Medo de engravidar? Descubra tudo sobre a tocofobia e como buscar ajuda
A tocofobia, fobia relacionada à gravidez e ao parto, é considerada um transtorno de ansiedade

A gravidez, para muitas mulheres, é um momento de alegria, mas para outras, esse período pode gerar um medo tão intenso que chega a ser incapacitante. Esse medo é conhecido como tocofobia, uma condição específica e muitas vezes mal compreendida, relacionada ao medo exagerado da gravidez e do parto. Embora seja natural que algumas mulheres sintam apreensão em relação a esses eventos, a tocofobia vai além do simples medo: trata-se de uma fobia real e pode ter impactos significativos na vida da mulher.
O que é a tocofobia?
A tocofobia é uma fobia relacionada à gravidez e ao parto, considerada um transtorno de ansiedade. Como qualquer outra fobia, ela envolve um medo irracional e desproporcional em relação a uma situação específica, no caso, a gestação e o nascimento. Esse tipo de transtorno é caracterizado por um medo que não está de acordo com a realidade e pode afetar a qualidade de vida da mulher.
Embora muitas mulheres sintam algum tipo de medo ou apreensão durante a gravidez, a tocofobia vai além. Para as mulheres que sofrem dessa condição, o simples fato de pensar em engravidar ou ter um parto pode causar sintomas físicos, como taquicardia, suor excessivo, mudanças de humor, pânico e até dificuldades alimentares. Em casos graves, o medo pode ser tão grande que a mulher se desespera ao imaginar o parto.
Quais são as causas da tocofobia?
A tocofobia pode surgir de diferentes maneiras e por causas variadas. Fatores externos como crises sociais, políticas, pós-guerra, ou até uma pandemia, podem afetar a forma como a mulher encara a gravidez e em muitas vezes, o medo da gravidez e do parto é uma tentativa de antecipar um evento sobre o qual a mulher sente que não tem controle, criando uma sensação de ansiedade que não condiz com a realidade.
Além disso, situações pessoais também podem ser gatilhos para o desenvolvimento dessa fobia. Mulheres que passaram por um aborto espontâneo ou enfrentaram um parto traumático podem desenvolver a tocofobia como uma forma de proteção emocional. Em algumas mulheres, a tocofobia pode surgir após experiências difíceis, como perdas gestacionais ou partos complicados.
Os tipos de tocofobia
Existem dois tipos principais de tocofobia:
Tocofobia primária: o medo da gravidez se instala antes mesmo da mulher engravidar. Nesse caso, a fobia pode estar relacionada a uma preocupação com o processo de gestação e nascimento.
Tocofobia secundária: o medo surge após um parto traumático ou complicações durante a gestação anterior. A mulher desenvolve a fobia como uma resposta ao medo de reviver a experiência negativa.
Cesárea é a solução?
Com o aumento das cesarianas, muitas mulheres com tocofobia optam por esse tipo de parto, acreditando que ele trará mais controle sobre o processo de nascimento e reduzirá a ansiedade e a dor associada ao parto. No entanto, embora a cesariana seja uma opção, ela não deve ser vista como a solução para a fobia, pois o medo da gravidez e do parto não se resolve apenas com o tipo de parto.
O apoio da família e a busca por ajuda profissional
O apoio da família e de uma rede de suporte é fundamental para as mulheres que sofrem de tocofobia. No entanto, é importante destacar que a fobia, muitas vezes, é mal compreendida e não recebe a atenção que merece. Muitas pessoas tendem a desqualificar o medo da mulher, tratando a tocofobia como uma bobagem ou frescura. Esse estigma pode agravar ainda mais os sintomas da fobia.
O tratamento da tocofobia envolve uma abordagem multidisciplinar, com o acompanhamento de psiquiatras, psicólogos e ginecologistas. A equipe de saúde pode ajudar a mulher a entender e lidar com o medo, oferecendo suporte emocional e psicológico. O tratamento é importante não apenas para aliviar o sofrimento da mulher, mas também para preservar sua saúde mental e permitir que ela viva a maternidade com mais tranquilidade.
A importância do tratamento adequado
A tocofobia afeta uma porcentagem significativa de mulheres. De acordo com a Nordic Federation of Obstetrics and Gynecology, cerca de 14% das mulheres no mundo sofrem dessa condição. O tratamento é essencial, não apenas para permitir que a mulher enfrente a gravidez e o parto com confiança, mas também para melhorar a qualidade de vida e o relacionamento familiar. Quando tratada corretamente, a mulher pode superar a fobia e viver a maternidade de forma mais leve e saudável.
Consultoria: Vanessa Abdo, doutora em psicologia e CEO do Mamis na Madrugada, psiquiatra Danielle Admoni