Anestesia em crianças: 8 dúvidas frequentes solucionadas

Entenda quando ela é necessária, os riscos e os cuidados necessários na hora de anestesiar os pequenos.

Anestesia infantil parece um bicho de sete cabeças, mas é um procedimento seguro e inevitável em muitas situações. Pensando nisso, preparamos um guia para tranquilizar os pais e esclarecer algumas questões sobre o tema. Confira:

1. Em que situações a criança precisa tomar anestesia?

Além das cirurgias, os pequenos são submetidos à anestesia em ocasiões que normalmente não exigem sedação nos adultos. “Os exames de imagem como tomografia e ressonância magnética, por exemplo, são indolores, mas precisamos fazer uma anestesia geral leve para que a criança pequena se mantenha imóvel”, aponta Débora Cumino, anestesiologista pediátrica do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo.

2. Qual é a diferença da anestesia infantil para a dos adultos?

Primeiro, a anatomia da criança exige ajuste na dosagem dos medicamentos e atenção especial a alguns pontos, como o sistema respiratório. Depois, uma criança não tem condições de ficar acordada durante uma cirurgia. Por isso, quase toda anestesia que os pequenos tomam, mesmo que seja para algo mais localizado, exige também uma geral, ainda que com uma dose leve. “Usamos a sedação para complementar bloqueios locais para cirurgias pequenas, como a da fimose”, explica Débora.

3. Como é feita a anestesia geral em crianças?

Primeiro, elas passam por uma consulta com o anestesiologista. “Essa avaliação é muito importante para identificar possíveis fatores que aumentem o risco de complicações e orientar os pais sobre o procedimento”, destaca Daniela Bianchi Garcia Gomes, anestesiologista pediátrica do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba.

Depois, a equipe, de maneira lúdica, prepara a criança para o momento da anestesia ou faz uso de calmantes. Por fim, começa a sedação: ela respira em uma máscara com gás anestésico – o tal “cheirinho” – e vai aos poucos adormecendo. “Até esse momento, a mãe costuma estar presente, depois ela sai da sala e só então começam os processos que poderiam causar dor”, descreve Daniela.

A partir daí, as técnicas variam, mas geralmente a criança recebe mais anestésicos pela veia – o acesso só aberto depois que ela já está dormindo bem tranquila.

4. Quais são os riscos da anestesia?

“O risco se relaciona mais às condições do paciente do que ao anestésico em si”, diferencia Débora. Por exemplo, crianças que tenham cirurgias marcadas – não as de emergência – não devem estar com infecções de nenhum tipo, que aumentam o perigo de complicações. “Há também o risco de aspiração de conteúdo gástrico se o jejum não for adequado e, muito raramente, reações alérgicas”, pontua Rogean Rodrigues Nunes, anestesiologista diretor da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), em São Paulo. Por isso é tão importante realizar a consulta de avaliação prévia com o especialista.

5. Que tipos de anestesia são usados nas crianças?

Os medicamentos são os mesmo dos adultos, o que muda é a técnica e a dosagem da aplicação. Ou seja, além da geral, que pode ser leve ou profunda, que deixa a criança dormindo por um período determinado de tempo, os médicos usam bloqueios locais para a dor em eixos nervosos e regiões periféricas.

6. Como preparar a criança para a anestesia?

Primeiro, é importante cuidar do psicológico. “Especialmente entre 1 e 5 anos de idade, há maiores níveis de ansiedade no pré-operatório e essa ansiedade deve ser diminuída pelo anestesiologista”, comenta Nunes.

Por isso, o processo é tratado sempre de maneira lúdica pelos profissionais, que podem utilizar, inclusive, calmantes antes da sedação em si. A ideia é não traumatizar a criança, especialmente porque algumas terão que se submeter a muitas anestesias durante a vida.

O jejum também é fundamental para diminuir o risco de complicações. “Para água, água de coco e chás, o tempo de jejum é de duas horas em média. Para leite materno, quatro horas. Fórmulas lácteas, 6 horas, e alimentos sólidos até 8 horas”, orienta o médico da SBA.

7. Como a criança acordará da anestesia?

Depois do procedimento, o pequeno vai para uma sala de recuperação, de onde só sai quando estiver acordado e sem sintomas de reações. “Alguns tendem a ficar mais agitados, chorosos, tontos e confusos com a situação, por isso tentamos agilizar o retorno para os pais, que devem estar preparados para receberem o filho tranquilos”, comenta Daniela.

8. Como funciona a anestesia no dentista?

Ela é utilizada em vários momentos, mesmo quando a criança ainda não trocou a dentição. “Em traumas da boca, extrações, cáries de mamadeira e em tratamentos de canal, que podem ser necessários nos dentes de leite”, explica Fábio Netto, cirurgião dentista do SucessOdonto Prime, em São Paulo. Embora o gás anestésico seja bem popular fora do país, aqui ainda reina a boa e velha agulha que adormece o local por um tempo que varia entre 20 minutos e algumas horas.

A boa notícia é que dá para disfarçar bem a presença dela, com pomadas que adormecem o local que receberá a picadinha e muita conversa. “A ideia é que todo procedimento seja explicado em linguagem adequada para a idade”, comenta Yasmin Correia, dentista da Clínica Blue Dentis, em São Paulo.

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