O que é gastrosquise, malformação congênita do bebê

Entenda a condição que levou Aurora, filha de Cintia Dicker e Pedro Scooby, a ser submetida a uma cirurgia logo após o nascimento

Por Carla Leonardi 24 jan 2023, 17h59 | Atualizado em 4 jun 2026, 13h34
Na foto, é possível ver de forma desfocada um bebê apenas de fraldas no colo de um funcionário de hospital, com o uniforme verde.
 (Mayte Torres/Getty Images)
Continua após publicidade
O que é gastrosquise, malformação congênita do bebê Priorizar nos meus resultados Google

Desde que Aurora, filha de Cintia Dicker e Pedro Scooby, chegou ao mundo no final de 2022, a internação e os procedimentos pelos quais a pequena passou vêm chamando a atenção, sobretudo pelo desconhecimento em relação à causa de sua permanência na UTI. Nesta semana, a mãe compartilhou em entrevista a Vogue que a garotinha nasceu com gastrosquise, uma malformação gastrointestinal congênita que pode evoluir gravemente se não for tratada rapidamente por especialistas.

Vale lembrar que “congênito” significa que o problema vem desde antes do nascimento – a mãe de 36 anos contou que recebeu o diagnóstico ainda no início da gestação, ao fazer um ultrassom morfológico na 12ª semana. Por causa da condição de Aurora, ela e Scooby foram avisados de que o parto deveria ser cesárea e que a cirurgia precisaria acontecer logo após o nascimento, como de fato aconteceu.

“O parto ser cesárea ou normal não é mandatório, mas a cesariana acaba sendo considerada para que a criança nasça em um ambiente controlado”, comenta Natália Pagan, cirurgiã pediátrica do Sabará Hospital Infantil. “Nós não queremos que a criança tenha um nascimento às pressas, sem um profissional adequado para atendê-la naquele momento, fazendo com que ela fique mais tempo com as alças intestinais para fora do abdome (além do tempo que já ficou dentro do útero)”, alerta. É também por isso que o acompanhamento pré-natal e o ultrassom morfológico são tão importantes.

O que é gastrosquise

“A gastrosquise é um problema congênito, ou seja, que acontece no desenvolvimento da criança dentro do útero, levando a um defeito da parede abdominal, geralmente à direita do umbigo, em que as vísceras – como intestino e, eventualmente, o estômago – ficam para fora do bebê“, explica o cirurgião plástico pediátrico Rafael Ferreira Zatz.

De acordo com o manual Manejo Clínico da Gastrosquise, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a incidência do problema é variável: de 4 a 5 para cada 10 mil nascidos vivos, acometendo de forma semelhante meninos e meninas. O documento alerta ainda para o aumento de casos registrados ao redor do mundo, sobretudo em mães mais jovens, como adolescentes.

Continua após a publicidade

“É um defeito que deve ser tratado de forma urgente no período neonatal. Então, uma vez estabilizada, a criança precisa ser operada para que seja feita a correção desse problema da parede abdominal”, explica Zatz. O Manual da Fiocruz reforça a cirurgia como indispensável e estabelece 6 horas após o parto como limite ideal para o procedimento.

A cirurgia para gastrosquise

O cirurgião plástico pediátrico explica que o procedimento cirúrgico a ser seguido depende da gravidade da malformação, já que os casos podem ser mais simples ou mais complexos. Entre os mais graves, por exemplo, é possível haver necrose, perfuração e outros problemas agravantes – o que vai demandar cirurgias maiores. “Mas existem casos mais leves, que podem ser resolvidos com o deslocamento de tecidos e fechamento com pontos”, diz o especialista.

Além disso, Natália Pagan destaca que, em uma minoria, não é possível resolver o problema em apenas uma operação. “Em cerca de 20% dos pacientes com gastrosquise, não se consegue fazer toda a redução do conteúdo das alças para dentro do abdome em um tempo único. São pacientes que precisam de mais que uma cirurgia. Quando isso acontece, é preciso lançar mão de um silo, que é uma capa que simula o abdome, com a qual as alças são protegidas até que seja possível fazer a redução sem agredir o bebê”, explica a cirurgiã pediátrica.

Continua após a publicidade

Da mesma forma, as consequências posteriores variam, com possibilidade de obstrução intestinal por brida e até evolução para síndrome do intestino curto – essa sobretudo em casos complexos. Por isso, o acompanhamento do cirurgião é essencial, já que novos procedimentos podem ser necessários.

Segredos dos Partos: Cesárea ou Normal? Opiniões de Especialistas
(Georgiy Datsenko / EyeEm/Getty Images)

O que pode causar a gastrosquise

“A causa específica não é totalmente conhecida e ainda há muita controvérsia sobre ser apenas um defeito genético ou ter algum efeito ambiental, alguma influência da mãe”, destaca Zatz.

Continua após a publicidade

Há pesquisas, por exemplo, que relacionam a malformação ao consumo de álcool e cigarros durante a gestação, uso de alguns medicamentos, bem como a recorrência de infecções do trato urinário, mas essas e outras possíveis causas ainda seguem sendo estudadas.

Depois do susto

Aurora nasceu em 26 de dezembro, na 37ª semana de gestação (por orientação dos médicos) e, depois dos procedimentos – uma cirurgia logo em seguida ao parto e uma anestesia geral para passagem da sonda intravenosa – recebeu alta hospitalar em 10 de janeiro. A pequena segue em casa com os papais.

Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

oferta