Documentário ‘Em Um Mundo Interior’ retrata vida de crianças autistas

O Bebê.com.br foi conferir a sessão especial realizada antes do lançamento. Saiba mais sobre o longa.

Por Luísa Massa 29 Maio 2018, 20h32

Ao som da música “Quereres”, de Caetano Veloso, com uma cena composta por imagens diversas de crianças: é assim que começa Em Um Mundo Interior. Dirigido por Mariana Pamplona e Flávio Frederico, o documentário, que chega às telonas na próxima quinta-feira, 31, arrisca ao mostrar algo inédito no cinema nacional até então: a vida de 7 crianças e jovens autistas.

Trazendo a realidade de famílias que moram em diferentes estados do país – entre eles, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul – com estilos de vida e classes sociais distintas, o longa mostra a rotina de uma pessoa diagnosticada com Transtorno de Espectro Autista (TEA). E são os pais que têm a palavra: ficamos sabendo, pela voz deles, dos tratamentos que os filhos fazem, assim como as alegrias e as dificuldades que surgem a partir dessa descoberta.

Os mais variados casos são apresentados: um menino que, em determinado momento da infância, deixou de ter as habilidades de antes – como a interação social; uma menina que tem uma síndrome rara junto com autismo e não se expressa verbalmente; um jovem que desde cedo foi incentivado pela mãe a descobrir os seus talentos e hoje faz trabalhos como ator; um pré-adolescente com comportamentos autolesivos e que é acompanhado por um tutor na escola.

  • E não são só depoimentos tocantes que fazem parte do documentário. Informações de especialistas – neurologistas, psicólogos, educadores, fonoaudiólogos – trazem esclarecimentos sobre a questão, que merece mais visibilidade da sociedade. Apesar das diferentes abordagens, os profissionais concordam que a relação com outras crianças e o ambiente escolar são medidas extremamente benéficas – tanto para os pequenos autistas como para os outros baixinhos, que passam a ter a oportunidade de entrar em contato com o transtorno desde cedo e ater empatia pelas diferenças do outro.

    A partir disso, somos levados a refletir sobre quatro importantes fatores: a falta de políticas públicas brasileiras para atender as pessoas com TEA (fato que poderia ter sido abordado com mais profundidade na obra cinematográfica); o desconhecimento de muitos profissionais da área da saúde que nem sempre conseguem diagnosticar o autismo de forma precoce; o despreparo de algumas instituições educativas; e a importância de levar conhecimento para as pessoas com o intuito de, cada vez mais, promover a inclusão e o respeito.

  • Todas as crianças que participaram do longa ganharam uma câmera para usarem quando quisessem e se tivessem vontade. E é praticamente impossível não se emocionar com os registros que alguns dos pequenos fizeram mostrando a sua ótica das coisas. “Enquanto o tempo acelera e pede pressa, eu me recuso, faço hora, vou na valsa… A vida é tão rara”. Não é à toa que o documentário termina com “Paciência”, uma canção de Lenine que resume muito bem tudo o que foi mostrado. Profundo e necessário, simples assim.

    Assista ao trailer de “Em Um Mundo Interior”:

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