É seguro? Rio orienta grávidas a combinarem a AstraZeneca com a Pfizer

A liberação do imunizante para segunda dose tem sido baseada em seis estudos diferentes que buscam a eficácia e segurança na combinação das vacinas.

Por Alice Arnoldi Atualizado em 9 jul 2021, 13h12 - Publicado em 30 jun 2021, 18h02

Na linha do tempo sobre a vacinação contra covid-19 em gestantes e puérperas, o dia 11 de junho ficou marcado pela suspensão do uso do imunizante AstraZeneca/FioCruz para este grupo, devido a morte de uma grávida no período de possível reação após a vacina. Desde então, a orientação oficial do Ministério da Saúde é que aquelas que receberam a primeira dose deste imunizante, tomem a segunda só depois de 45 dias após o parto.

Só que no dia 29 de junho, o secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, anunciou uma decisão que não segue a recomendação geral do Ministério da Saúde. Neste estado, gestantes e puérperas que receberam a primeira dose da AstraZeneca podem fazer a complementação vacinal com a segunda dose da Pfizer/BioNTech, após 12 semanas da primeira aplicação.

“Hoje, nosso comitê científico reforçou a necessidade das gestantes que realizaram a primeira dose da vacina da AstraZeneca realizarem a completude do seu esquema vacinal. Assim, permitindo que a gestante possa avaliar com o seu médico – que realizou o pré-natal – e depois de assinar um termo de consentimento, a realização da vacinação heteróloga. Portanto, as gestantes que fizeram a 1ª dose da vacina AstraZeneca poderão realizar a segunda, completando seu esquema com a Pfizer”, declarou Daniel na publicação do Twitter, plataforma em que a notícia foi dada à população.

A combinação de vacinas é segura? 

A ginecologista e obstetra Debora Recchi, do Hospital Universitário da USP e especializada em gestação de alto risco, explica que o diálogo entre a gestante e obstetra é de suma importância para que a mulher conheça os possíveis riscos e benefícios das vacinas contra covid-19, visto que as descobertas científicas renovam-se a cada novo estudo publicado.

O secretário de Saúde do Rio cita que seis pesquisas estão sendo realizadas em diferentes países – sendo três na Alemanha, um na Coreia do Sul, um no Reino Unido e um na Espanha. Neste último, o levantamento foi publicado pelo governo do país, como justificava para a combinação dos imunizantes AstraZeneca e Pfizer, mas ainda não está presente nos periódicos científicos.

“Este estudo se chama ‘CombivacS’ e ele mostra que se teve um resultado muito positivo ao combiná-las, aumentando em uma quantidade significativa o número de anticorpos e quase nenhum efeito colateral – apenas os esperados. Então, é preciso que a gestante saiba que existe uma pesquisa avaliando esta combinação. Só que, mais uma vez, esse estudo não foi feito especificamente para grávidas”, esclarece a especialista.

O levantamento espanhol contou com a participação de 673 voluntários, em que 441 receberam a segunda dose da Pfizer após a primeira da AstraZeneca, enquanto que 232 não realizaram a segunda etapa da vacinação com nenhuma das opções, formando o grupo de controle para comparação dos resultados. Todos os participantes tinham menos de 60 anos.

Com este estudo e até o conhecimento do momento, Debora pontua que, inicialmente, a decisão do estado fluminense parece trazer um resultado positivo para as gestantes que optarem por fazer este tipo de complemento vacinal. Entretanto, conforme pesquisas maiores forem surgindo, o cenário pode mudar outra vez.

  • Por que a Pfizer e não a CoronaVac para a segunda dose? 

    Ainda que um grande preconceito tenha rondado o uso da CoronaVac para proteção contra o coronavírus e levado a um movimento de pessoas que tentam escolher qual imunizante irão receber na hora da aplicação, a não utilização da vacina brasileira não está relacionada com falta de eficácia.

    A infectologista Giovanna Sapienza, do Centro de Prevenção Meniá, explica que a preferência pela combinação da AstraZeneca com a Pfizer aconteceu porque o levantamento conduzido em território espanhol tinha apenas os dois imunizantes presentes na região e, portanto, as elaborações só foram possíveis a partir deles.

    “Como eram as vacinas disponíveis na Europa, eles acabaram realizando o estudo. No futuro teremos pesquisas relacionadas a mistura de AstraZeneca com CoronaVac, Pfizer e entre outros. Isso porque como as vacinas são para o mesmo agente, você está induzindo maior resposta imunológica, independente de quais são as técnicas usadas para produzir os imunizantes. Neste caso, a grande questão é saber se eles são seguros, ou seja, entender os efeitos colaterais de misturar uma vacina com a outra”, esclarece Giovanna.

    Sendo assim, a médica ainda pontua que a Pfizer acabou sendo recomendada como segunda dose da AstraZeneca para gestantes e puérperas exatamente por já se ter uma base científica capaz de trazer números analisados sobre possíveis reações e eficácia imunológica. A partir do momento que a CoronaVac for incluída em tais análises, a tendência é que ela também passe a ser recomendada quando comprovada sua segurança.

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