Conheça os diferentes tipos de leite materno produzidos na amamentação

Ao longo do aleitamento, diferentes líquidos são secretados pela mãe - cada qual com o seu benefício para o desenvolvimento do bebê.

Por Flávia Antunes Atualizado em 5 ago 2020, 17h49 - Publicado em 5 ago 2020, 17h48

Mesmo antes do parto, a mulher já começa a sentir o seu corpo mudar e se preparar para oferecer ao pequeno o seu primeiro alimento: o leite materno. Por ser riquíssimo em benefícios para a saúde do bebê, o aleitamento exclusivo é recomendado até os seis meses de vida, e organizações de saúde indicam que ele continue complementado por outros alimentos até os dois anos ou mais.

O que pouco se fala, porém – e que muitas mães acabam descobrindo na prática – é que o líquido que sai de seus seios não é o mesmo durante toda a amamentação. Na realidade, existem três principais tipos de leite, que variam no decorrer do tempo e cujo aspecto pode ser diferente mesmo ao longo do dia e até mesmo durante uma mesma mamada.

“O leite materno muda constantemente”, afirma Dra. Mônica Carceles, pediatra e neonatologista da Maternidade Pro Matre. “Existem três fases básicas: o colostro, que permanece até cerca de 7 dias após o nascimento; depois o leite de transição, que dura mais 5 a 7 dias; e finalmente o leite maduro, que permanece até o final da lactação”, explica.

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    Colostro

    De acordo com a doutora, as mamas não mudam de aparência imediatamente após o nascimento da criança, mas a mulher já possui colostro desde o final da gestação. Isto não significa, no entanto, que assim que o seu filho nascer já haverá leite em abundância. Pelo contrário, a pediatra acrescenta que o colostro é produzido em pequena quantidade, então é normal que não saia muito no início – e isto não deve ser motivo de frustração.

    “Geralmente não é o bebê que rejeita o alimento, mas a mãe que tem a sensação de não ter leite no começo, e pode ficar aflita com isso”, diz Mônica. “Mesmo sendo espesso, o bebê vai sugando e conseguindo tirá-lo”, tranquiliza ela.

    E olha só que curioso: em algumas culturas o colostro é descartado, por desconhecerem o papel que ele desempenha especialmente no sistema imunológico do pequeno. “Ele é muito rico em proteínas e uma parte delas são anticorpos. O bebê ainda possui uma imunidade pouco consolidada e recebe por meio do leite muitas células de defesa, que o protegerão caso entre em contato com alguma bactéria ou vírus”, pontua a neonatologista.

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    Mais amarelado e viscoso, as vitaminas em sua composição também são importantes aliadas no desenvolvimento intestinal da criança, defendendo sua flora contra infecções bacterianas e impedindo que agentes causadores de doenças cheguem à mucosa do intestino.

    Leite de transição

    Com o passar dos dias, o leite vai aumentando em volume e a mãe começa a sentir suas mamas mais cheias, o que anuncia o período de transição. “Ele vai deixando de ser tão espesso, fica mais fluido, e esta segunda fase vai aproximadamente até o 14º dia”, conta a médica.

  • Leite maduro

    Depois disto, já é possível dizer que o leite chegou em sua última fase, aquela responsável – dentre outros benefícios – pelo ganho de peso do bebê. “Quando se torna leite maduro, ele possui mais gorduras e menos proteínas”, afirma a especialista sobre a composição nutricional diferente.

    Mas mesmo em uma mesma mamada a constituição do líquido pode variar, e por isto é importante que o pequeno desfrute de todas as suas etapas.

    “Quando o bebê começa a mamar, o leite que sai no início – que chamamos de leite anterior – possui mais água do que o do final ou leite posterior, que por sua vez tem mais gordura e satisfaz mais a criança, fazendo-a ganhar peso”, complementa.

    Como o processo é gradativo, a médica recomenda que as mães façam o rodízio dos seios somente depois que todo o leite seja liberado, e não de acordo com um tempo específico. “Oriento que elas tentem esgotar a primeira mama antes de trocar para a outra, para que o bebê consiga ingerir mais gordura. Se não, ele consome um volume considerável de líquido mas que contém mais água, e que pode não fazer com que ele ganhe peso”, explica.

    Ceneri/Getty Images
  • “Mas e se eu começar o aleitamento do segundo filho enquanto ainda amamento o primeiro?” – algumas mães podem se perguntar. O interessante é que, mesmo se o desmame ainda não estiver sido feito, o organismo da mulher acompanha a chegada do novo bebê e começa a produzir colostro novamente, para que ele não perca os benefícios do começo da lactação.

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