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11/05/2009
Momentos de escolha

Assim que soube da gravidez me vi levado a tomar várias decisões claras e práticas. Sobre coisas que a vida de um casal sem filhos pode postergar.

Passei boa parte da minha vida dizendo que não tenho religião e me intitulando agnóstico. Fiz os rituais clássicos do Judaísmo, mas fui criado longe da tradição, a qual não me identificava até pouco tempo atrás. No entanto, recentemente me apropriei completamente do fato de ser judeu. Assim como são os meus pais e eram todos os meus avós, bisavós e tataravôs

O ponto de partida do meu resgate ancestral foi justamente a influência que os rituais religiosos da minha mulher Luciana – cuja família é de origem católica - começaram a exercer sobre mim. A Luciana, ensinada pela avó, aprendeu a rezar, acende velas e pedir luz para sua caminhada. Ela diz que lembra do dia em que a saudosa vovó Eunice lhe deu um santinho com a oração do Pai Nosso. Vendo a Luciana rezar comecei a querer experimentar esse contato com o Sagrado.

Mas não adiantava ser o Sagrado dela, mas sim o meu. E lá fui eu mexer nos “arquivos pessoais†da minha relação com o judaísmo. Uma viagem de reencontro com todos eles, meus pais, avós, bisavós, tataravôs.

Bom, e o que tudo isso tem a ver com a nossa filha, que hoje mora na barriga da minha mulher? É que a chegada da Gabriela nos fez refletir sobre isso também.

Somos um casal inter-regilioso. No entanto, ambos não freqüentamos templos. Mas hoje o Sagrado faz parte do nosso dia-a-dia, de todas as nossas ações. E a Gabriela, vai ser batizada? Vai ser cristã? Vai ser judia?

Pensamos que poderia ser os dois. Mas, poxa, para um adulto como eu já é difícil assumir uma só religião. Dar duas para uma criança hoje já não mais nos parece a melhor solução.

Pensamos, então, que ela poderia não ter religião, pelo menos enquanto criança. Mas negar a ela essa força que descobrimos no contato com o Sagrado também não seria generoso, na minha opinião, no nosso caso.

Pensamos para lá e para cá e decidimos conversar com um rabino. Eu hoje sou mais próximo de um rabino do que é a Luciana de um padre. Claro que meses se passaram até decidirmos juntos sobre isso.

Eis que ontem tivemos uma longa conversa com o Rabino e saímos felizes e decididos. Nossa filha vai ser muito bem-recebida nesse mundo e abençoada por nós, em toda plenitude. Faremos uma cerimônia de boas vindas, dentro da religião judaica. As famílias estarão integradas, incluídas, felizes em desejar tudo o de melhor para essa nova vida, fruto dessa mistura brasileira.

Estamos felizes por ter tomado mais uma decisão. Seja como for, será com amor.

8 Comentários para “Momentos de escolha”

  1. Sandra

    É, irmão. Todos os dias fazemos escolhas. Algumas percebemos, outras não.
    É muito bom tomar uma decisão da qual se está seguro do caminho escolhido.
    Parabéns para vocês pela trajetória eleita.
    A tia Sandra e família sempre estará acompanhando os passos da mais nova integrante, Gabriela.
    Beijos,
    Sandra

  2. Patricia Branco

    Lindo texto, cunhado! E eu tenho a certeza de que Gabriela, “fruto dessa mistura brasileira”, vai encontrar o jeito dela de viver a ligação com o sagrado dela, no tempo dela e com absoluto amor. Parabéns pela escolha vivida e compartilhada de possibilitar a mais nova integrante da nossa família o acesso a essa força que traz completo sentido para a vida e existência humana: a religião. Um beijo, com muita admiração por você, minha irmã e sobrinha amada!

  3. Juliana

    Eu tbem tenho pensado muito no batismo,mas na verdade é masi pq a familia do meu marido pressiona muito já ficam argumentando quem serão os padrinhos ,ele é católico eu sou evangélica(presbiteriana) meu marido vai mais na minha igreja,não tenho preconceito ,penso que Deus não se imporeta com placa de igreja e sim com o coração de cada um,e sei que é muito importante passar valores cristãos pra nossa Gabriela,na minha igreja não se tem o costume de ter padrinhos e eu gostaria muito de batizar na minha pq vou na escola dominical todos os domingos e gostaria de leva-la.A familia do meu marido são catolicos mas não muito praticante e são um pouco preconceituosos acham que a verdadeira religiao é a católica,nunca vi isso escrito na bíblia…bom até lá Deus me iluminará dá melhor maneira.

  4. Heloisa

    Parabéns pela escolha! Sou católica, mas não sou praticante. Quando meu filho nasceu, nós o batizamos na Igreja Católica. Mesmo não sendo praticantes, eu, meu marido e nossas famílias (nenhuma praticante) ensinamos ao Murilo que o mais importante não é a religião em si, mas o amor e a confiança em Deus, que pra mim é a fé na vida, a esperança no mundo e nos homens. Ele é pequeno, tem 2 anos e meio, mas já expressou individual e institivamente o desejo de entrar em uma igreja, conhecer um templo…É bom ver essa evolução, a formação moral e espiritual de uma criança e acredito que o primeiro passo é o batismo, independente de religião ou da prática dela….
    Ah, sempre leio seu blog, acho super interessante!

  5. Margarete

    Pensei nisto, também.
    Nem me casei no religioso, coisa de gente moderna, mas e agora…
    Parte da minha família é católica, parte evangélica (fervorosa), família do meu marido é batista, exceto a única irmã dele, e o pai dele era católico.
    Como ambos fomos batizados na católica, estamos optanto para esta religião (temos que aprender tudo.
    A irmã do meu marido exerce uma influência para evangélicos e não tem namorado, eu gostaria que fosse a madrinha dos meus filhos, mas quem seria o padrinho???.
    Já meu marido quer que meu irmão e minha cunhada sejam os padrinhos…. socorro, o que fazer???



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