Ministério da Saúde irá monitorar os partos cesáreos no Brasil

Monitoramento online visa incentivar o parto normal e reduzir o número de cesarianas desnecessárias no SUS

Por Raquel Drehmer Atualizado em 9 mar 2018, 00h25 - Publicado em 8 mar 2018, 17h37

Dos partos realizados nos serviços de saúde públicos do Brasil em 2017, a maioria foi por via vaginal: 58,1% contra 41,9% de cesarianas. Com o objetivo de aumentar essa diferença em favor do parto normal e evitar partos cirúrgicos desnecessários, o Ministério da Saúde criou um sistema de monitoramento online para acompanhar a quantidade de cesáreas feitas no SUS (Sistema Único de Saúde). Ele poderá ser acompanhado por gestores e usuárias do SUS a partir de 19 de março, pelo site da Secretaria de Vigilância em Saúde.

Entre as ações para incentivar o parto normal como primeira opção para o nascimento está a realização do plano de parto entre a parturiente e a equipe médica. Analisando as condições da mãe e do bebê, chega-se à escolha do melhor tipo de procedimento, aquele que não coloque em risco a vida de nenhum dos dois.

  • Haverá também a implantação do projeto Parto Cuidadoso em 634 maternidades do país. Ele é inspirado no projeto Parto Adequado, da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), que em três anos evitou 10 mil cesarianas desnecessárias em 35 hospitais, entre eles o Hospital Israelita Albert Einstein (SP), o Sophia Feldman (MG) e o Agamenon Magalhães (PE).

    Capacitação de enfermeiras obstétricas e obstetrizes

    Outra frente de ação é a capacitação de enfermeiras obstétricas e obstetrizes para atenção ao parto normal. Com a formação, elas se tornam aptas a fazer um parto normal de risco habitual.

    Vale ressaltar que de 2015 a 2017, foram capacitadas 2774 enfermeiras que trabalham em maternidades, hospitais e centros de parto normal, e 611 serviços públicos passaram a contar com enfermeiras obstétricas e obstetrizes.

    Redução da mortalidade materna

    Além da atenção à via de parto, o Ministério da Saúde realizará em 2018 a Semana de Mobilização pela Saúde das Mulheres no SUS. Ela terá início em 28 de maio, quando se celebra o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher, com o tema Redução da Mortalidade Materna.

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    Investimento em saúde sexual e reprodutiva

    Outra iniciativa do Ministério da Saúde direcionada ao público feminino é a liberação de R$ 14 milhões para ações prioritárias em saúde sexual e reprodutiva. As metas a serem alcançadas até 2022 são:

    – redução de 17,5% para 15% da gravidez não-planejada na adolescência;

    – inclusão de mulheres idosas no planejamento das ações de saúde sexual e climatério;

    – ampliação da oferta de DIU de cobre em 20% na Atenção Básica (onde é realizado o pré-natal na rede pública de saúde); e

    – ampliar o pré-natal do parceiro de 37% para 67%.

     

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