Ainda não há provas de que crianças transmitam Covid-19 aos adultos

Revisão de estudos diz que o papel delas na disseminação do vírus pode ser menor do que se pensava. E dá outra boa notícia sobre a doença nos pequenos.

Quando a pandemia de coronavírus (Covid-19) começou, se acreditava que as crianças tinham um papel importante na disseminação do vírus, mesmo que não ficassem muito doentes. Uma nova revisão de 78 estudos, contudo, não encontrou nenhum indício de transmissão direta entre menores de dez anos e adultos. 

A investigação foi feita pelo Colégio Real Britânico de Pediatria e Saúde Infantil, em parceria com o blog Don’t Forget the Bubbles, mantido por pediatras de diversos países. Entre as pesquisas avaliadas, um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) que rastreou contatos de milhares de casos positivos na China, sem nenhuma confirmação de crianças infectando outras pessoas.

Outro trabalho acompanhou uma criança com Covid-19 que teve contato com mais de cem pessoas enquanto estava com sintomas da doença e nenhuma delas contraiu o vírus. O achado, da Agência Nacional de Saúde Pública Francesa, foi publicado no renomado periódico Clinical Infectious Diseases.  

Por fim, os autores destacam que estudos feitos com famílias chinesas infectadas indicam que dificilmente as crianças eram o caso inicial. Vale dizer que isso pode ter ocorrido porque a maioria dos surtos ocorreu em contextos afastados da vida infantil, como voos internacionais e em pessoas mais velhas.

Papel ainda não definido 

Mesmo com esses resultados, não dá para liberar o contato entre os pequenos e os avós. Considerando o número de pessoas envolvidas e a quantidade de estudos disponíveis, os autores concluem que não há evidências o bastante para chegar a uma definição sobre o assunto.

Fora isso, é fato que crianças são grandes disseminadoras de vírus respiratórios já que, por conta do sistema imune ainda em desenvolvimento, costumam secretar uma carga viral considerável e ficam em contato próximo por boa parte do dia nas escolinhas. 

Ou seja, mais pesquisas serão necessárias para bater o martelo. Outro contraponto que fazem os pesquisadores é que, como provavelmente há muitos casos assintomáticos nesse público, não há como detectar todas as possíveis transmissões promovidas por crianças. 

Independente de passarem o vírus para frente ou não, é fato que elas podem ficar doentes. Até por isso, vale reforçar que a recomendação atual é que as crianças sigam praticando o distanciamento social, assim como os adultos. 

Boas notícias sobre a Covid-19 em crianças

A revisão inglesa confirmou ainda uma tendência observada desde o início da pandemia do novo coronavírus. Crianças parecem bem menos afetadas pela doença. Casos fatais raros foram relatados pela OMS, mas na China e na Itália, que viveram surtos significativos, não houve mortes abaixo dos dez anos, de acordo com os dados já publicados. 

Entre as crianças infectadas estudadas, a maioria tem doenças leves e moderadas. Os sintomas mais comuns são tosse e febre, que ocorrem em metade dos casos. Coriza e dor de garganta aparecem em cerca de 40% dos pequenos e 10% podem ainda ter diarreia e vômito. 

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