Como perceber se o bebê está passando calor e ajustar suas roupinhas

Roupinhas de algodão e construção de camadas são boas dicas para um verão mais confortável.

Por Nathalie Ayres Atualizado em 22 jan 2021, 16h11 - Publicado em 23 jan 2021, 11h00

Bebês não falam, claro, mas mamães estão sempre tentando adivinhar o que eles precisam: está com fome? Sede? Tá muito calor com essa roupinha? E no caso deste último tópico, é comum que elas errem e acabem agasalhando o pequeno até demais.

“Algumas horas após o nascimento, o bebê se adapta à temperatura ambiente e passa a perceber o calor e o frio praticamente da mesma forma que os adultos”, explica a pediatra Cassia Regina Nogueira Guimarães, professora do curso de Medicina da PUCPR. No entanto, ela ressalta que existe uma cultura de que o bebê deve estar sempre muito agasalhado.

“Até os 3 meses, é realmente necessário que o bebê fique mais aquecido, já que perde calor muito rapidamente”, ressalta a pediatra Renata Waksman, vice-presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). Mesmo assim, estando atento aos sinais é mais fácil acertar na escolha das roupinhas.

“Mamãe, tá muito calor!”

O calor excessivo não causa só o incômodo da temperatura nos bebês. “Agasalhando-os demais, fazemos com que aumente o gasto de energia, água e oxigênio, levando a desidratação, baixa de glicose, irritabilidade, prostração, aparecimento de lesões de pele (brotoejas), aumento de predisposição à infecções e hipertermia”, enumera Guimarães.

Por isso, fique atenta aos seguintes sinais:

  • Bochechas avermelhadas e quentes;
  • Transpiração no pescoço, cabeça e corpinho;
  • Agitação;
  • Irritabilidade;
  • Sudorese;
  • Despertar a noite.

“Um bebê inquieto, choroso, com rosto vermelho, transpirando no pescoço, na cabeça, no corpinho e com febre pode estar apenas muito agasalhado”, sintetiza a pediatra e reumatologista, Maria Fernanda Giacomin Goulart, doutora em Pediatria pela USP.

Claro que nem toda febre é calor, mas nos casos em que há esta suspeita de que seja excesso de roupinhas, a orientação da especialista é diminuir uma camada do vestuário: tirando um casaquinho ou trocando uma peça de mangas compridas por curtas. “Recebo com frequência ligações de pais de recém-nascido queixando-se que está com febre e na maioria dos casos apenas retirar touca, macacão e luvinha, esperar 30 minutos e medir novamente com termômetro o quadro é resolvido”, exemplifica.

Como acertar então nas camadas das roupinhas?

Não existe receita pronta, mas uma boa dica é pensar em como você está sentindo a temperatura do dia. “Baseie-se em você, se está com frio ou calor, observe a temperatura corporal do seu filho pelo tórax, pois a cabeça é sempre quente e as extremidades mais frias”, orienta Goulart.

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Pense também no ambiente em que você está, e por quais você circulará com seu filho ao longo do dia. Observe a temperatura do cômodo, se a casa é mais ou menos fria, se bate sol durante o dia, se o ar condicionado está ligado, onde tem mais circulação de correntes de ar…

Outro ponto importante a se atentar é o tecido das roupinhas escolhidas: prefira fibras naturais, como algodão. “Os bodies que ficam embaixo devem ser macios e sem botões, para que não machuque, seguido por um macacão também de algodão mais grosso”, comenta a especialista. Guimarães ressalta também a importância de evitar roupas sintéticas, com muitos acessórios e aplicações emborrachadas, já que elas aumentam a sensação de calor.

“O uso de meias e sapatos durante o dia também é dispensável. Na hora de sair de casa, uma manta leve de algodão pode ser uma aliada, assim, se houver necessidade, podemos usá-la para cobri-lo, caso mude a temperatura”, descreve a pediatra da PUC-PR.

Sonhos de uma noite de verão…

AGrigorjeva/Thinkstock/Getty Images

Durante a noite, não há fórmula mágica, mas você sempre pode testar sentir a temperatura do tórax do bebê. Goulart destaca alguns pontos de atenção para os pais:

  • Evite protetores de berço, pois eles impedem a circulação de ar e deixam mais abafado, além de aumentarem o risco de sufocamento para o bebê;
  • Prefira roupas fáceis de vestir, para facilitar trocas de fralda durante a madrugada;
  • O mais indicado também são peças 100% algodão, pois elas permitem que a pele respire, ao contrário do plush direto na pele, por exemplo, que pode deixar a criança suada.

E não se preocupe: a experiência leva à prática. “Com o tempo os pais conseguem perceber preferências e particularidades em relação ao seu filho e a temperatura, o que vai dar mais segurança na hora de vesti-lo”, garante a especialista.

Ideias para refrescar

Muitas mamães que vivem em cidades com verões mais intensos encontram no segundo banho ao dia uma solução para refrescar seu pequeno. No entanto, não o encare como um momento de higiene. “Um banho por imersão ao dia é o suficiente, porém, quando necessário em locais muito quentes, aconselho usar somente água, pois sabões podem ser muito abrasivos para a pele sensível dos bebês”, explica Guimarães. Goulart indica dar o banho antes de dormir, para ajudar no relaxamento do pequeno.

Banhos de piscina também são boas pedidas, desde que o pediatra já os tenha liberado, o que normalmente só acontece depois dos 6 meses de idade. “Então você pode passar um bom protetor solar, usar um chapéu ou boné e também vesti-lo com uma camiseta com proteção solar UV. Nem preciso dizer que o melhor horário é até às 10h e depois das 16h, certo?”, aconselha Renata. Depois do sol, use um hidratante da sua preferência na pele do bebê para evitar o ressecamento.

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