Reflexo de GAG no bebê: entenda o que ele significa e como evitar engasgos
Comum durante a introdução alimentar, o reflexo protege as vias aéreas do bebê

Durante a introdução alimentar, muitos pais se deparam com situações em que o bebê coloca a língua para fora, faz sons de ânsia de vômito e regurgita pedaços de alimentos. Esses momentos podem assustar, mas fazem parte de um fenômeno natural do corpo, conhecido como reflexo de GAG, que tem a função de proteger as vias aéreas do bebê. Embora seja normal e protetor, é fundamental entender como esse reflexo funciona e como ele se diferencia de um engasgo real.
O que é o reflexo de GAG?
O reflexo de GAG acontece quando o bebê engole um pedaço de comida e logo regurgita, colocando a língua para fora e emitindo sons que lembram o vômito. Esse movimento involuntário é um mecanismo protetor do corpo, essencial para evitar que pedaços de comida maiores ou inadequados bloqueiem as vias aéreas do bebê, prevenindo o engasgo. Ao regurgitar o alimento, o bebê evita que ele seja aspirado para os pulmões, uma situação potencialmente perigosa.
Quando o reflexo de GAG ocorre?
Esse reflexo é mais comum durante a fase de introdução alimentar, especialmente quando o bebê começa a experimentar novos alimentos sólidos, seja por meio de papinhas ou pelo método BLW (Baby Led Weaning). À medida que o bebê vai se acostumando com os alimentos, o reflexo de GAG tende a diminuir. A frequência do reflexo varia de acordo com a habilidade do bebê em mastigar e engolir os alimentos de forma mais controlada.
Quais alimentos podem causar reflexo de GAG?
Alguns alimentos, especialmente aqueles com textura ou forma que dificultam a mastigação, podem desencadear o reflexo de GAG mais frequentemente. Entre esses alimentos, podemos citar:
- Uva
- Tomate cereja
- Ovos de codorna inteiros
- Frutas secas inteiras
- Alimentos com cascas finas, como berinjela
- Alimentos redondos ou com cortes arredondados
- Comidas que formam “bolos” no céu da boca, como pães
Por isso, é importante cortar os alimentos de maneira adequada, para evitar que eles causem dificuldades no processo de mastigação e engolir do bebê.
O que fazer durante o reflexo de GAG?
Embora o reflexo de GAG seja um processo natural e protetor, muitos pais ficam ansiosos ao observar o bebê passando por isso. No entanto, é importante manter a calma. O reflexo não exige intervenção imediata, a não ser que o bebê apresente sinais de engasgo real. O que não se deve fazer é tentar inserir o dedo na boca do bebê, bater nas costas dele ou oferecer água, pois esses métodos podem agravar a situação e, de fato, causar um engasgo verdadeiro.
Como diferenciar o reflexo de GAG de um engasgo?
É fundamental entender a diferença entre o reflexo de GAG e o engasgo. O reflexo de GAG é uma manobra do corpo para evitar que algo bloqueie as vias aéreas. Já o engasgo acontece quando o alimento ou outro objeto obstrui as vias aéreas, o que impede a respiração normal da criança. No engasgo, o bebê não consegue expelir o objeto de forma espontânea e pode começar a se engasgar, necessitando de intervenção imediata.
O que fazer em caso de engasgo?
Em caso de engasgo, é essencial saber como agir rapidamente para evitar complicações. Se o bebê estiver realmente engasgado e não conseguir respirar, é importante realizar uma manobra para desobstruir as vias aéreas, como as manobras de desengasgamento infantil. Se não houver sucesso ou se o bebê continuar com dificuldades respiratórias, deve-se buscar ajuda médica imediatamente. Ter conhecimento sobre esses procedimentos é importante, já que o tempo é um fator crucial nessas situações.
Embora o reflexo de GAG possa ser desconcertante para os pais, ele é um mecanismo de defesa natural do corpo, ajudando a proteger o bebê durante a introdução alimentar. A chave para lidar com essa fase com tranquilidade está em entender que é um reflexo normal e que a intervenção só é necessária se ocorrer um engasgo real. A segurança durante a alimentação do bebê também envolve oferecer os alimentos de forma adequada, observando sempre a resposta do bebê, e sabendo como agir caso um engasgo aconteça.
Consultoria: Dr. Eduardo Rosset, pediatra e pneumologista