Chora demais, dorme mal… Será que seu bebê é high-need?

Especialistas explicam o que realmente há por trás dos bebês que demandam mais atenção e como atender suas necessidades sem esgotar os pais.

Logo depois de dar à luz seu segundo filho, Sammy, a escritora norte-americana Holly Klaasen se deparou com algo atípico: o menino chorava inconsolável e ficou acordado por nove horas seguidas durante sua primeira noite no mundo. “Minha primogênita já era mais chorona do que o comum, mas ele era muito agitado”, conta Holly.

A família consultou diversos médicos, procurou livros e ouviu diversas vezes que era apenas o período das cólicas e que aquilo passaria logo. “Mas isso não era o suficiente para explicar porque ele tinha, além do choro, reações tão intensas e dormia mal”, continua a mãe. Foi nessa busca por respostas que ela se deparou com os termos “high-need” e “fussy baby”, algo como “alta necessidade” e “bebê agitado”, que ganharam fama nos Estados Unidos no final da década de 1990.

Cunhados pelo pediatra William Sears para identificar bebês como os filhos de Holly, esses nomes não significam nenhuma doença ou condição psicológica, mas sim uma característica da personalidade da criança. “Estima-se que 1 em cada 5 bebês choram mais do que o esperado”, explica Jennifer Murphy Sims, fisioterapeuta do Fussy Baby Program, do UCSF Benioff Children’s Hospital Oakland, nos Estados Unidos.

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Ainda não há nenhuma explicação científica para essa diferença, mas os especialistas têm suas suspeitas. “A criança pode ter um temperamento mais sensível ou expressar mais seus sentimentos, mas talvez seja algo relacionado à regulação de emoções no próprio cérebro”, elenca Jennifer.

Período de adaptação

No começo da vida o choro é até esperado. Afinal de contas, o bebê está se acostumando com um mundo todo novo enquanto o corpo cresce, já os pais estão aprendendo a deixá-lo confortável e por aí vai. O próprio chorar demais é subjetivo. “Há um padrão típico, mas uma variação muito grande dentro dele. Uma criança pode chorar quatro horas todos os dias e a outra por meia hora apenas”, aponta Jennifer.

Ou seja, o filho pode mesmo demandar mais atenção que o vizinho, mas isso, primeiro, não quer dizer necessariamente que ele seja high-need ou que haja algo errado com a criação dos pais. O problema é quando a agitação permanece. “Nos nossos estudos verificamos que entre 12 e 15% dos bebês que choram muito seguem dessa maneira depois dos seis meses, quando a situação já deveria estar normalizada”, comenta Jennifer.

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Como melhorar as coisas

O primeiro passo é não fazer comparações ou se culpar pelo comportamento do filho. “Os pais devem ver seu bebê como um ser único e aceitá-lo como ele é, com suas individualidades e demandas”, explica Salete Arouca, psicóloga do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo.

Depois, é preciso excluir quaisquer possíveis causas para o incômodo, sejam médicas – como refluxo e as próprias cólicas -, ou ambientais – como uma casa cheia de brigas e agitação. Se o bebê está saudável, alimentado, confortável e ainda chora, aí o jeito é exercitar a calma e a paciência.

“Independente do bebê ser high-need ou não, minha forma de pensar é que não temos que negar colo para a criança e, se ela precisa mais disso que os outros, os pais devem atender e buscar estratégias para não ficarem exaustos nesse processo”, orienta Kelly Oliveira, pediatra autora do blog Pediatria Descomplicada.

Para alguns pais, métodos como enrolar o pequeno, colocá-lo de lado e depois fazer barulhos com som de shhh podem funcionar. Entre todas as táticas, privilegie as que você já faz e dão resultado ou pelo menos amenizam um pouco a situação. A partir daí, a ideia é fazer uma espécie de treinamento. “Se o que funciona quando o filho acorda aos prantos é segurá-lo e andar pela casa toda, tente aos poucos trocar o passeio por um toque ou falar com o bebê ainda no berço”, sugere Jennifer.

Falando em sono, a falta dele é uma das coisas que mais exaurem os pais nestes meses conturbados. A dica aqui, que funcionou para Holly, é estabelecer uma rotina e descobrir o que acalma o bebê, mas sem deixar de estimular a consolidação do sono por conta própria. “Ele precisa aprender a adormecer sozinho, então os pais precisam descobrir o meio termo entre deixá-lo chorando e pegar no colo assim que ele acordar”, explica Jennifer.

Por exemplo, dá para esperar um minuto e observar se ele se acalma, para só então resgatá-lo do berço. “O que ocorre é que a confiança dos pais é minada a todo momento, então ao ver que uma estratégia não funcionou de primeira, eles desistem dela, e vão para outra, outra e outra…”, comenta Jennifer.

Os pais precisam de apoio

Como não é nada fácil estar em público com um bebê que chora muito, os pais tendem a se isolar. “A maioria se sente sozinho porque todo o resto do mundo parece ter um filho ‘normal’, por isso recomendo que procurem grupos de apoio e outros pais passando pela mesma situação”, indica Holly. Dividir o fardo é crucial. “O pai deve estar presente para que a mãe possa descansar também”, reforça Salete.

O futuro do bebê high-need

Embora não exista uma regra, a tendência é que depois dos três anos a situação se estabilize e o bebê chorão vire uma criança mais sensível e expressiva. “Minha filha hoje é muito tranquila, enquanto meu filho ainda é espirituoso, intenso, persistente e sensível. Entretanto, ele aprendeu a transformar a maioria das características negativas em positivas”, conta Holly.

“Por exemplo, sua sensibilidade faz com que ele seja o primeiro a notar se alguém está triste e ajudar essa pessoa”, completa a escritora, que hoje dedica-se totalmente a seu site feito para pais de pequenos agitados. “O ideal é que eles entendam que enquanto esses bebês podem ser exaustivos quando menores, se ajustarmos nosso estilo de criação eles viram crianças maravilhosas”, encerra a norte-americana.

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