Demência infantil: “Minha filha esqueceu como falar, comer e engolir”

Diagnosticada com a rara Síndrome de Sanfilippo, garotinha está perdendo as habilidades desenvolvidas. Entenda essa condição

Por Carla Leonardi 5 jan 2024, 16h15 | Atualizado em 4 jun 2026, 13h40
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 (Reprodução @savingsadierae/Instagram)
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Você já ouviu falar em demência infantil? O termo, pouco conhecido, faz referência à Síndrome de Sanfilippo Tipo D, uma doença hereditária rara que causa uma série de danos no cérebro. Também chamada de mucopolissacaridose tipo III (MPS III), ela é resultado de uma mutação genética passada de pais para filho (quando ambos os genitores carregam os genes da anomalia de forma recessiva). Foi o que aconteceu com a pequena Sadie Rae, de 7 anos, que teve esse duro diagnóstico.

Como contou a mãe da garotinha, Ashley Haywood, ao britânico Metro, os sinais surgiram pouco depois do parto. Começou com um problema de respiração e, já nos três primeiros meses de vida, a bebê foi submetida a diversos procedimentos cirúrgicos – entre eles, um para colocar uma válvula no cérebro, a fim de conter uma hemorragia.

Ashley sabia que algo estava muito errado com a filha e seguiu seus instintos: quis investigar o que poderia causar tantos problemas a Sadie e pagou por um teste da Síndrome de Sanfilippo, diagnóstico que já havia surgido em um parente distante. O resultado veio positivo.

Habilidades conquistadas e perdidas

Apesar de diagnosticada a síndrome, a menina foi se desenvolvendo ao longo da vida – aos dois anos, sabia o alfabeto, falava o próprio nome e conseguia contar de zero a dez. Até o ano passado, era capaz até de formar frases completas, mas a degeneração cerebral está fazendo Sadie regredir gravemente. Hoje, aos sete anos “temos sorte se ela junta duas palavras”, conta Ashley.

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“Ela amava cantar, mas agora esqueceu as palavras da maior parte de suas músicas favoritas. Ela também está esquecendo como se come, então temos que lembrá-la de como engolir”, lamenta a mãe.

Em razão dos problemas que a garotinha teve no início da vida, foi muito difícil ser aceita em ensaios clínicos. Ela até conseguiu uma vez, o que melhorou muito seu desenvolvimento, mas o estudo terminou por falta de fundos, já que a condição é rara e, consequentemente, há pouca demanda.

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Atualmente, Ashley e sua irmã, Jessica, tia de Sadie, compartilham a história da família nas redes sociais (@savingsadierae), com o objetivo de espalhar a informação sobre a síndrome, lutar por recursos mais eficazes e sonhar com a cura. “Nós aceitamos a doença dela, mas ainda lutamos por tratamento”, finaliza.

Características da demência infantil

De acordo com a Organização Nacional de Doenças Raras, dos Estados Unidos, a expectativa de vida média de quem tem Sanfilippo Tipo D fica entre 15 e 20 anos. Diferentemente do que aconteceu com Sadie, os bebês costumam parecer típicos no nascimento e os primeiros atrasos de desenvolvimento ficam mais evidentes entre 2 e 5 anos de idade.

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Entre as características da doença, estão: crescimento excessivo de cabelo, atraso de fala, ligeiro aumento do fígado e/ou do baço, infecções respiratórias e de ouvido, hérnias, diarreia, convulsões, dificuldade para andar, perda auditiva e deficiência visual. Já os traços faciais tendem a incluir testa proeminente, sobrancelhas grossas, boca entreaberta e córneas transparentes.

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