Artista Kobra descobre condição rara da filha e faz relato emocionante

O artista postou nas redes o ultrassom da pequena Catarina. "Pedimos nesse momento orações para que a medicina encontre as melhores respostas para o caso"

Mesmo quem nunca teve a oportunidade de conhecer seus famosos grafites ao vivo e a cores, já deve ter ouvido falar em Eduardo Kobra. O artista plástico é um dos mais reconhecidos muralistas do mundo, com obras em cinco continentes. Em dezembro de 2019, com muita felicidade, ele anunciou que seria pai pela segunda vez.

Kobra, como é conhecido, já tem Pedro, de três anos, fruto do relacionamento com Andressa Munin, e agora espera uma menina, que se chamará Catarina. Junto com a revelação do nome, veio outra notícia: a pequena possui uma má-formação rara e o tratamento ainda é incerto.

Há alguns meses descobrimos que ela tem uma má-formação que gera megabexiga: um quadro raríssimo, que atinge 1 em 8 milhões de bebês do sexo feminino”, explicou o artista. A legenda acompanhou uma foto do ultrassom da bebê.

Pela baixíssima incidência, Kobra contou que o quadro ainda não foi definido com clareza. “Por ser uma condição complexa, nem mesmo os médicos conseguiram fechar um diagnóstico preciso. Pedimos nesse momento orações para que a medicina encontre as melhores respostas para o caso”, postou ele.

O que é megabexiga?

De acordo com o artigo “O exame ultra-sonográfico entre 11–13+6 semanas”, de Kypros H. Nicolaides e Danielle do Brasil DeFigueiredo, a megabexiga fetal no primeiro trimestre pode ser definida como uma condição em que o órgão assume diâmetro longitudinal maior ou igual a 7 mm, e é encontrada em cerca de um a cada 1.500 gestações”.

Em outras palavras, a bexiga do feto fica distendida, em dimensão aumentada e bem acima do tamanho esperado para a idade gestacional (o normal é que o comprimento da bexiga fetal seja menor de 6mm neste período).

Principais causas

“A causa mais comum da megabexiga é a obstrução da saída da urina do corpo do bebê, a chamada válvula de uretraposterior (VUP)“, explica Dra. Tatiana Barbosa Pellegrini, especialista em Medicina Fetal pela FEBRASGO e médica da Clínica Medicina da Mulher.

A incidência é de aproximadamente 1 caso a cada 6000 crianças, e ocorre predominantemente em bebês do sexo masculino, segundo a médica. “Hoje em dia, é possível fazer um tratamento cirúrgico intrauterino, utilizando um laser para retirar a membrana que fica na uretra – canal que conduz a urina para fora do corpo”, relata Tatiana.

“A principal complicação da condição é a diminuição do líquido amniótico, que envolve o embrião dentro da bolsa. Este volume menor pode ocasionar a hipoplasia pulmonar, que faz com que o pulmão do bebê não amadureça”, complementa a especialista.

Porém, a médica acredita que o quadro da filha do artista Kobra tenha um motivo diferente. “No caso dele, a legenda da foto diz que é um caso muito raro. Além disso, a bebê é uma menina. Então, muito provavelmente, o líquido da bolsa está normal e se trata de uma alteração genética”, afirma ela.

Nesta hipótese, a condição recebe o nome de Síndrome da megabexiga microcólon em que a bexiga fica distendida por outras causas que não obstrução. “A maioria dos casos acontece em meninas e é muito rara – até 1999 existiam apenas cerca de 80 casos descritos na literatura médica”, diz Tatiana.

Não há risco para a mãe, que desenvolve uma gravidez normal, mas os prejuízos à saúde do pequeno são constatados. “Ocorre uma alteração do intestino, pois como o colón é pequeno, o órgão digestivo não funciona normalmente (hipoperistaltismo)”, esclarece a médica.

Existe tratamento?

“Não há tratamento intrauterino e o pós-natal é paliativo”, responde Tatiana. Ou seja, é possível adotar medidas apenas para o alívio dos sintomas, como o esvaziamento da bexiga por meio de drenagem e a nutrição da criança por via parenteral (administrada por meio de injeção), mas o prognóstico é muito complicado e a expectiva de vida média é baixa, de acordo com a especialista.

Em relação ao tipo de parto, o mais indicado é a cesariana, por conta do tamanho abdominal do bebê. “Existe uma taxa de recorrência de 25% de acontecer numa próxima gravidez, mas não há como evitar”, completa Tatiana.

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