Crianças têm mais autocontrole quando querem agradar aos adultos

Estudo indica que o comportamento infantil é influenciado desde bem cedo pela valorização recebida dos mais velhos

Por Raquel Drehmer Atualizado em 14 out 2020, 19h32 - Publicado em 14 out 2020, 19h00

Um estudo conduzido pelas Universidades da Califórnia (EUA) e de Zhejiang (China) e publicado pela Associação da Ciência Psicológica se propôs a analisar o tempo e a motivação do autocontrole de crianças bem pequenas – 3 e 4 anos de idade -, e os pesquisadores se depararam com um resultado que consideraram surpreendente.

No experimento, 273 crianças foram divididas em três grupos para ganharem doces – que estavam ao alcance delas o tempo todo. Para as do primeiro grupo, foi dito que uma professora as observaria para saber o tempo esperado até que pegassem sua “recompensa”. As do segundo foram informadas que um amiguinho da mesma idade estaria de olho na duração da espera. Já as do terceiro ficaram “soltas”, achando apenas que “alguém” teria conhecimento do intervalo entre instruções e doce na mão.

A espera foi maior no grupo que achava que uma adulta (a professora) estava observando (cerca de 15 minutos) e menor naquele em que a pessoa em questão era outra criança (aproximadamente 3 minutos). O “alguém” indefinido mereceu uma espera média de 6 minutos.

  • E na prática?

    Os pesquisadores concluíram que o que regula o comportamento infantil em situações que exigem autocontrole é a vontade de satisfazer as expectativas de pessoas mais velhas – ou, ao menos, o que elas acreditam ser esperado de uma criança por um adulto, como o bom comportamento por um período prolongado.

    Trocando em miúdos, as crianças querem agradar aos adultos agindo de uma forma que creem ser a que os deixa mais orgulhosos. A valorização recebida de uma professora é, para elas, mais importante que a de um colega da mesma idade ou a de uma pessoa desconhecida que pode ser criança ou adulta.

    A surpresa do desfecho do estudo é que não se imaginava que as diferenças de tempo seriam tão significativas e que crianças pequenas dessem importância ao que adultos pensam delas. Mas dão.

  • Este conhecimento pode ser levado para o dia a dia. Na relação com os filhos, mães e pais devem estar atentos e elogiar quando notarem esforços de paciência por parte dos pequenos. Eles se controlam para ver os “seus adultos” felizes.

    E é exatamente por isso que vale também um ponto de atenção: apesar do bom comportamento, se os pais perceberem que a criança está colocando a vontade de agradar acima de suas ‘ocupações’ infantis ou anulando todos os desejos pessoais, é legal conversar e passar a ela a segurança de que o amor independe dessa troca de comportamento x expectativa dos adultos.

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