Estudo relaciona episiotomia com imagem corporal das mulheres

De acordo com a pesquisa, as mães que foram submetidas ao procedimento se sentiram negativamente afetadas, com baixa autoestima e problemas na vida sexual.

Não tem como negar: a gravidez é uma fase repleta de novidades. Durante os nove meses, muita coisa muda na vida da mulher: desde o lado emocional, que está se adaptando à ideia de receber um bebê, até o físico, que se prepara para gerar uma nova vida. Embora as mães estejam cada vez mais falando sobre as mudanças que acontecem com os seus corpos, pouco se discute as mudanças que afetam a parte genital após o parto.

Com o objetivo de voltar a atenção para esse tema, pesquisadores da Universidade de Michigan, dos Estados Unidos, estudaram o impacto da episiotomia – corte no períneo que pode prevenir lacerações no parto normal – na percepção estética das mulheres. Para realizar o trabalho, os acadêmicos avaliariam fatores diversos do grupo observado, como a idade da mãe e até mesmo se houve o uso do fórceps (instrumento usado quando o bebê fica parado no canal vaginal), para, segundo eles, questionar a ideia convencional de que o método produziria um reparo mais estético e visualmente agradável do que o rompimento natural durante o parto.

Publicada no início de abril de 2017, a investigação mostrou que 84% das mães que participaram da pesquisa demonstraram ter tido alterações vaginais e retais após o nascimento dos filhos, sendo que as que foram submetidas à episiotomia se sentiram negativamente afetadas, com baixa autoestima sexual. Vale ressaltar que o estudo foi realizado com 69 mães de primeira viagem, que foram recrutadas por terem alto risco de rompimento dos músculos, apresentando, portanto, partos normais mais complexos quando comparados com as experiências da população em geral.

O trabalho mostrou que a episiotomia pode trazer consequências desfavoráveis para a vida da mulher. A presença de um corte cirúrgico e suturas chamam mais atenção para a área e o aumento da dor durante a recuperação pode ajudar a explicar os resultados, segundo a coautora do estudo Lisa Kane Low, professora de enfermagem. Isso reforça a discussão de a técnica ser realizada de forma rotineira, em casos que nem sempre há indicação para tal. Com isso, percebe-se a importância de assuntos como esse serem discutidos com mais frequência e destaca-se o auxílio que as mães devem receber dos médicos durante as consultas.

“Essa parece ser a pesquisa que estava faltando, mas a mídia certamente tem dado atenção ao assunto de uma maneira que é preocupante — com piadas em filmes sobre frouxidão vaginal após o parto e em sites de cirurgia plástica, que oferecem soluções para os ‘problemas’ causadas pelo parto vaginal. Muitas vezes, as mulheres que acharíamos que estivessem infelizes com seus órgãos genitais podem não estar”, concluiu Lisa Kane Low.

 

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