Câncer de mama: entenda os sinais da doença durante a amamentação

Mastite que não cicatriza mesmo com medicação, e nódulos nas mamas mesmo ainda que vazias de leite precisam ser relatados para os médicos.

Por Alice Arnoldi 16 out 2020, 10h57

Outubro Rosa é conhecido como o mês de conscientização sobre o câncer de mama, doença a qual o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que atingirá mais de 66 mil mulheres brasileiras apenas este ano. Para que os casos do segundo tipo de tumor mais incidente no país possam retroceder, é importante que se fale de cenários não óbvios, em que a doença pareça estar descartada, mas que pode acometer. Um bom exemplo é o das mães que a desenvolvem durante o aleitamento materno.

Ainda que estudos comprovem que amamentação reduz as chances da doença, ela não anula a sua possibilidade. “Precisa-se entender que quando falamos de risco ou de proteção, não estamos falando de blindagem. É claro que existe o que aumenta e diminui o risco, mas não significa que eles são isoladamente pontos de proteção”, explica Dra. Fabiana Makdissi, líder do Centro de Referência de Tumores de Mama do A.C.Camargo Câncer Center.

A especialista também pontua que a falta de conhecimento sobre o câncer de mama gestacional, definido assim quando há a incidência da doença na gravidez ou até um ano após o parto, faz com que a mulher procure acompanhamento quando a doença já evoluiu significativamente.

“Esse é o grande problema que se tem quando falamos de diagnóstico durante a gestação ou amamentando. As pacientes acabam chegando para o médico que trata câncer em uma fase muito avançada da doença porque negligenciou-se essa queixa. Ninguém pensou em câncer”, detalha Fabiana.

  • Os sinais que precisam de atenção

    Para isto, é importante que não se desespere com a possibilidade da doença. Mas tenha em mente que, diante de algumas sinais, é essencial a procura de um médico para que ele possa analisar o quadro.

    Estes indícios são principalmente o que a especialista pontua como aquilo que não passa. O mastologista Anastásio Berrettini, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), cita o caso de mastite que não cicatriza.

    Continua após a publicidade

    “Caso o processo inflamatório, muito comum no início da amamentação, não se resolva com medicação, o médico deve estar atento para outras situações, inclusive o câncer. Ele deve fazer ultrassom, biópsia e até mamografia para descartar a possibilidade”, pontua o especialista.

  • Além da percepção de mudanças de coloração e temperatura da mama que a inflamação pode trazer, Fabiana completa com o alerta sobre os nódulos que mães podem sentir.

    No primeiro momento, a dúvida pode ser se ele não é apenas acúmulo de leite. Para solucioná-la, é necessário ficar atenta se ele some quando a mama é esvaziada. “Mas se há um nódulo, o bebê terminou de mamar, o seio está flácido, molinho e ele continua com aquele caroço, sinal de alerta”, esclarece a médica.

    Junto com as mudanças externas da mama, a pediatra Patrícia Rezende, do Grupo Prontobaby, também sinaliza alterações do próprio leite materno que precisam ser relatadas para o médico que acompanha a lactante.

  • “Na amamentação, principalmente no início, pode acontecer da mulher ter saída de leite de coloração alaranjada ou rosada. Entretanto, é importante a mulher conversar com o seu médico caso isso perdure, porque qualquer saída de secreção de outra cor pelo mamilo deve ser investigada”, enfatiza.

    Tenha em mente que esses sinais podem ou não aparecerem juntos, mas no surgimento de apenas um, entre em contato com o pediatra ou ginecologista que a acompanha após o nascimento do bebê. O diagnóstico precoce é essencial para a cura do câncer de mama!

    Continua após a publicidade
    Publicidade