Ministério da Saúde retoma vacinação de adolescentes sem comorbidades

A imunização de jovens sem comorbidades contra covid-19 havia sido pausada após a morte de uma adolescente que recebeu a Pfizer/BioNTech.

Por Alice Arnoldi Atualizado em 23 set 2021, 12h37 - Publicado em 23 set 2021, 12h28

No dia 15 de setembro, o Ministério da Saúde havia suspendido a vacinação de adolescentes sem comorbidades após orientação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que estava analisando a morte de uma jovem após receber a Pfizer/BioNTech. Com a relação descartada, a nova recomendação do MS é que a imunização do grupo entre 12 e 17 anos seja feita seguindo ordem de prioridade.

Segundo o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO), estados e municípios devem vacinar primeiro adolescentes grávidas, puérperas e lactantes, além de jovens com deficiências permanentes e comorbidades. Em seguida, prioriza-se os que estão privados de liberdade até chegar na categoria geral, de quem não possui nenhuma doença pré-existente. 

A única restrição do Ministério da Saúde é que a imunização de adolescentes sem comorbidades só seja executada quando os grupos prioritários tiverem completado o calendário vacinal com as duas doses, além dos idosos com mais de 70 anos e as pessoas imunossuprimidas tiverem recebido o reforço.

  • Outros problemas relacionados à vacinação

    Ainda que a possibilidade da morte da adolescente, residente em São Paulo, por causa da vacina contra covid-19 tenha sido descartada, o MS aponta outras irregularidades na imunização de jovens menores de 18 anos.

    Alguns estados começaram a vacinação de adolescentes antes do previsto, enquanto que outros utilizaram imunizantes não autorizados no país para faixa etária, como AstraZeneca, Janssen e CoronaVac. Até o momento, o Ministério da Saúde está em contato com órgãos federais para averiguar por que tais medidas foram tomadas.

    “Reforço a necessidade de se seguir o PNI. Se não tiver um esforço conjunto, além de dificultar a administração dos imunizantes, a gente não consegue avançar de forma conjunta em todo o País”, declarou Rodrigo Cruz, secretário-executivo do Ministério da Saúde, em nota técnica sobre o assunto.

    Este não é o primeiro desencontro que acontece entre orientações do governo federal e as medidas seguidas pelos estados. Quando o Ministério da Saúde formalizou que a vacinação de adolescentes sem comorbidades deveria ser suspensa, São Paulo posicionou-se dizendo que a imunização continuaria a acontecer normalmente, o que já resultou em mais de 89% da faixa etária vacinada na cidade paulista.

    Houve também uma informação confusa usada na justificativa do MS para paralisar a imunização de adolescentes no meio de setembro, dizendo que a decisão estava alinhada com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Sendo que, em um vídeo publicado em junho de 2021, a explicação dada é que a vacinação deveria ser priorizada para quem está mais exposto ao vírus e possui mais chances de desenvolver a doença quando o país não possuir recursos para fazer a imunização em massa. No entanto, uma vez que houver grande disponibilidade de doses dos imunizantes, a vacinação pode ser ampliada para todos os grupos.

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