Como é a menstruação no pós-parto

Não é porque você ainda está amamentando que não corre o risco de engravidar novamente. Entenda o que acontece no seu corpo depois de dar à luz.

Quando você está tentando engravidar conhece bem o seu fluxo menstrual, o período fértil, as mudanças que acontecem no seu corpo e aquelas que denunciam que tem um bebê a caminho – a primeira delas, claro, é o atraso na menstruação. Mas e depois que o bebê nasce? Aí é outra história! O que acontece no pós-parto não é tão óbvio quanto parece e pode deixar dúvidas na cabeça de muitas mulheres que estão no puerpério, principalmente pelo cuidado em evitar uma nova gestação. Essa preocupação é normal, afinal é difícil se imaginar grávida de novo com um bebê ainda nos braços. Para esclarecer as questões que surgem nesse período, conversamos com especialistas que revelam o que você deve esperar nos primeiros dias (e meses) após a chegada do seu filho e quando o ciclo costuma voltar ao normal.

Sangramento pós-parto

Logo depois de dar à luz, a mulher passa por um processo de cicatrização chamado loquiação, que nada mais é do que um sangramento que dura cerca de 40 dias e é resultado da saída do bebê. “Quando a placenta é descolada do útero, é como se todos os vasinhos de sangue presentes naquela região ficassem abertos e, por isso, tanto sangue precisa ser eliminado. Quando acontece uma cesariana, o volume da loquiação costuma ser menor do que no parto vaginal, já que grande parte daquele material é retirado durante a cirurgia”, explica Alberto d’Auria, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo.

No início, a quantidade desse sangramento normalmente é bem intensa e tende a ir diminuindo ao longo das semanas, embora ela também seja influenciada pela amamentação. É que os hormônios envolvidos na produção do leite estimulam o retorno do útero ao seu tamanho normal, provocando contrações. “Depois do parto, logo que o bebê pega o peito é normal acontecer uma reação fisiológica: a mãe libera ocitocina e percebe que a boca fica seca, sente cólicas e nota um sangramento”, conta o especialista.

Novo ciclo

É importante enfatizar que o fluido decorrente da loquiação ainda não é menstrual. Isso porque a menstruação, de fato, é caracterizada pela descamação das paredes internas do útero (o endométrio) quando não há fecundação. E é apenas entre dois e oito meses após o parto que ela costuma voltar, mas isso depende muito de cada caso. “O aleitamento costuma bloquear a menstruação por mais ou menos 60 dias, que é o tempo em que o hormônio que garante a amamentação ainda está em alta. Depois, é a sucção do bebê que segue cumprindo essa função, mas a paciente irá voltar a menstruar quando o nível de prolactina cair”, afirma o ginecologista do Santa Joana. Portanto, se por algum motivo a mulher não puder amamentar, provavelmente seu ciclo menstrual irá retornar mais rapidamente.

Contracepção

É justamente por essa individualidade de cada organismo que não dá para prever quando o período fértil vai começar. Como a primeira ovulação depois do parto acontece antes da menstruação, o risco de engravidar nessa fase pode ser muito grande. Por isso, para retornar à vida sexual depois da quarentena é importante adotar métodos contraceptivos assim que o seu ginecologista recomendar. “Eu preconizo de 30 a 40 dias após o parto, lembrando que o anticoncepcional pode ser retomado um mês depois de dar à luz e, o DIU, apenas após 10 semanas”, orienta o médico, que ainda alerta: a mulher que está amamentando só pode tomar pílula de progesterona. As outras (combinadas com dois hormônios – estrogênio e progesterona), são absolutamente contraindicadas, já que o estrogênio é passado pelo leite e é prejudicial à saúde do bebê.

O volume muda?

Quando a menstruação reinicia, ela volta aos poucos à regularidade, mas o aumento do fluxo depois do parto é normal. “A cada gestação, quando o útero retorna ao seu estado normal, ele fica maior do que era antes. Isso faz com que o fluxo menstrual fique um pouco mais volumoso cada vez que a mulher engravida”, destaca o obstetra.

Embora todos esses fatores sejam observados com bastante frequência, é sempre bom lembrar que cada organismo reage de uma maneira diferente. Por isso, qualquer anormalidade deve ser relatada imediatamente ao seu médico.

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