“Deram pipoca caramelizada para meu filho alérgico”, desabafa mãe

Veja o relato que viralizou e entenda um pouco mais sobre as alergias alimentares dos pequenos.

A terapeuta ocupacional Barbara Klipel, 30 anos, estava em um bazar com seu filho Eric, de 7 meses, quando uma mulher que ela não conhecia deu uma pipoca para o pequeno sem sua autorização. Só que Eric é alérgico à proteína do leite de vaca e uma série de outros alimentos, e poderia ter uma reação séria.

“Foi uma questão de segundos, eu abaixei para pegar a carteira no carrinho e ela já estava com a pipoca dentro da boca dele. Foi um choque, eu fiquei horrorizada”, relembra Barbara ao Bebê.com.br. “Saí muito brava, cheguei em casa com o coração acelerado porque me senti super desrespeitada. Como alguém coloca alguma coisa na boca do meu bebê em um momento de distração minha?”

A situação deixou a mãe preocupada pois há pouco tempo, ao comer uma simples banana, Eric teve uma crise. Quando chegou em casa, Barbara postou a foto de quando o incidente com a fruta ocorreu junto com o relato do bazar. A publicação já tem mais de 25 mil compartilhamentos no Facebook.

“Postei para os meus amigos como um desabafo, mas eles pediram para colocar em modo público porque é um alerta importante, as pessoas precisam parar de fazer isso”, conta. “Ele tem sete meses, nem sabe o que é aquele alimento, não ficará com vontade e triste por não comer, como muita gente ainda pensa”, completa.

“Já é grave fazer isso quando a criança não tem nada, mas se ela é alérgica, pode ter uma reação só de encostar na comida”, diz a mãe.

Alergias alimentares em alta

Barbara descobriu a alergia do filho logo cedo. “Eric mamou no peito exclusivamente nos seis primeiros meses, e logo que nasceu notamos uma secreção no nariz que não ia embora nunca. Com dois meses, ele ficou constipado e com um cheiro muito forte no cocô e nos gases”, resgata.

A pediatra sugeriu retirar o leite da dieta da mãe, pois isso poderia ser um indício de alergia. O menino melhorou e, desde então, Bárbara mantém uma dieta restritiva, sem lácteos. Quando chegou a hora da introdução alimentar, aos seis meses, Barbara, adepta do método BLW, que prega a alimentação guiada pelo próprio bebê, ofereceu uma banana a ele.

“Ele nem chegou a comer, mas ficou todo vermelho em questão de segundos só de manusear a banana”, conta. Além da fruta, Eric também reage ao entrar em contato com oleaginosas, como castanhas e amendoim, coco e carne vermelha.

As alergias alimentares assustam os pais e a incidência do problema está aumentando. “Além da predisposição genética, hoje sabe-se que a dieta materna durante a gestação, a via de parto, utilização de antibióticos no primeiro ano de vida e a falta de aleitamento materno estão relacionadas às alergias”, comenta Andrea Solferini, pediatra que está se especializando em alergologia e imunologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

A boa notícia é que a maioria delas é transitória. “Só 10% dos casos persiste depois da infância”, explica a pediatra. Leite, ovo trigo e soja são os alergênicos mais comuns, mas há os casos mais raros, em que a criança reage a vários itens, como o de Eric. Apesar de geralmente passarem com o tempo, os casos merecem atenção.

O problema é que só dá para saber se a criança é alérgica quando ela tem contato com o alimento. “É muito importante que os pais reconheçam os sintomas e acompanhem a evolução com o especialista”, orienta Andrea. O principal risco é a anafilaxia, reação grave que pode levar até a óbito e só é tratada com uma injeção de adrenalina no hospital. Os sintomas desse quadro são:

  • Lesões na pele: urticárias, pápulas, inchaço dos olhos e lábios.
  • Problemas respiratórios: tosse, desconforto e sibilos.
  • Vômito ou diarreia.
  • Hipotensão.

Dois destes sintomas já configuram a anafilaxia. Neste caso, o ideal é procurar atendimento médico. As reações mais simples, que geralmente envolvem um destes sinais, como ocorreu com Eric e a banana, podem ser tratadas com antialérgicos administrados sob orientação do pediatra. Até os cinco anos, o principal a se fazer para evitar as crises é evitar o alimento. “Mas a exclusão também deve ser guiada, pois os pais podem retirar muitas coisas do cardápio por precaução e haver prejuízos nutricionais”, alerta Andrea.

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