8 perguntas e respostas sobre artéria umbilical única

Essa anomalia acontece quando o cordão que liga o feto à placenta conta com apenas dois vasos ao invés de três. Saiba mais!

Por volta da quarta semana de gestação, o cordão umbilical começa a se formar. Duas semanas depois, já é possível identificá-lo. Essa estrutura tem a função de transportar oxigênio e nutrientes entre o bebê e a placenta. Por isso, ela conta com duas artérias e uma veia. “As artérias levam sangue do feto para a placenta e a veia faz o caminho contrário”, explica o médico especialista em medicina fetal Sergio Kobayashi, membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp).

No entanto, há casos em que o cordão conta com apenas dois vasos: uma artéria e uma veia. A essa situação dá-se o nome de artéria umbilical única (AUU). “É uma das anomalias do cordão mais comuns nos exames ultrassonográficos”, revela Kobayashi, que também é médico-assistente do Instituto de Radiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Na maioria das vezes, a AUU não oferece riscos, mas ela também pode ser um importante marcador para problemas sérios no desenvolvimento do bebê. Tire suas dúvidas a seguir.

1. Quais são as causas da artéria umbilical única?

Não se sabe ao certo o que está por trás da AUU. “Acredita-se que as causas sejam multifatoriais”, diz o ginecologista e obstetra especializado em medicina fetal Hérbene José Milani, do Hospital e Maternidade Santa Joana, na capital paulista. Os mecanismos que dão origem à artéria umbilical única, contudo, já são conhecidos. Na maior parte das vezes, o que acontece é que uma das artérias nem chega a nascer ou ocorre uma atrofia e ela para de se desenvolver durante a gravidez.

2. Quais problemas estão associados à AUU?

Essa anomalia pode ser um sinal para complicações no desenvolvimento do bebê dentro da barriga. As síndromes cromossômicas – como a de Down e a de Edwards – são algumas delas. “Em 18% dos casos de síndrome pode haver associação com a artéria umbilical única”, estima Milani. Outros problemas relacionados são alterações em órgãos fetais. “As mais frequentes são as cardíacas, as musculoesqueléticas, as do trato gastrointestinal e as dos sistemas genital e urinário”, elenca o especialista do Santa Joana.

Mas calma: antes de entrar em pânico, saiba que o mais comum é que a AUU não esteja ligada a nenhuma dessas condições. Nesse caso, ela é classificada como isolada.

3. Qual a prevalência?

Os índices da AUU apontados nos estudos variam bastante. Mas a estimativa mais aceita pelos especialistas é que ela ocorra em 0,5 a 1% das gestações únicas. No caso das mulheres que esperam gêmeos, essa taxa sobe para 5%. Por quê? “Não tem uma causa conhecida”, pontua Hérbene Milani.

4. A idade da mulher influencia?

A gravidez após os 35 anos de idade eleva o risco de o bebê ter síndromes cromossômicas. Como a AUU está relacionada a essas condições, a prevalência da anomalia pode ser maior em mulheres mais velhas. “Mas em casos isolados, a incidência não muda de acordo com a faixa etária”, assegura o médico do Hospital Santa Joana.

5. Quando isolada, a AUU oferece algum risco para o bebê?

Em geral, não. Mas mesmo nos casos em que não há outros problemas associados, é preciso acompanhar o pequeno com mais atenção. É que a falta de uma artéria pode prejudicar a vascularização da placenta, o que abre portas para que o crescimento do bebê também seja comprometido. “Num estágio avançado da gravidez, ele pode entrar em sofrimento fetal e nascer prematuramente ou até vir a óbito”, alerta o obstetra Wagner Jou Hisaba, do Departamento de Obstetrícia e Medicina Fetal da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

6. Em que momento da gravidez é feito o diagnóstico?

No ultrassom morfológico do primeiro trimestre de gestação – feito entre a 11a e a 14a semanas – já é possível ter uma suspeita da AUU. Porém, o diagnóstico é mais certeiro no morfológico do segundo trimestre, realizado entre a 20a e a 24a semanas.

7. Uma vez detectada a AUU, quais exames a gestante deve fazer?

Ao identificar um quadro de artéria umbilical única, o primeiro passo é saber se ela é isolada ou não. “Por isso, a grávida deve ser encaminhada para um serviço de medicina fetal e ser submetida a um ultrassom morfológico para fazer uma análise de todas as estruturas do bebê”, orienta Milani. Outros procedimentos indicados são o ecocardiograma e a neurossonografia fetais, que avaliam o coração e o cérebro, respectivamente. Caso não seja detectado nenhum problema, a recomendação é fazer ultrassons com maior frequência, a fim de acompanhar o desenvolvimento e o bem-estar do filhote.

Se a suspeita de síndromes cromossômicas for grande, o casal pode optar por fazer uma análise do DNA do bebê. Para isso, é preciso recorrer à amniocentese, exame de retirada do líquido amniótico. No entanto, o procedimento é invasivo e pode colocar em risco a vida do pequeno. Daí a importância de ter uma boa conversa com o seu médico e com um especialista em medicina fetal.

8. Há algo que possa ser feito para mudar a situação?

Infelizmente, não. A recomendação é fazer um acompanhamento rigoroso ao longo do pré-natal para checar se está tudo em ordem com o seu filho. Se for detectada qualquer alteração, o obstetra vai usar essas informações para avaliar o pequeno com mais cuidado e decidir o melhor momento para fazer o parto. Aliás, em casos de artéria umbilical única isolada em que o bebê está se desenvolvendo normalmente, o parto pode ser normal. A menos que ele esteja em sofrimento fetal ou que haja outras complicações, não há indicação para cesárea. Depois do nascimento, o diagnóstico precoce será fundamental para começar o quanto antes o tratamento adequado.

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