Meghan Markle desabafa sobre a dor profunda de uma perda gestacional

A atriz contou, em uma coluna emocionante, que perdeu o seu segundo filho em julho deste ano.

Por Alice Arnoldi Atualizado em 25 nov 2020, 10h56 - Publicado em 25 nov 2020, 10h48

Após o pedido de Meghan Markle e do Príncipe Harry para serem desligados de seus cargos na Família Real, o casal mudou pra Califórnia e ficou mais distante dos holofotes midiáticos. Entretanto, nesta quarta-feira (25), Meghan voltou a ter toda a atenção do público com a sua coluna de opinião no jornal The New York Times. Pela primeira vez, ela contou que sofreu uma perda gestacional no meio do ano.

“Era uma manhã de julho que começou como qualquer outra: fazer o café, alimentar os cachorros, tomar vitaminas, achar a meia que estava faltando, pegar o giz que estava perdido e rolou para debaixo da mesa. E fazer um rabo de cavalo antes de pegar o meu filho no berço. Depois de trocar a sua fralda, eu senti uma cólica aguda. Eu cai no chão com ele em meus braços, cantando uma música de ninar para nos manter calmos. A melodia alegre contrastava fortemente com a minha sensação de que algo não estava certo”, lembra Meghan.

Eu sabia, enquanto agarrava o meu primeiro filho, que estava perdendo o segundo. Horas depois, eu estava deitada na cama do hospital, segurando as mãos do meu marido. Senti a umidade da sua palma e beijei seus dedos, molhados com nossas lágrimas. Olhando para as paredes brancas e frias, meus olhos ficaram vidrados. Eu tentava imaginar como iríamos nos curar”, revelou a duquesa de Sussex.

Ali, no luto que começava a fazer morada entre os dois, Meghan se lembrou de uma de suas viagens para a África do Sul, em que um jornalista perguntou se ela realmente estava bem. A empatia do profissional surpreendeu a duquesa de Sussex.

“Sentada em uma cama de hospital, vendo o coração do meu marido se partir enquanto ele tentava segurar os pedaços do meu, percebi que a única maneira de começar o processo de cura é primeiro perguntando: ‘Você está bem?'”, detalha Meghan.

Continua após a publicidade
  • A dor da perda deve ser validada

    A duquesa trilhou o mesmo caminho que Chrissy Teigen, ao perder o terceiro o terceiro: falar para que, cada vez mais, a morte e a perda gestacional em si deixem de ser tabus entre as pessoas.

    “Perder um filho significa carregar uma dor quase insuportável, vivida por muitos, mas falada por poucos. Na dor de nossa perda, meu marido e eu descobrimos que em um quadro com 100 mulheres, de 10 a 20 delas sofreram uma perda gestacional. No entanto, apesar da incrível semelhança dessa dor, a conversa permanece um tabu, cheia de vergonha e perpetuando um ciclo de luto solitário”, expôs Meghan.

    Para mudar esse cenário, é preciso coragem para quem perde conseguir falar. Mas também é preciso atenção de quem ouve, para ajudar o outro no processo de validar a dimensão da dor de perder um filho.

    Assim, o pedido de Meghan para o Dia de Ação de Graças que se aproxima no calendário norte-americano é: “Vamos nos comprometer a perguntar ‘Você está bem?’. Ainda que nós discordemos, ou estejamos distantes fisicamente, a verdade é que estamos mais conectados do que nunca por causa de tudo o que suportamos individual e coletivamente este ano”.

    Ainda que com máscaras cobrindo boa parte do rosto para proteção contra Covid-19, as perguntas precisam ser feitas olho no olho. “Às vezes cheios de calor, outras de lágrimas. Mas, pela primeira vez, em muito tempo, como seres humanos, realmente nos vendo. Nós estamos bem? Vamos ficar!“, garantiu a duquesa. 

    Continua após a publicidade
    Publicidade