Engravidar após os 50 anos: um caso delicado

O médico Mauricio Chehin, do Grupo Huntington Medicina Reprodutiva, esclarece questões cruciais para auxiliá-la a realizar o sonho da maternidade.

Por Dr. Maurício Chehin Atualizado em 28 nov 2016, 18h17 - Publicado em 19 fev 2015, 14h27

Quando as novas regras do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre a reprodução assistida entraram em vigor em 2013, muitas mulheres se sentiram contrariadas. Desde então, aquelas que pretendem ter filhos com 50 anos ou mais precisam da aprovação do Conselho para se submeterem às técnicas de reprodução humana. A nova realidade foi vista, por algumas delas, como uma interferência arbitrária na escolha individual para se tornar mãe – um direito feminino.

No entanto, essa regra não foi um mero capricho do órgão regulador ou uma ofensa deliberada aos direitos da mulher. A norma foi criada visando a saúde feminina, levando em conta a análise de dados coletados das próprias clínicas brasileiras de reprodução humana, além de estudos que comprovam que pode ser perigosa uma gestação nessa faixa etária.

Doenças como hipertensão, diabete gestacional e os partos prematuros são mais frequentes nessa idade e se tornam um risco iminente para mãe e para o bebê. O propósito de filtrar os tratamentos de reprodução assistida para mulheres acima dos 50 anos é, então, uma forma de posicionar a vida como prioridade e evitar um processo que poderia colocá-la em perigo. Para as mulheres que estão veementemente decididas a engravidar nessa faixa etária ainda é possível submeter o pedido ao CFM e, se comprovado que a saúde da paciente permite a gravidez, ela poderá ir adiante com os procedimentos.

Curiosamente, a decisão veio dentro de um interessante panorama da sociedade moderna: a maternidade é realizada cada vez mais tarde porque, sim, a mulher se tornou mais independente e quer parceiros e carreiras que caibam dentro de suas vontades, antes da chegada dos bebês. Algumas delas, no entanto, superestimam suas funções biológicas e querem ser mães em faixas etárias em que os índices de gravidez não são mais comuns, mesmo com os avanços da medicina reprodutiva. Por esse ângulo, a decisão tomada pelo órgão médico em estabelecer um limite de idade às mulheres que desejam engravidar através da reprodução assistida compreende uma sensata preocupação.

Por isso, uma das alternativas para muitas candidatas à maternidade em idade madura é se precaver quanto aos potenciais reprodutivos, realizando exames que possam indicar a quantidade e qualidade dos óvulos, além das condições do sistema reprodutor. Com esse check up da fertilidade e o acompanhamento de um médico especialista, a paciente terá uma boa estimativa de até que idade pode ter filhos sem maiores problemas.

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