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Comportamento

Como lidar com a agressividade infantil

Mônica Brandão Atualizado em 16.12.2011
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Getty Images

De repente, seu bebê fofo e rosado, que até então só inspirava doces emoções, contorce o rosto, grita irritado e... crava as unhas em seu braço!

Tudo isso só porque você o tirou de perto da escada ou não o deixou pegar algo. Não importa a razão, a primeira vez que tomamos contato com a raiva do filho pode ser assustador. Ficamos angustiados: como um bebê já pode ser tão agressivo? Será que sua educação está errada? Ele será uma criança má? Ainda tem saída? Conversamos com especialistas para saber a resposta dessas e outras perguntas que passam pela cabeça (e o coração) dos pais nessas situações.

 

1. Por que bebês tão pequenos podem ser agressivos?

 

Até completarem 3, 4 anos, as crianças são desprovidas de recursos para lidar com a frustração. Imagine um bebê cheio de curiosidade e desejos. Quando suas vontades não são atendidas, surge um sentimento de decepção muito forte – e rápido. Ele não sabe lidar com essa intensidade. Como não fala, não tem argumentação e raciocínio, usa o físico para se manifestar. “A criança pequena não tem competência cognitiva para trabalhar a frustração. Ela agride para se defender do que sente e não entende aquilo como uma agressão. É instintivo”, explica a psicóloga Rita Calegari, do Hospital São Camilo Pompeia, em São Paulo.

 

A boa notícia é que, com o tempo e a educação que recebe, a criança aprende a transformar essa raiva em um comportamento aceito pela sociedade – e por você. Descobre uma maneira, uma válvula de escape para lidar com as frustrações, assim como nós adultos fazemos na maioria das vezes. A notícia não tão boa é que, depois dos primeiros dois anos de vida, aparecem outros fatores que levam à agressividade. Um deles é a própria personalidade da criança. Algumas realmente serão mais raivosas do que as outras e exigirão uma orientação mais profunda para se adequar e direcionar essa energia para algo positivo.

 

Certos acontecimentos na família, como mudanças, separação, doenças e discussões, assustam a criança e ela pode reagir, sendo agressiva. “Pode ser algo muito inconsciente e angustiante, de funcionamento familiar, pais enfraquecidos, submissão a avós, iminência de separação e outros sintomas de que a família não está bem estruturada”, diz a psicóloga Daniela Rocha Paes Peres. A criança fica insegura com o contexto familiar e descobre na agressividade uma forma de sinalizar que precisa de atenção, explicações, carinho e até limites para se sentir bem novamente.

 

O pequeno também pode ser hostil porque imita os adultos que a cerca. Muitas vezes, não nos damos conta de como podemos ser violentos no dia a dia. Na hora de comemorar um gol, quando aproveitamos para nos manifestar sobre o adversário ou na hora de reclamar do vizinho que está dando uma festa. A criança está sempre ali, observando nossas reações, aprendendo com elas. E mais uma vez, como não sabe argumentar, traduz a energia agressiva que quer imitar para o físico, batendo, mordendo, chutando.

 

2. Criança agressiva é culpa dos pais?

 

Os pais devem se sentir responsáveis pelo filho, mas não podem achar que serão capazes de moldá-los completamente. Uma criança de temperamento mais agressivo não mudará totalmente. O que muda é que, com a educação, os pais ajudarão a perceber o quanto ela perde com certas atitudes. É preciso lidar com a personalidade dela.

 

Mas, em alguns casos, a família pode estar incentivando essa atitude. Isso acontece quando a criança os imita. A agressividade do filho pode ser reflexo direto de uma identificação com um adulto. “Se o pai dirige de maneira violenta, xingando e fechando os outros carros, esse é o modelo de masculinidade que o filho vai receber. Uma família mais agressiva, com pais muito bravos, virulentos em suas palavras, transmite esse modo de funcionamento aos filhos. Fica natural se comportar dessa maneira”, explica Daniela Peres.

 

Outro descuido comum que pode gerar o comportamento raivoso da criança é a falta de limites. Sim, educar é difícil, dizer “não” milhares de vezes ao dia pode parecer insano, mas é necessário. Apesar de aparentar o contrário, filhos que fazem tudo o que querem ficam inseguros, querem a proteção de um “não pode”, a orientação dos pais. Mesmo bebês de apenas 2 anos já mostram a sua raiva para sinalizar a falta de limites.

 

3. Como lidar com a agressividade do filho

 

Em primeiro lugar, vem o clássico que todos os pais já ouviram: é preciso paciência. E lembrar que, apesar da intensidade que a agressão parece ter – não é fácil levar uma mordida do filho no auge da irritação –, estamos lidando com crianças, com emoções primitivas, com seres que mal entendem seus sentimentos e suas ações e dependem de nós para aprender a lidar com tudo isso. No mais, é a causa que vai mostrar a melhor maneira de administrar a situação.

 

Um bebê que ainda não sabe o que fazer com a frustração precisa aprender que não conseguirá o que quer gritando, arranhando ou mordendo. Os pais vão mostrar isso falando firmemente que não gostaram daquilo, que doeu, que é feio agir assim. Pode parecer que não, mas crianças de 1 ano já são capazes de entender sinais básicos,, como a cara chateada da mãe, e associar que aquilo foi uma reação a determinada atitude. Você vai falar uma, duas, dez, 100 vezes. E vai falar nos dias que estiver feliz, descansada, mas também naqueles que foi ameaçada de demissão, no que discutiu com o marido, quando foi abandonada pela empregada. E é nesses momentos que aparece o perigo de se esquecer de educar e simplesmente reprimir. Qual a diferença entre os dois? Quando educa você diz: “Bebê, a mamãe não gostou. Não faça mais isso”. Na repressão, você berra “como é possível você não entender que não pode fazer isso depois que já falei mil vezes!”, como se estivesse tratando com um adulto. “As consequências de uma boa educação demoram a aparecer e temos de repetir as regras todos os dias por muitos anos. Já a repressão tem resultado imediato, deixa a criança sem ação, com medo e por um tempo ela não repete o erro. Mas também não evolui, não reflete, não aprende”, diz Rita Calegari. Há dias que falar calmamente com uma criança exige uma extraordinária força de vontade. Mas lembre-se de que educar realmente dá trabalho. Se estiver muito fácil, você pode estar no caminho errado.

 

Quando a causa é uma mudança no contexto familiar, o melhor é conversar com a criança. Antes de exigir uma mudança, seja honesto, faça-a se sentir confortável e segura, apesar da situação. E, de novo, explique que as atitudes agressivas não são legais e não vão resolver os medos dela. Caso o motivo seja a imitação do que ela vê em casa, a mudança deve começar pelos pais. Eles devem rever suas maneiras, seus valores, entender que no mundo dos adultos sua forma de agir pode até estar no limite da civilidade, mas que, quando se trata de educar uma criança, tem de ser diferente e melhor.

 

Um fato que merece atenção: como já foi dito, as crianças pequenas não sabem discutir. Em uma luta por brinquedos com outra criança, por exemplo, é muito natural surgirem chutes e mordidas – é a forma que elas encontram para expressar seus desejos e suas decepções. “Esses comportamentos são normais e é importante que o adulto não amplifique seu significado. Se essa atitude ficar restrita a esse momento de vida, basta mostrar os limites de forma tranquila”, explica Ricardo Halpern, presidente do Departamento de Saúde Mental da Sociedade Brasileira de Pediatria. Isso será um sintoma de algo mais grave se for muito repetitivo e se a criança continuar irredutível mesmo depois de o contexto familiar mudar. Pode ser, então, a hora de procurar ajuda com algum especialista.

 

4. E quando o seu filho vira o vilão?

 

O seu filho é o que morde, chuta e bate? Essa é uma situação delicada para os pais principalmente porque eles vão lidar com a idealização do filho. Queremos uma criança perfeita. E na vida real temos alguém com qualidades e defeitos imprevistos. A tendência, lógico, é não admitirmos os defeitos. Ou ir ao outro extremo e acreditar que a criança é má. “Não descarto que elas podem ser maldosas, mas esse é um conceito muito pesado quando se trata da infância. Muitas vezes, os pais acham que há algo errado, mas nem tudo é sinal de sintoma. Pode ser apenas uma fase”, explica Rita Calegari.

 

É importantíssimo não criminalizar o filho. É preciso conter os seus atos, mas lembrar sempre que se trata de uma criança em formação. Tem de ser tratada e não excluída, inclusive na escola. Mas a rejeição pode ocorrer. Por isso, é importante também os pais serem sinceros com os pais dos amigos, não se colocando nem na posição de envergonhados nem serem arrogantes, tentando defender-se das críticas que podem surgir. Lembre: estamos falando de bebês que ainda estão aprendendo a conviver com os outros. “Nessa situação, a criança precisa ser alertada sobre as consequências de seus atos e esse é um longo trabalho. Para isso, é preciso que a família não se contamine inteira num circuito de agressividade para tentar parar a agressividade”, explica Daniela Peres.

 

Segundo a psicóloga, essa pode ser uma ótima chance de os pais repensarem como estão criando esse filho. Quando a própria criança crescer um pouco, será capaz de entender por que é rejeitada. “Ao sofrer com isso, terá a possibilidade de tentar mudar, já que experimentou um sofrimento que a faz entender o sofrimento do outro”, diz Daniela.

 

5. E quando seu filho é a vítima?

 

A primeira opção que passa pela cabeça de um pai quando sabe que seu bebê recebeu uma mordida do coleguinha do berçário é ir tomar satisfações com o outro pai. Está certo. Mas lembre, mais uma vez, que são crianças tentando se manifestar de alguma forma. Não é fácil e muitas vezes temos vontade de ensinar o filho a revidar. E aí você estará ensinando a pior das lições: a de que o outro tem razão em agredir, já que essa é uma atitude tolerável. Não! A melhor saída é ensiná-lo a se defender, o que não significa necessariamente atacar de volta, e sim não permitir a agressão. “Os pais de uma criança agredida precisam ser mais maduros e entender que os filhos estão conhecendo algo que vão encontrar na vida. Claro que protegemos e orientamos sempre uma criança. Mas não dá para achar que nada de desagradável irá acontecer com eles. É coerente tolerar e defender em medidas razoáveis”, explica Daniela Peres. Seu filho levou uma mordida, mas não precisa ser a vítima passiva. É um bom momento de ele começar a aprender que existem maneiras de se defender sem que tenha de se tornar uma criança agressiva também. E terá a chance, inclusive, de mostrar isso ao amigo agressor.


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