Menina de 3 anos morre em explosão de trampolim inflável na Inglaterra

Os acidentes não são motivo para impedir a brincadeira das crianças, mas servem de alerta para que os cuidados não deixem de ser tomados.

A polícia britânica prendeu na última quinta-feira, 12, dois dos responsáveis pelo trampolim inflável que explodiu no início deste mês na Inglaterra e vitimou a menina Ava-May Littleboy, de 3 anos de idade. O acidente fez alguns grupos pedirem ao governo inglês o banimento desse tipo de brinquedo dos espaços públicos até que a segurança deles seja comprovada.

No primeiro dia do mês, Ava estava brincando no trampolim, instalado em uma praia no condado de Norfolk para o verão europeu, quando houve um barulho forte e o brinquedo explodiu. Ela chegou a ser levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos na cabeça.

O trampolim usado por ela era diferente dos infláveis geralmente utilizados no Brasil — não havia entrada constante de ar injetado por um motor, mas ar comprimido e selado dentro do equipamento. As causas ainda não foram divulgadas, mas há suspeitas.

“Se o brinquedo está numa praia ou em outro lugar quente, ele pode inchar mais, o que facilitaria a explosão, mas esse tipo de ocorrência não é comum”, afirma Marco Antônio Chaves Gama, do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Mesmo assim, o debate sobre a segurança da categoria ganhou força, uma vez que o incidente é raro, mas não isolado.

 

Ava-May Littleboy, vítima de acidente com brinquedo inflável

Ava-May Littleboy, vítima de acidente com brinquedo inflável (The Guardian/Reprodução)

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Histórico

Nos últimos dez anos, pelo menos cinco crianças morreram em acidentes com brinquedos do tipo. Em 2007, em Curitiba, um menino de cinco anos e uma menina de 8 foram vitimados quando o brinquedo inflável em que eles estavam foi arremessado pelo vento. Em 2011, em Nova Iorque, 13 pessoas foram levadas ao hospital quando uma rajada de vento fez o brinquedo ser deslocado repentinamente.

Em 2016, novamente o vento vitimou uma menina inglesa de sete anos — acidente que, posteriormente, resultou na condenação de dois responsáveis pelo brinquedo por homicídio doloso provocado por negligência. Já no ano passado, uma menina de seis anos morreu na Espanha quando o castelo inflável em que ela estava explodiu, e outras seis pessoas foram levadas ao hospital.

Por último, no início deste ano um menino ficou gravemente ferido em Belo Horizonte quando o pula-pula em que ele brincava foi levado pelo vento.

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Situação nacional

Há uma regulamentação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) sobre o assunto. Ela diz, por exemplo, que o brinquedo inflável deve ser bem fixado com ao menos quatro estacas no chão e não deve ser utilizado se os ventos estiverem acima de 35km/h.

Todo brinquedo deve ainda possuir uma válvula no orifício de ar para impedir o esvaziamento abrupto e permitir uma evacuação segura em caso de furos. “O problema é que essa norma não é obrigatória, então o fabricante não necessariamente precisa seguir a recomendação”, aponta Gabriela Freitas, gerente executiva da ONG Criança Segura.

Como não dá para garantir a procedência, o jeito é ficar de olho na hora em que for usar um equipamento do tipo. “Se os pais forem alugar, vale pedir o manual do equipamento, que costuma conter instruções de segurança”, explica Gama. E, caso haja algum acidente, mesmo que o brinquedo não siga a norma da ABNT, a responsabilidade é do fabricante. “É obrigação dele fornecer um produto seguro ao consumidor”, destaca Gabriela.

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Veja algumas dicas para garantir a segurança dos infláveis e evitar outros tipos de acidentes com os pequenos.

  • A presença do monitor é obrigatória
  • As regras de utilização precisam estar fixadas em local visível
  • Fios do motor que enche o brinquedo não devem estar acessíveis para o público
  • Verifique o estado de conservação e se há remendos na superfície
  • Crianças de idades e tamanhos diferentes devem sempre brincar separadas pois há risco dos menores se machuquem
  • Não entrar com sapatos
  • Não entrar com comida ou outros objetos que podem ser engolidos e provocar engasgos e outras lesões

Vale ressaltar que é difícil que algo do tipo aconteça se as medidas acima forem observadas. Ou seja, os acidentes não são motivo para impedir a brincadeira do filho, mas servem de alerta para que os cuidados não deixem de ser tomados.

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