Corrimento na gravidez: como reconhecer o que é comum e quando buscar ajuda
Saiba quais corrimentos são normais da gestação e quais precisam de atenção médica

Além de alterar a alimentação e a rotina de cuidados, a gestação afeta o funcionamento de diversas partes do corpo, incluindo a secreção vaginal. Durante esse período, o corrimento vaginal pode sofrer algumas variações, e entender o que é normal ou não é fundamental para garantir a saúde da mãe e do bebê.
Corrimento normal na gravidez
Durante a gravidez, é comum que a mulher perceba uma mudança no corrimento vaginal. Isso ocorre devido ao aumento da produção hormonal, especialmente da progesterona, que influencia a consistência e a quantidade de secreção. O corrimento tende a ficar mais espesso e abundante, mas, na maioria dos casos, essa alteração é completamente fisiológica, ou seja, é uma mudança natural do corpo para adaptar-se à gestação.
À medida que a gravidez avança, especialmente nas semanas finais, pode haver a perda do tampão mucoso, que é uma secreção espessa e pegajosa, geralmente de cor branca. Em alguns casos, pode haver vestígios de sangue. A perda do tampão mucoso, que pode ocorrer a partir da 37ª semana, é um sinal de que o parto pode ocorrer em breve, embora o trabalho de parto possa demorar alguns dias ou até semanas para começar. Esse tampão serve como uma proteção para o colo do útero, mas à medida que o corpo se prepara para o parto, ele começa a se soltar.
Quando o corrimento não é normal
Embora mudanças no corrimento sejam comuns na gravidez, alguns tipos de secreção podem indicar problemas e precisam de atenção. O corrimento muito abundante ou de coloração diferente do normal (branco ou transparente) pode ser um sinal de alerta. Além disso, se o corrimento apresentar um odor forte ou desagradável, ou se vier acompanhado de outros sintomas como coceira, ardência ou dor, é importante procurar orientação médica.
Um corrimento com essas características pode indicar uma infecção vaginal, como a candidíase. A candidíase é uma infecção fúngica causada pelo crescimento excessivo do fungo Candida albicans, que ocorre em ambientes úmidos, como a região vaginal. Os sintomas mais comuns incluem:
- Corrimento branco ou branco-amarelado, espesso e com aspecto de nata
- Coceira intensa
- Ardência na região genital
- Inchaço ou vermelhidão na vulva
Outro tipo de corrimento que exige atenção é o amarelo, especialmente quando vem acompanhado de um odor forte e é combinado com outros sinais como sangramentos irregulares e dor durante as relações sexuais. Esses sintomas podem estar relacionados a condições mais graves, como o câncer de colo de útero, e por isso é importante realizar exames regulares, mesmo durante a gestação.
Diagnóstico e cuidados com o corrimento
Se você perceber qualquer alteração no corrimento durante a gravidez, o primeiro passo é consultar seu obstetra. O médico pode avaliar o tipo de secreção e os sintomas associados por meio de um exame físico, que inclui um exame especular para observar a cor, o odor e o aspecto do corrimento, além de um toque vaginal para avaliar a dor pélvica.
Com base nesse exame, o obstetra poderá recomendar um tratamento adequado, que pode variar desde cremes vaginais até antibióticos orais, caso haja infecção. O acompanhamento médico regular durante a gestação é essencial para garantir a saúde da mãe e do bebê, e qualquer alteração no corrimento deve ser comunicada para que a investigação e o tratamento necessários sejam feitos.
Corrimento e fertilidade
Embora o foco deste texto seja a gestação, é interessante saber que o corrimento vaginal também pode indicar o momento mais fértil de uma mulher, ou seja, quando ela tem maior chance de engravidar. Durante o ciclo menstrual, o corrimento muda de acordo com as flutuações hormonais. No início do ciclo, o estrogênio torna o corrimento mais fluido e transparente, indicando que a mulher está se preparando para a ovulação. Perto da ovulação, o hormônio LH causa um aumento na viscosidade do corrimento, tornando-o mais filante e pegajoso, o que facilita a entrada dos espermatozoides. Esse é o período mais fértil e o melhor momento para tentar engravidar.
Corrimento no início da gestação
O corrimento pode ser um dos primeiros sinais de que a mulher está grávida. Quando o embrião se fixa no útero, ocorre um processo chamado nidação, que pode causar uma secreção de cor rosa claro. Isso acontece porque o embrião se fixa no endométrio, que é vascularizado, e pequenas rupturas nos vasos sanguíneos podem liberar um pouco de sangue, o que dá à secreção essa coloração. Embora esse corrimento rosa possa ser um sinal de gravidez, ele não ocorre em todas as mulheres, e, se aparecer, não significa necessariamente que algo esteja errado.
Quando procurar o médico?
Embora muitas alterações no corrimento sejam naturais e não representem risco, é importante que a gestante se mantenha atenta e procure o médico se notar qualquer alteração incomum. Corrimentos com odores fortes, alteração de cor, ou associados a outros sintomas como dor ou ardência podem ser sinais de infecção ou outras condições que precisam de tratamento.
O acompanhamento médico durante a gestação é fundamental para garantir que todas as mudanças, incluindo as no corrimento vaginal, sejam monitoradas e tratadas adequadamente. Se tiver qualquer dúvida, consulte sempre seu obstetra para manter sua saúde e a do seu bebê em dia.
Consultoria: Cinthia Calsinski, enfermeira obstetra e consultora de amamentação, e Dr. Igor Padovesi, ginecologista e obstetra