. Eu tenho que ser um porto seguro para ele voltar sempre que precisar”.

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O autismo, por definição, é um transtorno neurológico que afeta o desenvolvimento, a comunicação e o relacionamento social. . Relacionamento social…é sobre isso que quero falar com os pais, mães, profissionais e cuidadores de autistas. . Achei essa foto que tiraram de uma festa lá em casa onde eu, nitidamente, estava sendo a voz e o gesto do Romeo, meu filho autista, para ele participar da brincadeira. . Pais, não ache que seu filho autista não quer brincar só porque não consegue se jogar na brincadeira como uma criança neurotípica. . Crianças são crianças! Diversão é diversão. Em todo lugar do mundo independente de condições neurais! . Eles querem brincar! Eles querem uma vida comum, mas precisam de um porto seguro para lidarem com emoções que não controlam. Esse Porto Seguro são vocês! . . Não tenha vergonha de entrar na brincadeira pelo seu filho! Não tenha vergonha de se expor, de se jogar, dançar, rastejar, pular, correr, agachar, cantar ao lado do seu filho autista! Você, pai e mãe, são a confiança dele, o que permite que ele não se sinta sozinho, excluído e motivado a entrar na brincadeira. Vcs são o caminho para eles serem felizes e superarem a barreira da interação social. . Não esqueçam: PAI E MÃE É O QUE FAZ A DIFERENÇA NA VIDA DE UM AUTISTA. Terapias, centros, todo o resto ajuda, mas o amor, carinho, admiração e paciência dos pais é o que faz a evolução vir a todo vapor! . Lembra do filme Avatar? É como se seus filhos usassem vcs como Avatar pra conseguir interagir socialmente até desenvolverem suas próprias habilidade sociais. Nossa missão é adaptar da melhor forma possível a pureza deles à essa selva que são os relacionamentos neurotipicos. . Sua alegria não tem mais nenhum valor comparada à do seu filho. Faça tudo que vc pode para fazer a vida dele menos difícil. #Autismo

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