Queda da vacinação de poliomielite reflete movimento antivacina no país

Em 2015, a taxa vacinal contra poliomielite chegava em 98,3%, mas caiu para 75,9% em 2020, refletindo o desconhecimento da doença e aumento das fake news.

Por Alice Arnoldi Atualizado em 22 out 2021, 17h08 - Publicado em 24 out 2021, 10h00

Se com a pandemia do coronavírus observamos números crescentes da imunização contra a Covid-19, a situação é oposta com enfermidades que já têm vacinas bem estabelecidas há anos e poderiam não correr o risco de retornarem. O combate à poliomielite é um exemplo da perigosa queda da cobertura vacinal ao redor do país.

Segundo o panorama do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), com dados do Tabnet/Datasus, divulgado em maio deste ano, em 2015, 98,3% estavam protegidos contra a doença. Já em 2020, este número caiu para 75,9%. O levantamento ainda evidencia que as taxas brasileiras de cobertura vacinal não superaram 80% no ano passado.

O último caso de poliomielite registrado em território brasileiro foi em 1989, na Paraíba, somando mais de 30 anos sem a doença no país. Ainda que a notícia seja positiva, ela também reflete um dos motivos apontados para a queda da vacinação: a falsa ideia de que a enfermidade não é mais um risco às crianças, principalmente menores de cinco anos, tem levado a população a ser relapsa com a imunização. Já a segunda causa é o negacionismo e a circulação de fake news que sustentam o movimento antivacina no país.

“A percepção de baixo risco por conta do enorme declínio na prevalência e/ou erradicação de doenças imunopreveníveis e o aumento da preocupação com a segurança e confiabilidade das vacinas têm levado a uma redução na cobertura vacinal e ao ressurgimento de surtos de doenças como o sarampo”, aponta o documento da IEPS. Em 2019, o Brasil perdeu o certificado de erradicação do sarampo após o retorno da doença, com 20.901 casos relatados no ano.

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Não há remédio pra doença, mas tem vacina para prevenir! 

Desde 1980, o país realiza uma movimentação nacional para que mais pais levem seus filhos aos postos públicos para atualizar a carteirinha de vacinação contra a poliomielite. E deu certo por alguns anos, o que coloca o Brasil entre os países que mais vacinam no mundo com seu histórico Programa Nacional de Imunizações, mas é um exercício constante de conscientização.

Neste ano, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem se dedicado à Campanha Nacional de Multivacinação de 2021, entre os dias 1 e 29 de outubro, incentivando a imunização de jovens até 15 anos com doses de 18 agentes protetores. É a chance de tirar o atraso da carteirinha!

Entre eles, claro, aparece o responsável pela proteção contra a poliomielite, doença conhecida também como paralisia infantil. Ela é causada pelo poliovírus, que é altamente contagiosa por vias aéreas e também pela boca, através de água e alimentos infectados.

As suas consequências são irreversíveis, pois não há nenhuma medicação para combater as inflamações causadas pela doença, sendo necessário esperá-la sair do organismo e tratar suas consequências. Normalmente, há a perda do domínio dos músculos de uma das pernas ou dos braços, além do perigo da parte respiratória ser afetada, fazendo com que o paciente precise de intubação.

No esquema vacinal brasileiro, a imunização contra a doença é realizada por meio de cinco doses. As três primeiras são injetáveis, aos dois, quatro e seis meses de vida, enquanto que as duas últimas são reforços em gotinhas, dadas aos 15 meses e quatro anos. O processo é todo gratuito, portanto, não esqueça de procurar por um postinho mais próximo da sua casa para manter a carteirinha do pequeno sempre atualizada!

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