É verdade que criança pode usar lente de contato?

Apesar de exigir cuidados constantes, as lentes podem ser uma opção prática e segura para os pequenos.

Por Isabelle Aradzenka 14 out 2021, 16h09

Perceber que a criança aperta os olhos para enxergar algo que está longe ou até ouvir reclamações frequentes de dores de cabeça podem ser os primeiros indícios que o pequeno dá de que precisa usar óculos. Mas e se, mesmo depois de adquirir o item, ele não se adaptar com a armação? Será que lentes de contatos são uma opção segura para crianças?

De acordo com Fábio Ejzenbaum, oftalmologista membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), as lentes são sim uma escolha viável. “Não existe um consenso exato sobre a idade para começar a utilizar, tudo depende da maturidade da criança e da responsabilidade dos pais. Falamos que de oito a dez anos é uma faixa etária que já dá para pensar no uso de lente de contato”, afirma Fábio.

Além disso, você sabia que o item ainda pode ser uma opção mais vantajosa para o pequeno em comparação com os óculos? Em casos de altos níveis de miopia ou hipermetropia, entre 8 e 10 graus, por exemplo, as lentes de contato são mais confortáveis que as tradicionais (e muitas vezes, pesadas) armações.

Já entre os benefícios para as crianças com graus menores, mas que são muito agitadas e que adoraram fazer algum esporte, está a possibilidade de ela se movimentar sem medo de derrubar ou até quebrar os óculos.

Apesar disso, a lente de contato ainda é um item que merece atenção dos pais e exige alguns cuidados especiais.

Quais são os pontos de atenção?

Uma das primeiras preocupações ao se falar em lentes de contato para crianças deve ser o descarte. Há diversas opções disponíveis no mercado, como as com troca anual, mensal, quinzenal e diária. Para o público infantil, a última é geralmente a mais indicada.

“Para a criança, indicamos a lente de descarte diário, priorizando a higiene. Como ela vai colocar de manhã e no final do dia jogar fora, vai evitar contaminação, usar menos produtos e ter um número menor de tarefas para executar”, explica Fábio.

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Os cuidados durante o uso podem parecer simples:

  • Não pode dormir com a lente
  • É preciso manusear com cuidado e higiene
  • É necessário o uso de produtos específicos para limpeza

Mas como se trata de um pequeno, a ajuda dos pais é fundamental. “As crianças precisam de um treinamento para aprender a colocar e a tirar a lente de contato, tem as que são habilidosas e conseguem, mas outras que não. Neste caso, os próprios pais podem fazer o processo com ela”, esclarece o oftalmologista.

  • Existem contraindicações?

    Apesar de ser uma opção liberada para os pequenos com dificuldade em enxergar, ainda é preciso ter muito cuidado, pais. Diferente dos óculos, as lentes ficam em contato direto com a estrutura dos olhos (a córnea, a conjuntiva e a pálpebra) e, se utilizada de maneira incorreta, pode provocar problemas sérios na região, como irritação ou até infecções graves.

    “Os óculos não ficam em contato com o olho, então, se por acaso ele for feito de maneira errada, você pode não enxergar e ter dores de cabeça, mas isso não vai ‘estragar’ a visão. Já a lente precisa ser adaptada no oftalmologista, porque pode causar transtornos mais importantes para a criança”, explica Fábio.

    Além disso, alergias e distúrbios raros podem ser um impedimento para aquisição da lente de contato, mas a maior preocupação com relação ao público infantil é durante o manuseio. Se não há maturidade por parte do pequeno em cuidar dela, o ideal é não utilizar.

    “Basicamente, há contraindicação quando a criança não vai ter cuidado. Problemas de superfície ocular, olho seco, conjuntivite alérgica ou alterações de grau muito importantes (como altos astigmatismos) também podem ser casos em que não é interessante colocar a lente”, esclarece Ejzenbaum.

    Então, já sabe, né? Não adianta sair por aí em busca de uma lente de contato em qualquer ótica ou até na internet. Se você sente que o pequeno precisa dela, a compra e a adaptação das lentes devem ser feitas com a mediação do médico oftalmologista e os cuidados posteriores seguidos à risca.

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