Butantan solicita liberação da CoronaVac para crianças de 3 a 5 anos

A partir desta segunda-feira (14), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem até sete dias úteis para responder ao pedido do Instituto Butantan.

Por Alice Arnoldi 14 mar 2022, 14h23

Após a CoronaVac ser liberada para imunizar crianças a partir de seis anos contra Covid-19, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisa o novo pedido feito pelo Instituto Butantan, para que a vacina seja liberada ao público infantil de três a cinco anos. O prazo de avaliação da proposta pelo órgão federal é de sete dias úteis, começando a contar a partir de 14 de março.

“Para incluir novos públicos na indicação de uma bula, o laboratório precisa conduzir e apresentar estudos que demonstrem a relação de segurança e eficácia da vacina para a nova faixa etária. No caso de vacinas para o público infantil, alguns dos principais pontos de atenção da Anvisa se referem aos dados de segurança e eventos adversos identificados, ajuste de dosagem da vacina, e fatores específicos dos organismos das crianças em fase de desenvolvimento”, evidencia a nota da agência reguladora brasileira.

O público infantil acima de seis anos já pode ser protegido contra o coronavírus por meio da CoronaVac, desde janeiro deste ano. A pesquisa que reforçou a eficácia do imunizante foi conduzida no Chile com quase 2 milhões de integrantes, de seis a 16 anos.

Com duas doses da vacina nesta faixa etária, conclui-se que a imunização é 74% eficaz contra a infecção sintomática, 90% efetiva na prevenção de hospitalizações em decorrência do contágio pela doença e 100% eficiente em evitar a admissão dos públicos infantil e juvenil em Unidades de Terapias Intensivas (UTIs) e óbitos.

Até o momento, crianças de cinco anos podem ser imunizadas exclusivamente com a Pfizer/BioNTech desde janeiro deste ano, quando o Ministério da Saúde liberou as especificidades que a vacina deveria ter para, então, ser aplicada nos menores.

Com esta movimentação que acontecia mundialmente, pesquisas começaram a ser feitas para entender a efetividade do imunizante no público infantil, com uma conclusão importante sobre sua eficácia diante das variantes Delta e Ômicron, que afetaram países como o próprio Brasil e também os Estados Unidos.

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Proteção garantida contra as variantes

É o que traz o levantamento feito pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças, nos Estados Unidos, ao comparar a efetividade de duas doses da Pfizer em crianças de 5 a 11 anos e de 12 a 15 anos, contra as variantes Delta e Ômicron vistas no país.

O estudo contou com 1.364 integrantes, sendo 1.052 crianças (77%) e 312 adolescentes (23%). Eles foram testados semanalmente, independente de apresentarem sintomas relacionados ao coronavírus ou não, entre julho de 2021 e fevereiro de 2022.

Na faixa dos cinco aos 11 anos, 682 receberam as duas doses da vacina, 79 tomaram apenas uma e 301 não se imunizaram. Analisando este grupo, o estudo concluiu que a Pfizer foi 31% eficaz contra a variante Ômicron neste público.

Já para os adolescentes, este número aumenta um pouco mais. Com 212 vacinados, 69 com apenas uma dose do imunizante e 85 sem nenhuma proteção contra a Covid-19, constatou-se que as duas aplicações da vacina são capazes de proteger os jovens em até 89% contra a variante Delta e 59% contra a Ômicron.

“Neste estudo, duas doses de vacinas Pfizer/BioNTech foram eficazes na prevenção de infecções sintomáticas e assintomáticas por Sars-Cov-2, embora esta proteção tenha mudado de acordo com as variantes. As estimativas de pontos VE (real eficácia da vacina) foram mais altas contra infecções da variante Delta entre adolescentes de 12 a 15 anos e mais baixas contra infecções da variante Ômicron entre crianças de 5 a 11 anos”, concluiu o documento do CDC.

Ainda que haja a diferença entre os dados, o que reforça a agência reguladora norte-americana, é que eles são indicativos positivos para que pais e cuidadores levem os menores para serem vacinados. Afinal, estar de 30 a 50% protegido contra a variante que dominou o mundo é lembrar que muitos passos já foram dados no combate à Covid-19 por meio da imunização. “Todas as crianças e adolescentes elegíveis devem manter-se em dia com as vacinas recomendadas para o coronavírus”, finaliza o documento.

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