Afinal, meu filho já pode visitar os avós?

Relaxamento da quarentena animou as famílias, mas orientação ainda é evitar saídas para socializar. Veja que cuidados tomar se decidir ir.

Por Chloé Pinheiro Atualizado em 3 jul 2020, 18h14 - Publicado em 2 jul 2020, 16h15

A reabertura do comércio e a dureza de estar há mais de cem dias longe dos familiares estão fazendo brotar na cabeça dos pais a dúvida: já está permitido visitar os avós dos meus filhos? O assunto divide os especialistas, mas a recomendação é esperar a pandemia arrefecer e, se decidir ir, tomar bastante cuidado. 

“Algumas pessoas entendem que o perigo diminuiu, mas na verdade ainda estamos no pico da doença, com alto risco de contágio, então o melhor ainda é manter o distanciamento social, especialmente uma população de risco como os idosos”, explica Daniel Apolinário, geriatra do Hospital do Coração (HCor). 

“Não houve uma mudança no cenário, mas a população está sendo mais consciente, então estamos autorizando as visitas, desde que conduzidas com segurança, decidindo em conjunto se aquele é mesmo o melhor momento para isso”, comenta o infectologista Lívio Dias, da Pro Matre Paulista. 

A escolha pela visita deve considerar tanto a segurança da criança, que pode se infectar, mesmo que na maioria dos casos a doença nelas seja leve, quanto a dos idosos, que estão no grupo de risco de versões graves de Covid-19.

Crianças podem ser assintomáticas

Ainda não está claro o papel das crianças na cadeia de transmissão do novo coronavírus porque se supõe que muitas delas sejam assintomáticas ou tenham manifestações tão leves que não levantam a suspeita da infecção, de modo que é difícil saber quem estaria carregando o vírus. 

“Fora que muitas famílias acabaram não respeitando totalmente a quarentena, e os filhos tiveram contato, mesmo que indireto, com outros adultos e crianças, então podem levar o vírus para o idoso que está isolado em casa, mesmo que eles em si não tenham sintomas”, destaca Dias.  

O risco aumenta conforme a idade e as comorbidades dos avós. “Se é uma pessoa de 60 anos, saudável, o risco é menor. Agora, um idoso de 80 anos, com problemas cardíacos ou diabetes, está muito vulnerável, então nesse caso devemos ser mais rigorosos”, exemplifica Apolinário. 

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Cuidados para tomar na visita 

Algumas famílias estão até optando por visitar os avós de carro, conversando pelo vidro do carro. Se a decisão, no entanto, for promover mesmo o encontro físico, a orientação é não descuidar da prevenção. Primeiro, ninguém deve ir à casa de outra pessoa se está com sintomas respiratórios ou outros relacionados à Covid-19 – no caso das crianças, por exemplo, há sinais pouco claros como diarreia e dores abdominais.

O mesmo vale para quem teve contato com casos suspeitos ou confirmados nos últimos 14 dias, em especial se a visita for a um recém-nascido ou uma gestante. 

Depois, é preciso usar máscaras (menos os menores de dois anos) e respeitar o distanciamento social durante a permanência, evitando beijar e pegar bebês e crianças no colo. Crianças mais velhas devem ser orientadas a manter distância dos avós para a proteção deles. 

Para ter mais segurança ainda, procure fazer visitas curtas, que não envolvam, por exemplo, compartilhar uma refeição. “É um momento de altíssimo risco, com todos sem máscara, conversando e compartilhando objetos. Se for acontecer, o ideal é comer em uma área aberta, com bastante circulação de ar”, ensina Apolinário. 

Adianta fazer o teste de Covid-19 antes de ir visitar? 

Com a chegada dos testes à rede particular de saúde e a possibilidade até de comprar um exame rápido na farmácia, muita gente tem utilizado esse recurso como “passaporte” para visitar os parentes. Mas a estratégia não é recomendada.

O PCR, que é o teste que detecta a presença do coronavírus no organismo, traz apenas um registro do status da infecção no momento da coleta. “Ou seja, o teste de hoje não vale para daqui a alguns dias, porque o contágio pode ocorrer a qualquer hora”, aponta Dias. 

A sorologia de anticorpos é ainda mais frágil como prova, pois há uma janela de tempo para que eles apareçam. “O exame pode demorar até dez dias para dar positivo depois do contato com o vírus”, expõe Apolinário. Fora isso, ainda não se sabe se o fato de ter desenvolvido anticorpos significa que a pessoa está protegida de contrair (e consequentemente transmitir) novamente a Covid-19. 

Juliana Pereira/Bebê.com.br
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