Viajar para ser mãe: como é, para a brasileira, ter bebê nos EUA

Pela dupla cidadania dos pequenos ou por mais chances de um parto normal, muitas mulheres têm ido aos EUA para ter seus filhos. Saiba como isso funciona

A chegada de Enrico, primeiro filho de Karina Bacchi, ao mundo foi toda planejada. A gravidez veio por meio de fertilização in vitro em uma produção independente e o local escolhido para o nascimento foi Miami, nos EUA. “Optei por fazer meu parto em Miami para que meu filho tenha múltipla cidadania, garantindo a ele mais oportunidades de escolhas futuras, seja no estudo, trabalho, etc. Eu já desfruto da cidadania italiana e sei o quanto é positivo”, declarou.

Para que tudo fosse feito dentro da legalidade e sem contratempos, Karina contou com o suporte de uma cooperativa especializada em partos de pacientes internacionais, a Ser Mamãe em Miami. Segundo o pediatra brasileiro Wladimir Lorentz, diretor da cooperativa, o passaporte americano não é a única razão que leva as brasileiras a decidirem ter seus bebês nos EUA.

“Muitas querem ter mais chances de um parto normal, o que no Brasil é mais difícil. Também tivemos casos de mães que preferiram passar suas gestações em Miami por medo do vírus zika, que estava assustando no Brasil. Outras já estão vindo em definitivo para os EUA com a família e unem os momentos de mudança e parto. E tem também as que querem que o bebê nasça em solo americano, para que ele tenha alguns benefícios”, conta o médico.

O pediatra Wladimir Lorentz com Karina Bacchi e Enrico (Ser Mamãe em Miami/Reprodução)

A Ser Mamãe em Miami é uma iniciativa de Wladimir com o ginecologista obstetra Ernesto Cardenas, totalmente focada na parte médica. Além dos dois, há uma equipe com enfermeiros e médicos fluentes em português, inglês e espanhol para atender mulheres – durante consultas de rotina, pré-natal, parto, pós-parto – e bebês – no acompanhamento do desenvolvimento pós-parto e aplicação de vacinas.

Por saberem que muitas famílias procuram especialistas de outras áreas, a cooperativa indica serviços auxiliares de corretores de imóveis, advogados e despachantes, por exemplo.

É seguro fazer viagem internacional grávida?

Se a gestação não for de risco, não há problema em viajar do Brasil para os EUA para o nascimento do bebê. Mas, claro, é preciso ter bom senso e fazer isso em uma janela considerada segura.

Wladimir esclarece que o melhor momento é por volta da 32ª semana de gravidez: “Nessa idade gestacional já se sabe bastante sobre a gestação. Se chegou até lá com saúde, são poucas as chances de acontecer algo fora do normal”.

Para garantir a segurança da mãe e do bebê, os médicos só agendam consultas para gestantes até a 35ª semana. “Mas já ocorreu de aparecerem grávidas de 38 semanas aqui pedindo atendimento. Não recusamos atendimento a uma paciente, claro, mas não é o que recomendamos. Isso tem que ser feito com responsabilidade pela mãe”, afirma o pediatra.

E com responsabilidade pelo obstetra que estiver acompanhando a gestação no Brasil também, pois é este profissional que autorizará a viagem internacional. Ele deverá redigir uma carta para a companhia aérea, alegando que a grávida está em plenas condições de saúde para pegar o voo na data marcada.

O bebê nascido nos EUA ganha cidadania americana?

Todo bebê nascido nos EUA ganha cidadania americana, independentemente da nacionalidade ou do status legal dos pais no país. Isso é garantido pela 4ª Emenda da Constituição dos EUA e é conhecido oficialmente como “jus soil”.

O advogado brasileiro Alexandre Piquet, que atua nos EUA há 20 anos e é especialista em direito migratório, tributário, imobiliário e empresarial, esclarece que a cidadania é exclusiva para o bebê e não se estende à mãe ou ao pai. “Apenas ao completar 21 anos ele poderá pleitear algum benefício para os pais ou irmãos”, diz.

Até lá, esse novo cidadão americano poderá estudar em escolas públicas, utilizar programas do governo e votar. Quando passar a ter renda, precisará declarar seus impostos aos EUA. Ou seja, terá os direitos e deveres de um americano comum.

E não precisará, em nenhum momento, optar pela cidadania americana ou brasileira. Terá sempre dupla cidadania.

(GetUpStudio/Thinkstock/Getty Images)

É tranquilo entrar nos EUA para ter o bebê?

De acordo com Alexandre, não há problema legal nenhum em ir para os EUA para ter um bebê, desde que tudo seja pago no particular, sem nenhum auxílio do governo.

“A mulher pode e deve dizer a verdade na entrada: que está vindo para receber tratamento médico particular e fazer o parto nos EUA. O médico ou o hospital escolhido para o parto pode fornecer uma carta comprovando o atendimento e se responsabilizando pela futura mamãe”, orienta o advogado.

Quando a mãe pode voltar dos EUA para o Brasil depois do parto?

O ideal, de acordo com Wladimir, é que a família volte ao Brasil quando o bebê estiver com pelo menos seis semanas de vida, para que o pediatra possa acompanhar o desenvolvimento inicial dele e aplicar as primeiras vacinas. “Se puder esperar até a oitava semana, melhor ainda, para podermos ver que as vacinas fizeram efeito”, observa.

Nesse meio-tempo o passaporte americano do bebê já poderá ser providenciado. “É um procedimento simples, que a própria família pode fazer”, afirma Wladimir. O documento fica pronto em até quatro semanas e tem custo de aproximadamente US$ 250.

E quanto custa ter um bebê nos EUA?

Tudo muito legal, mas a parte financeira também conta muito para a maioria das famílias.

O custo de ter um bebê nos EUA depende do tipo de parto e dos médicos e hospital escolhidos. Pela Ser Mamãe em Miami, por exemplo, há duas alternativas: o Miami Medical Center e o Mercy Hospital, ambos em Miami.

No primeiro, um parto natural custa cerca de US$ 10.900 e uma cesárea, cerca de US$ 13.140 (R$ 34.238 e R$ 41.274, respectivamente, pela cotação de 24 de agosto de 2017). Já no segundo, o parto natural custa cerca de US$ 10.940 e a cesárea, cerca de US$ 13.990 (R$ 34.364 e R$ 43,944, respectivamrnte, pela cotação de 24 de agosto de 2017).

Estes valores referem-se a partos de um bebê apenas – casos de gestação múltipla precisam de orçamento exclusivo – e incluem as consultas de pré-natal a partir da 32ª semana, exames clínicos, exames de ultrasom, anestesia, exames e testes no recém-nascido no hospital, atendimento pediátrico diário ao bebê no hospital e três consultas pediátricas depois da alta e disponibilidade de ginecologista e de pediatra por telefone 24 horas por dia.

Se cabe no orçamento, as condições de saúde permitem e é um desejo da mãe, basta de organizar e ir.

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