Pediatras emitem recomendações para reabertura de escolas pós-pandemia

Volta às aulas deve ser gradual, cautelosa, e considerar dados locais de transmissão do vírus. Confira os ajustes que devem ser feitos na vida escolar.

Uso de máscaras, distância de um metro entre as mesas, salas de aula com menos alunos… Em linhas gerais, essa deve ser a cara da escola infantil depois da pandemia de Covid-19. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiu recentemente um documento de orientação para a reabertura, mas ainda não há data para a volta às aulas, que dependerá do controle dos casos da doença. 

A entidade destaca que o tema tem sido motivo de apreensão para os pais. “Se, por um lado, existe a preocupação em relação ao adoecimento dos filhos e membros da família, por outro há o prejuízo da aprendizagem e da sociabilização”, diz o texto. Mesmo assim, o ideal é que as aulas permaneçam suspensas até segunda ordem por segurança. 

As crianças, apesar de terem na maioria dos casos versões leves ou mesmo não apresentarem sintomas quando infectadas, são consideradas transmissoras do novo coronavírus (Sars-Cov-2). 

E o ambiente escolar pode facilitar sua disseminação, graças ao compartilhamento constante de brinquedos, contato físico próximo e a dificuldade de implementar medidas como cobrir a boca ao tossir e espirrar – esta última, em particular, no caso das crianças pequenas. 

Quando voltar? 

É difícil prever agora, pois o país ainda vive uma fase intensa da epidemia, com mais de 370 mil casos confirmados e cerca de 23 mil mortes (até a data desta reportagem) – o pico da doença pode nem ter ocorrido ainda.

Por isso, a recomendação da SBP é que a volta às aulas seja gradual, cautelosa e com todas as medidas possíveis para minimizar a transmissão do vírus. Para que realmente ocorra, será necessário fazer uma avaliação dos dados epidemiológicos de cada região e considerar possíveis novas ondas da pandemia, que bagunçariam novamente o calendário. 

Como deve ser a escola no “novo normal”

 Algumas das orientações do documento deverão mudar a cara da escolinha. A maioria delas envolve medidas para incentivar o distanciamento social e evitar aglomerações, como a redução do número de alunos por turma, o espaçamento maior entre mesas, de pelo menos um metro, e a criação de horários alternativos de entrada e saída. 

Jogos, festas e outros eventos em grandes grupos serão temporariamente suspensos – adeus, festas juninas! -, enquanto as atividades com número reduzido de participantes ao ar livre devem ficar mais comuns, inclusive a realização de aulas fora da sala, pois os ambientes fechados facilitam a disseminação do vírus. Outras mudanças esperadas são a comunicação intensa sobre medidas de higiene pessoal e protocolos de lavagem constante de mãos e das superfícies tocadas pelos alunos.  

A SBP estimula o uso de máscaras no retorno à escola, desde que não em menores de dois anos, pois há o risco de sufocamento, e pede que os estudantes tragam de casa a própria garrafa de água. Os bebedouros comuns devem ser usados somente para enchê-las.  

Papel dos pais 

Eles terão destaque nas ações de prevenção e contenção do vírus. Assim como os professores, é responsabilidade dos pais se manterem informados sobre a Covid-19 por meio de fontes confiáveis, evitando as fake news e conversando com o filho sobre as medidas de prevenção da transmissão do vírus. 

Depois que as aulas voltarem, as famílias serão orientadas a não enviarem os filhos para a escola se eles apresentarem “o menor indício de quadro infeccioso, seja febre, manifestações respiratórias, diarreia, entre outras”. 

Impacto na saúde mental 

Por último, a SBP afirma que a pandemia tem sido causa de grande estresse e ansiedade para as crianças, que podem estar reagindo de maneira diferente da dos adultos, com mais alterações comportamentais, no sono e na alimentação. Esses efeitos menos óbvios valem especialmente para as crianças pequenas, que ainda têm dificuldades de expressar suas emoções. 

Esses impactos devem ser levado em conta no retorno à “normalidade”. “É importante que a escola tenha um espaço para que a criança fale sobre sentimentos, medos e dúvidas”, conclui a entidade. 

 (Juliana Pereira/Bebê.com.br)

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