Crianças vegetarianas têm nível de crescimento igual às que comem carne

Uma pesquisa canadense identificou que não existe diferença significativa entre os níveis de nutrição de crianças vegetarianas das que consomem carne.

Por Isabelle Aradzenka Atualizado em 3 Maio 2022, 17h31 - Publicado em 3 Maio 2022, 17h29

Hoje, com mais abertura de mercado e mais entendimento sobre os benefícios, as dietas vegetarianas e veganas chamam a atenção de famílias que talvez nunca tenham pensado ser possível abrir mão das refeições com alimentos de origem animal – ainda mais as quem têm crianças na casa.

Mais conscientes e preocupados em buscar alternativas para as refeições dos filhos, muitos pais estão diminuindo o consumo de carne ou até tirando o alimento, antes entendido como um dos pilares do cardápio de muitos países como o Brasil.

Mas será que crianças que adotam uma dieta vegetariana – que exclui a carne de animais e às vezes produtos derivados, tais como laticínios, ovos e mel – têm o crescimento, a altura e os índices nutricionais equivalentes às das que consomem os derivados de origem animal? A resposta é sim e é isto o que os pesquisadores do hospital canadense St. Michael’s Hospital of Unity Health Toronto sugerem em um estudo publicado na última segunda-feira (2).

Divulgada na revista científica Pediatrics, a pesquisa avaliou cerca de 9000 crianças entre seis meses e oito anos de idade de 2008 até 2019. Para construir a base de dados, os responsáveis pelos menores precisaram descrever as refeições da criança aos cientistas, que os classificaram como vegetarianos (os que seguiam dieta vegana ou vegetariana) e não-vegetarianos (os que consumiam derivados de animais).

Das crianças avaliadas, 248 já seguiam uma dieta vegetariana (25 veganas) e 338 relataram que em algum período do estudo optaram por este tipo de alimentação. Ao comparar os dados coletados das participantes que não consumiam carne e das que mantinham o produto no cardápio, os pesquisadores encontraram semelhanças no Índice de Massa Corporal (IMC), altura, níveis de ferro, vitamina D e colesterol avaliados – ou seja, não havia diferença nutricional significativa entre as dietas.

“Este estudo demonstra que crianças canadenses vegetarianas têm o crescimento e os indicadores bioquímicos de nutrição semelhantes em comparação com as crianças não-vegetarianas”, confirmou Jonathon Maguire, principal autor do estudo e médico pediatra no St. Michael’s, em entrevista ao portal de notícias do hospital.

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bebê comendo
M-image/Thinkstock/Getty Images

Mas é preciso acompanhar as que estão abaixo do peso!

Uma das limitações identificadas pelo estudo é de que os pesquisadores não avaliaram a qualidade das dietas vegetarianas – que podem assumir diferentes formas e, portanto, diferentes ganhos nutricionais. Diante disto, as crianças vegetarianas foram associadas a um risco duas vezes maior de estarem abaixo peso indicado para a idade. “Isto ressalta a necessidade de um cuidadoso planejamento dietético para as crianças com baixo peso que consideram adotar a dieta vegetariana”, acrescentou Jonathon.

Para o estudo, encontrar-se abaixo do peso é um indicador de desnutrição e pode ser um sinal de que a qualidade da dieta da criança não acompanha as suas necessidades nutricionais. Os autores ainda complementam que são necessárias mais pesquisas para examinar a qualidade da alimentação vegetariana na infância.

Para a Academia de Nutrição e Dietética, cardápios vegetarianos apropriadamente planejados, incluindo veganas, são nutricionalmente saudáveis e apropriadas para todas as fases da vida: gravidez, lactação, infância, adolescência, idade adulta e para atletas.

No caso dos pequenos, a dica da entidade é para os pais ficarem de olho no consumo de:

  • Proteínas: produtos de soja, como tofu, nozes, sementes, feijões e ervilhas são exemplos ricos em proteína;
  • Cálcio: para os que consomem, produtos lácteos – tais como leite desnatado e iogurte – são excelentes fontes de cálcio. Outras opções incluem vegetais de folhas verdes;
  • Ferro: enfatize boas fontes de ferro – como lentilha, feijão e espinafre – com boas fontes de vitamina C – como frutas cítricas para melhor absorção do ferro.
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