Quanto tempo antes preciso parar com o anticoncepcional para engravidar?

O desejo de se tornar mãe está maior? Veja como interromper o uso do anticoncepcional com segurança e planejar, com acompanhamento médico, a gravidez.

Por Isabelle Aradzenka 18 nov 2021, 18h15

Para quem usa os anticoncepcionais hormonais para evitar uma gestação, uma dúvida bastante comum costuma rondar a cabeça: “quando é que devo parar de usá-lo antes de engravidar?”. Se está chegando ou chegou o momento em que você se sente pronta para começar a planejar uma gravidez de fato, alguns cuidados precisam ser tomados na hora de parar com o medicamento contínuo.

Em teoria, os métodos contraceptivos hormonais – como as pílulas, o adesivo e até alguns dos DIUs – permitem que ocorra uma gestação já no primeiro mês após encerrar o uso. Mas, na prática, as coisas podem não funcionar dessa maneira…

“Quando a mulher para de tomar a pílula, ela já pode voltar a ovular normalmente e até corre o risco de engravidar no primeiro mês. Porém, o que percebemos é que o corpo precisa de um período para readaptar a sua produção endógena (interna) dos hormônios e voltar a produzir aquilo que ele deixou de realizar”, explica Carla Delascio, ginecologista e obstetra do Centro de Medicina Integrativa do Hospital e Maternidade Pro Matre.

Sendo assim, se a vontade da mulher é trazer um novo integrante para a família, a ginecologista orienta que a preparação, o abandono dos métodos e o acompanhamento com a ginecologista sejam feitos de 3 a 6 meses antes da gravidez, com suplementação nutricional e adaptação do estilo de vida de ambos os pais.

Atenção ao processo de adaptação do corpo!

Pois bem, a readaptação da produção hormonal pode se normalizar já no primeiro mês após interromper a pílula, mas isso não quer dizer que todas as mulheres conseguirão engravidar nesse meio tempo.

“O uso crônico de anticoncepcionais hormonais diminui a absorção de vitaminas importantíssimas, como o ácido fólico, a B12, a vitamina C, o zinco e o magnésio. Então, aconselhamos a paciente a passar por uma avaliação clínica de mapeamento da vitaminose para se programar para uma gravidez”, esclarece a ginecologista.

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A suplementação, além de ajudar na fertilidade da mulher, também é uma forma de prevenção de riscos para o próprio feto. “O ácido fólico é indicado pelo menos três meses antes da gravidez e pode minimizar as chances de má formação do tubo neural, ou seja, a porção do bebê que forma a coluna e o sistema nervoso central”, explica Renato de Oliveira, ginecologista e obstetra do Grupo Criogênesis.

E o estilo de vida do casal não fica de fora! Ambos os especialistas pontuam que noites mal dormidas, picos de estresse, má alimentação com excesso de produtos industrializados e o próprio sedentarismo influenciam diretamente na qualidade dos gametas tanto da mulher, quanto do homem e podem prorrogar os planos de trazer um pequeno ou pequena para a casa.

A idade também deve ser levada em conta…

Além da suplementação e o ajuste do próprio estilo de vida, a atenção com a idade é um ponto a ser levado em consideração na hora de pensar nos anticoncepcionais.

“A princípio, depois que parou com o uso, o organismo já retoma o processo de produção hormonal. Mas também precisamos lembrar de conceitos sobre fertilidade. Em média, a chance de mulheres com até 35 anos engravidarem sem nenhum método contraceptivo e tendo relações no período fértil é por volta de 15 a 18%”, esclarece Renato.

O ginecologista ainda indica alguns períodos de atenção, baseados na recomendação da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASMR, em inglês), para o casal saber a hora certa de procurar um especialista em reprodução.

Em geral, até os 35 anos as tentativas podem ser acompanhadas pelo período de 1 ano. Entre 35 e 45 anos, pelo período de 6 meses. A partir dos 40 anos, é ideal que o casal já procure um acompanhamento especializado.

Além disso, Renato ainda complementa que, para aquelas mulheres que têm o desejo da maternidade, mas ainda fazem o uso dos anticoncepcionais, é interessante lembrar que também há a possibilidade do congelamento de gametas.

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