Menstruação x escape: por que Sabrina Sato não sabia que estava grávida

Tentante desde fevereiro, ela não desconfiava da gravidez por causa da confusão entre os sangramentos pós-DIU Mirena

Já fazia quase dois meses que Sabrina Sato havia tirado o DIU Mirena (tecnicamente chamado de SIU, Sistema Intrauterino, por ser um método anticoncepcional hormonal diferente do DIU de cobre, que é um Dispositivo Intrauterino de barreira e sem hormônios) para tentar engravidar, mas a revelação de que está esperando um bebê foi uma surpresa para ela e o noivo, Duda Nagle. Segundo dona Kika, mãe de Sabrina, a apresentadora achava que estava menstruando sem interrupção desde a retirada do contraceptivo.

Engravidar durante a menstruação é raríssimo e é muito provável que Sabrina não faça parte dessa estatística. O que ocorre em casos como o dela é uma confusão entre os sangramentos da menstruação e dos episódios de escape – microssangramentos comuns nos meses seguintes ao abandono de anticoncepcionais hormonais, como o Mirena ou as tradicionais pílulas.

Escape = descamação do endométrio

“A progesterona presente no SIU afeta a camada endometrial do útero. Por conta disso, a descamação uterina que resulta na menstruação acaba sendo um pouco mais agressiva, chega ao endométrio e causa a ruptura de vasinhos, que leva aos escapes ao longo do mês”, explica Flavia Tarabini, ginecologista da clínica Dr. André Braz, no Rio de Janeiro.

Esses escapes, via de regra, são pequenos sangramentos que não têm a mesma intensidade do fluxo menstrual. Mas, como não é natural sangrar fora da menstruação, a confusão está feita. “A descamação oriunda da progesterona mimetiza a menstruação e é bem comum haver essa dúvida”, diz a ginecologista.

Os sangramentos dos escapes podem ocorrer a qualquer momento – inclusive no período fértil – e não impedem a fixação do embrião e a consequente gravidez. Às vezes aparecem por meses e não prejudicam a saúde da mulher.

Só para ficar bem claro, então: a menstruação, mais intensa, é a descamação do útero, enquanto os escapes, mais sutis, são a descamação do endométrio.

Com o DIU de cobre é diferente

Apesar de aumentar o fluxo menstrual, o DIU de cobre não causa episódios de escape, já que não coloca progesterona ou qualquer outro hormônio no organismo. “Ele é um método de barreira, que causa dificuldades mecânicas e inflamatórias”, esclarece Flavia. “A partir do momento em que é retirado, é como se nunca houvesse estado no útero. A mulher pode engravidar no mesmo dia, não há nenhuma alteração”, afirma a especialista.

O DIU de cobre é disponibilizado gratuitamente para mulheres em idade fértil no SUS (Sistema Único de Saúde) e a maioria dos planos de saúde garante a colocação desse contraceptivo e do Mirena. Tanto na rede pública quanto na privada, são necessários exames ginecológicos prévios para verificar a saúde uterina da mulher.

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