Saiba mais sobre a toxoplasmose e seus riscos para gestantes

Bebês ainda na barriga são o grupo em maior risco de complicações da toxoplasmose, doença que passou por três surtos em menos de dois meses em São Paulo.

Clientes de um bar no bairro de Pinheiros, em São Paulo, denunciaram ter contraído toxoplasmose depois de comer no local nas últimas semanas. O caso viralizou, e evidencia o aumento da doença na capital paulista. No dia 14, a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) de São Paulo afirmou que a cidade já registrou 45 casos de toxoplasmose em diferentes bairros. Três surtos foram registrados desde março, quando os casos agudos passaram a ser monitorados.

A toxoplasmose é transmitida por um protozoário, o Toxoplasma gondii. Na maioria dos casos, provoca uma infecção com manifestações leves, que regride sozinha em poucos dias. Mas há alguns grupos de risco para versões mais graves da doença. Entre eles, as gestantes. “Mesmo que elas não apresentem sintomas, o parasita pode se estabelecer na placenta e atingir o bebê”, explica a infectologista Lívio Dias, da Maternidade Pro Matre Paulista.

As consequências são as mais variadas possíveis. No início da gestação, a infecção pode provocar alterações cerebrais no bebê, como microcefalia, hidrocefalia, icterícia e cegueira. No período final, há menos risco de complicações, mas a transmissão ocorre de maneira mais fácil. “Por isso é importante que a gestante faça exames periódicos para detectar precocemente a toxoplasmose”, esclarece Dias.

Como a toxoplasmose é transmitida

O micro-organismo é encontrado em diversos animais, mas seu principal vetor para o ambiente é o gato, que elimina o parasita nas fezes. Mas vale esclarecer que ter um gato em casa não é perigoso. “Na maior parte das vezes a transmissão ocorre das fezes para o meio ambiente, então o humano tem contato com o parasita por meio de água e alimentos contaminados”, destaca Dias.

A mulher que teve toxoplasmose antes de engravidar ou está amamentando e contraiu a doença não a transmite ao bebê. Quem a adquiriu uma vez geralmente está protegido para a vida. Existem subtipos do micro-organismo que provocam versões diferentes da doença, mas é raro contraí-los.

Diagnóstico e tratamento

Os principais sintomas são dores no corpo, fadiga, febre e gânglios aumentados no pescoço ou em outros lugares do corpo. Como nem sempre eles ocorrem, nas gestantes, o ideal é fazer o exame de toxoplasmose pelo menos de dois em dois meses. “Alguns estudos recomendam a refação mensal, pois o diagnóstico precoce faz diferença no sucesso do tratamento”, comenta Dias.

O teste é simples, usa uma amostra de sangue. Caso o toxoplasma seja detectado, existem remédios que o eliminam do organismo. O tratamento continua depois da gravidez, prescrito para o bebê. O recém-nascido deve ser acompanhado de perto, pois até 85% dos casos de toxoplasmose congênita não apresenta sintomas no nascimento.

Prevenção

O cuidado com os alimentos deve ser redobrado durante a gestação. “Higienizar bem os vegetais, evitar comer carnes mal passadas, especialmente porco e carneiro, e privilegiar as que passaram pelo processo de congelamento são formas de diminuir o risco de transmissão”, ensina Dias. Evite também usar a mesma faca da carne crua para picar vegetais. 

Veja outras recomendações, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia:

  • Não comer ovos crus ou malcozidos
  • Beber água filtrada
  • Usar luvas para manipular alimentos e carnes cruas
  • Não usar a mesma faca para cortar carnes, vegetais e frutas
  • Alimentar gatos domésticos com rações comerciais
  • Fazer limpeza diária com água fervente do recipiente em que os gatos depositam suas fezes
  • Usar luvas ao manusear a terra ou jardim
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