Bebês podem manifestar microcefalia meses após o nascimento

De acordo com uma nova pesquisa, os sintomas da malformação podem demorar meses para aparecer. Entenda!

Por Carla Leonardi (colaboradora) 24 nov 2016, 19h01

Um novo estudo publicado na última terça-feira, 22, apontou que, diferentemente do que se pensava, a aparência saudável do bebê no nascimento pode esconder a microcefalia. Isso porque os primeiros sintomas não precisam aparecer, necessariamente, ainda no útero ou logo após o parto – trata-se da chamada “microcefalia adquirida”, quando os sinais da malformação só se manifestam depois de alguns meses de vida.

Publicada na revista Morbility and Mortality Weekly Report (Relatório Semanal de Morbidade e Mortalidade, em português), a pequisa foi desenvolvida pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) e contou com médicos e pesquisadores de Pernambuco, Goiás, Ceará e dos EUA.

No trabalho, foram avaliados 13 bebês diagnosticados com a síndrome de zika congênita – termo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) associou aos problemas causados pelo vírus. Das 13 crianças com circunferência craniana normal, 11 desenvolveram a microcefalia gradualmente, que só foi diagnosticada entre os 5 e 10 meses de vida.

A dificuldade motora foi observada em todos os bebês, em maior ou menor grau, e outros sintomas também foram notados, como dificuldade para engolir, epilepsia, irritabilidade, problemas para mexer as mãos voluntariamente e rigidez excessiva dos músculos. De acordo com os especialistas, esses transtornos estariam relacionados ao crescimento mais lento da cabeça a partir dos cinco meses, mas não se sabe ainda a extensão da malformação, já que a microcefalia adquirida tende a ser mais leve do que a congênita.

De acordo com o CDC, os resultados dessa nova pesquisa alertam para a importância de dar continuidade ao longo dos anos às avaliações das crianças que foram expostas ao vírus zika durante a gestação, justamente para avaliar como está o desenvolvimento delas. “A ausência de microcefalia no nascimento não descarta a infecção congênita ou a presença de anormalidades cerebrais após o nascimento”, afirmou em nota o CDC.

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