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Alimentação

Sucesso na amamentação

Adriana Toledo Atualizado em 26.09.2013
sucesso na amamentação

Getty Images

Fique por dentro das dicas preciosas dos experts para acertar no momento de nutrir seu pequeno

A comunidade médica e os veículos de comunicação cumprem, com excelência, seu papel de divulgar o coro da Organização Mundial de Saúde em prol do aleitamento materno exclusivo, por livre demanda, até os seis meses de vida da criança. Infelizmente, “apenas 20% dos bebês continuam mamando ao final do primeiro semestre”, lamenta o neonatologista Paulo Pachi, professor da Santa Casa de Misericórdia, em São Paulo. Uma série de fatores deve colaborar para a viabilização do objetivo preconizado pela OMS: uma produção de leite adequada, a pega correta da mama pelo recém-nascido e a disponibilidade da mãe, entre outros.

 

Justamente para assegurar esse conjunto de condições favoráveis, alguns dos mais renomados especialistas do país se reuniram para divulgar informações que facilitarão o momento de dar o peito, proporcionando vínculo, tranquilidade, saúde e prazer à mamãe e ao bebê. De cara, Paulo Pachi disparou uma série de argumentos irrefutáveis para convecê-la, de vez, a se comprometer com esse ato de amor: “O leite materno carrega anticorpos que previnem infecções comuns, diminuindo o risco de mortalidade infantil”, garante. “Também há evidências de que o alimento melhore a capacidade cognitiva, reduza a incidência de doenças crônicas, além de proporcionar nutrição na medida certa, o que derruba os riscos de obesidade”, completa.

 

A mulher também sai ganhando, ao amamentar. “O procedimento favorece a involução do útero, o retorno ao peso anterior ao da gravidez, previne sangramentos no pós-parto, câncer de mama e de ovário”, avisa Paulo Pachi. Sem contar que induz a produção de endorfinas pelo cérebro, substâncias por trás do relaxamento e do bem-estar e confere efeito contraceptivo natural. Isso porque a prolactina, hormônio que estimula a fabricação do leite, inibe o processo de ovulação, dando uma pausa na fertilidade. Para que mãe e filho consigam desfrutar de tantos benefícios, é necessário adotar alguns métodos, que você confere, a seguir.

 

Para um início bem-sucedido

Nunca é demais reforçar que o aleitamento deve ocorrer sob livre demanda, sem limite de tempo de mamada e frequência. Já na primeira hora de vida, é importante que o recém-nascido seja colocado no seio da mãe, para se habituar à sucção e estimular a produção de leite. “Os primeiros 14 dias são cruciais porque determinam o aprendizado da mãe e da criança”, diz Pachi. Por isso, ele alerta que suplementos, assim como bicos e mamadeiras, devem ser evitados, porque favorecem o desmame precoce. Uma boa orientação sobre técnicas de amamentação, ainda na maternidade, também é indispensável. Outros truques tornam esse momento mais confortável e aumentam as probabilidades de o pequeno ficar bem nutrido e satisfeito:

 

- Evite agasalhar demais o bebê. O excesso de calor pode incomodá-lo, na hora de sugar o seio;

- A mãe deve permanecer sentada, em posição confortável, com o corpo do bebê voltado para ela, tórax com tórax;

- Assegure-se de que o corpo e a cabeça do pequeno estejam alinhados e que a mão inferior dele fique apoiada na sua cintura;

- Segure a mama com a mão, em formato da letra C;

- Estimule o lábio inferior do bebê com o mamilo, para que ele abra a boca e abaixe a língua;

- Certifique-se de que a criança abocanhou o mamilo e que a aréola não esteja aparente;

- O queixo do pequeno deve tocar a mama, seus lábios devem permanecer curvados para fora, em formato de “peixinho”;

- Procure beber cerca de 3 a 4 litros de água por dia. O líquido é a matéria-prima para a fabricação do leite.

 

Tem alguma coisa errada...

A enfermeira neonatologista Luciane Santos, da Pro Matre, alerta para alguns indícios de que a amamentação não está fluindo como deveria. “Quando as bochechas do bebê formam covinhas ou ele emite ruídos durante a sucção e a deglutição, é sinal de que a pega não está correta”, avisa. “Mamas deformadas ou esticadas durante o aleitamento, dor, estrias vermelhas ou áreas esbranquiçadas nos mamilos também merecem atenção”, continua. Para evitar traumas na mama, Luciane ensina que não é indicado interromper a mamada bruscamente. “Posicione seu dedinho no canto da boca do bebê, para que ele solte o seio naturalmente”.

 

O momento da separação

Chegou a hora de tocar em um assunto que tira o sono de muitas mamães: o fim da licença-maternidade. Por mais doloroso que pareça se afastar do bebê, esse momento não precisa ser carregado de traumas e sofrimento. Basta fazer um bom planejamento. “É essencial que a mulher tome todas as decisões em conjunto com o marido. Se o bebê vai ficar com a avó, com uma babá, na creche....”, aconselha a psicóloga Salete Arouca, de São Paulo. Uma adaptação gradativa, segundo ela, também ajuda a aplacar a insegurança e a ansiedade. “Antes de voltar a trabalhar, escolha alguns dias para dar uma saidinha e deixar o pequeno com o cuidador, retorne, e vá aumentando o período de separação”, sugere. É importante que a mãe se sinta segura, para que ela não transmita nenhuma apreensão ao filho, capaz de captar seu estado emocional. Por fim, organize, com antecedência, os horários das mamadas e das retiradas de leite.

 

Estoque de leite

Para armazená-lo, a ordenha pode ser manual ou elétrica. Só é necessário seguir, à risca, algumas precauções, para manter a qualidade do alimento.

- Mantenha o leite na geladeira por, no máximo, 12 horas;

- No freezer, ele pode ser armazenado por 15 dias;

- O aquecimento deve ser feito em banho maria, sem ferver, pois o processo faz com que perca suas propriedades.


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