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Tiques em crianças pequenas: quando os pais devem se preocupar? 

Os movimentos involuntários e realizados de forma repetitiva geralmente desaparecem com o tempo, mas em alguns casos exigem um cuidado mais atento. Entenda!

Por Flávia Antunes
Atualizado em 23 jan 2023, 11h22 - Publicado em 11 mar 2021, 19h08

Com tanta imaginação e energia para gastar, ver o pequeno se mexendo de um lado para o outro não é algo que costuma surpreender os pais. Afinal, muitas vezes as caras e bocas ou expressões corporais exageradas do filho fazem parte da brincadeira ou do aprendizado sobre o próprio corpo.

Mas e quando a criança começa a piscar repetidamente, a sacudir os braços de forma abrupta ou a dizer palavras e frases fora do contexto? Embora difícil de diferenciar o que faz parte do lúdico e o que não faz, é bem possível que comportamentos como esses não sejam apenas hábitos e recebam outra nomenclatura: tiques.

Mas afinal, o que são os tiques?

“Tiques são movimentos involuntários que as crianças realizam de forma repetitiva, como piscar os olhos, tensionar os músculos e chacoalhar as mãos”, responde a psicóloga e doutora em Distúrbios do Desenvolvimento, Gabriela Luxo. 

Segundo ela, tais manifestações podem sim surgir ainda na infância e são divididas entre as de tipo motor e as verbais. Em consonância, Wanderley Cerqueira de Lima, neurologista do Hospital Albert Einstein e da Rede D’or, acrescenta que os tiques aparecem em várias idades e não costumam ser rítmicos – então não adianta cronometrar de quanto em quanto tempo o filho mexe o nariz ou contrai os ombros para chegar a um diagnóstico.

Além deste complicador, o especialista adiciona outro fator que pode vir a dificultar a identificação da condição: ela possui uma série de causas. “O tique pode ser uma alteração de comportamento, uma consequência de um transtorno, como o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), um estresse emocional ou até uma desordem neurológica, como a Síndrome de Tourette”, pontua.

Enquanto vários dos tiques são passageiros, no caso do Tourette a duração das manifestações é maior, ultrapassando um ano, e elas são tanto motoras quanto verbais. “Os movimentos repetitivos podem incluir a contração do braço e dizer palavrões ou imitar sons em situações que não fazem sentido, por exemplo, e exigem um acompanhamento contínuo”, indica o doutor.

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Já quando uma criança decide não pisar de jeito nenhum nas linhas do chão ou só brinca depois que todos os itens estiverem alinhados em fila, estamos falando de outra classificação: a mania, cuja raiz é mais psicológica. “Ela envolve comportamentos que a criança tem mais dificuldade de controlar e que costumam aparecer quando está no pico da dificuldade ou do nervosismo”, esclarece Gabriela. 

O fator pandemia

Nos casos dos tiques que desaparecem com o tempo (que são a maioria), geralmente as causas emocionais são as que falam mais alto. Como sabemos, a pandemia conseguiu desestabilizar os pequenos em vários sentidos – desregulando o sono e fazendo com que regredissem em determinados comportamentos por exemplo -, e os efeitos não param por aí.

“No momento atual, estamos lidando com o desconhecido e com o medo, o que pode trazer maior ansiedade para as crianças e acabar desencadeando tiques”, afirma a psicóloga. “Isso porque elas nem sempre conseguem elaborar essa insegurança ou outro sentimento, expressando-o através do corpo”, completa.

Mas nem só o novo coronavírus é capaz de influenciar no surgimento dos tiques. Segundo Gabriela, outros acontecimentos também podem contribuir, como o nascimento de um irmãozinho, a entrada (ou não adaptação) na escola ou o começo da alfabetização, por exemplo.

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Quando os pais devem ficar atentos

De acordo com a psicóloga, o primeiro passo é tentar identificar, dentro do próprio núcleo familiar, o que a criança vem sentindo. “Ela pode estar comunicando que alguma coisa não vai bem, então é importante buscar decifrar essa emoção, ajudar o filho a nomeá-la e pedir para que ele se expresse – seja por meio de uma brincadeira ou de um desenho”, sugere.

Agora, se o diálogo não for suficiente, talvez seja hora de redobrar a atenção e intervir de outras maneiras. “Precisamos levantar um sinal de alerta quando o tique começa a ficar muito frequente e quando ele implica em malefícios – colocando a criança em risco ou expondo-a às demais de uma forma negativa, por exemplo”, ressalta.

O neurologista concorda e acrescenta que o panorama fica mais preocupante quando a manifestação começa a se apresentar várias vezes ao dia. Neste caso, o melhor é buscar uma avaliação médica e/ou psicológica, muitas vezes em conjunto com os próprios cuidadores, para que o profissional consiga verificar o que pode estar causando o tique.

“É preciso fazer uma anamnese completa, verificando o histórico da criança e se há algum fator externo influenciando, para em seguida pensar no tratamento – principalmente usando a abordagem cognitivo-comportamental”, conclui Wanderley.

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