8 mitos e verdades sobre a imunidade das crianças

Conheça o que funciona de verdade (e o que é conversa furada) para reforçar as defesas naturais dos filhos contra vírus e bactérias

Por Chloé Pinheiro 27 mar 2020, 14h29 | Atualizado em 4 jun 2026, 13h00
Criança com as mãos sujas
 (Fran Polito/Getty Images)
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Você sabe como reforçar a imunidade do seu filho? Com a pandemia de Covid-19 (a doença provocada pelo novo coronavírus, Sars-Cov-2), as fake news sobre o assunto ganharam força. Entre elas, soluções mágicas que prometem melhorar o sistema imune com uma cápsula, terapia ou alimento. 

Conversamos com especialistas para entender o que de fato é verdade sobre o assunto. Confira abaixo. 

Devo dar cápsulas de vitamina C e multivitamínicos 

Mito. Os suplementos ajudam só quando há recomendação médica para eles. “O uso de vitaminas é muito controverso e relativo”, comenta Karina Moreira Silva de Abreu, pediatra da DaVita Serviços Médicos. Isso porque as vitaminas e minerais até são importantes para o sistema imune da criança, mas o ideal é obtê-los na própria alimentação e só suplementar quando há uma deficiência nutricional comprovada. 

“Muitas vezes, o que vemos é que o suplemento entra como um substituto dos alimentos saudáveis, mas aí a criança acaba não aprendendo a comer”, destaca a médica. Fora que o excesso de vitaminas pode ser prejudicial para o organismo. 

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“Em alguns tabletes de vitamina C é possível encontrar uma dose 300 vezes superior à recomendada ao adulto, imagine para as crianças”, explica Márcia Yamamura, médica pediatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

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Criança que se suja fica menos doente 

Verdade. Claro, não estamos falando para ninguém deixar o filho na sujeira pura, mas é fato que ele precisa ter contato com agentes patógenos presentes no ambiente para desenvolver seu sistema imune adequadamente. “Hoje nossa rotina mudou e muitas crianças não tem mais esse contato com a natureza, de sentar no chão, estar em áreas externas. E o que vemos é um índice maior de alergias”, aponta Karina. 

Só deixe para começar esse “treino” depois dos seis primeiros meses. Recém-nascidos ainda tem o sistema imune muito imaturo. 

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Se meu filho fica gripado toda hora, tem a imunidade baixa

Depende. É normal crianças contraírem infecções virais com frequência pelo contato próximo . “O que deve chamar atenção são as infecções bacterianas de repetição, que exigem o uso de antibióticos várias vezes ao ano”, aponta Karina. Baixo peso e pouco crescimento também indicam que as defesas podem estar prejudicadas.  

O estado emocional influencia na imunidade 

Verdade. A exposição constante ao estresse desencadeia a liberação de cortisol no corpo, um hormônio que desequilibra o sistema imunológico. Nas crianças pequenas, o mais comum é que o estresse ocorra por osmose. “Pais que são muitos estressados acabam passando um pouco disso para a criança, que absorve a tensão”, explica Karina. 

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A alimentação é importante para a imunidade 

Verdade. “Ter uma boa alimentação, o sono adequado e um estilo de vida ativo e saudável contribui muito para que a imunidade se mantenha desde a infância”, explica Fabianne Carlesse, infectologista do GRAACC. Muitos nutrientes influenciam na manutenção das defesas do corpo. 

“Entre eles, podemos citar as vitaminas C, D e A, zinco, ferro, ácidos graxos e as fibras”, comenta Adriana Garofolo, também do GRAAC. Para fornecê-los, aposte em frutas cítricas como o limão e a laranja, vegetais verde-escuros, leite e derivados, ovos, carnes, feijão, oleaginosas, aveia e carnes. Os probióticos, caso do leite fermentado, também podem ajudar. 

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Se meu filho comer mais alho, cebola, mel ou gengibre ficará mais protegido de doenças 

Mito. Esses alimentos são saudáveis e benéficos para o organismo, mas não obrigatórios. “Não existe nenhuma recomendação de aumentar o consumo de alimentos específicos para prevenção de doenças, o que conta mais é uma dieta balanceada”, explica Adriana. O mesmo vale para fitoterápicos como chás e o propólis. Pode dar, mas não espere milagres. “Não existe uma receita mágica para subir a imunidade, é um conjunto de fatores”, esclarece Fabianne. 

Parto normal e leite materno são importantes para a imunidade 

Verdade. Na descida pelo canal vaginal da mãe, o bebê é coberto de bactérias e fungos presentes ali, o que é ótimo porque eles serão os primeiros habitantes da microbiota intestinal do bebê — o conjunto de bactérias e microorganismos que mora no órgão e atua no sistema imune. Uma microbiota saudável está associada, por exemplo, ao risco menor de alergias. 

Já a amamentação exclusiva nos seis meses fornece ao pequeno todos os anticorpos (células do sistema de defesa que atuam contra um agente específico) já produzidos pela mãe durante a vida. Assim, o recém-nascido, ganha uma espécie de imunidade “por tabela” enquanto a sua própria se desenvolve. Fora a composição do leite, cheia de proteínas, vitaminas e carboidratos e outros nutrientes.

Vacinas sobrecarregam o sistema imunológico do bebê

Mito. Esse é um dos principais argumentos do movimento anti-vacina. As vacinas são seguras e isso já foi comprovado por muitos estudos científicos. Para se ter ideia, estima-se que a criança seria capaz de responder a 10 mil vacinas oferecidas simultaneamente. Se 11 vacinas fossem aplicadas ao mesmo tempo, isso acionaria 0,1% do sistema imune, como mostrou um estudo clássico de 2002 publicado no periódico Pediatrics da Associação Americana de Pediatria

Elas são, na verdade, essenciais para desenvolver a imunidade adquirida das crianças. “Cada vez que ela recebe uma dose, desenvolve seus próprios anticorpos, que carrega ao longo da vida”, explica Fabiane. 

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(Juliana Pereira/Bebê.com.br)
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