Exemplo é a chave para ensinar as crianças a serem organizadas

Especialistas ensinam atividades e responsabilidades para crianças de 0 a 4 e de 5 a 6 anos

Não tem como escapar: assim que os bebês ganham um pouquinho de autonomia ao engatinhar, a casa começa a ficar meio bagunçada. Os brinquedos brotam nos lugares mais improváveis e sempre há alguma coisa fora do lugar. Mas é tudo tão fofo e legal no desenvolvimento desta fase que mães e pais acabam relevando a falta de organização.

Só que simplesmente deixar para lá e não passar para a criança a noção de que cada brinquedo, roupa ou objeto tem seu lugar pode ter consequências desastrosas no futuro. A bola de neve normalmente atinge seu ponto máximo na adolescência, quando pode ser bem difícil negociar uma simples arrumação do quarto.

Por isso, o ideal é começar a ensinar os filhos a serem organizados já nas primeiras atividades com brinquedos no chão. “Os pais que ajudam a criança a arrumar os objetos que usou e que, aos poucos, passam a exigir que ela cuide das suas coisas por conta própria não só estão permitindo que ela desenvolva uma nova habilidade que promove sua autoestima como estão ajudando-a a entender melhor a noção de responsabilidade”, afirma a psicóloga Carla Poppa, mestre em desenvolvimento infantil pelo núcleo de psicossomática da PUC-SP.

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A ajuda é importante, mas o que fala mais alto é o exemplo. “A família toda precisa ter um certo ritmo de organização. Os pais não conseguem convencer um bebê ou uma criança a guardar um brinquedo se eles próprios não mantiverem suas coisas no lugar”, diz a personal organizer Adriana Wittman. A consultora de organização Eliete Teixeira concorda: “Os pais são um espelho para os filhos. ‘Faça o que eu mando, mas não o que eu faço’ não funciona”.

Ao observar a mãe arrumando as roupas limpas, o bebê aprende a ser organizado também (JackF/Thinkstock/Getty Images)

Como ensinar a organização para crianças nos primeiros anos de vida

Carla, Eliete e Adriana explicam que as crianças pequenas respondem de formas distintas quando têm até quatro anos de idade e quando têm entre cinco e seis anos. As estratégias para ensinar a elas conceitos de organização, portanto, devem ser diferentes.

 

De 0 a 4 anos

Nessa faixa etária, o bebê/a criança não tem noção de causa e consequência, não entende que a bagunça vem de suas brincadeiras. Nem adianta cobrar ou dar bronca caso ela não tome a iniciativa de organizar seus pertencezinhos. “Esse tipo de exigência antes que a criança tenha maturidade ou habilidade pode fazer com que ela se sinta triste e confusa, porque não tem nem como compreender o que os pais estão exigindo”, avisa a psicóloga Carla.

O melhor é fazer junto, de forma lúdica, e ter muita paciência. As sugestões das especialistas são as seguintes atividades:

– Brincando de organizar

Acabou a brincadeira? É hora de guardar todos os brinquedos.

Até os 2 anos, será necessário que você os coloque dentro do lugar correto (uma caixa, uma sacola ou um armário) com o auxílio do bebê, que poderá ir recolhendo os itens e os passando para você. Dos 2 aos 4, a própria criança poderá alcançar o brinquedo e colocá-lo em seu devido lugar, mas ainda sob as orientações de um adulto.

Invente uma musiquinha para haver a memorização dos lugares. Use ritmos de músicas conhecidas, como “Ciranda, Cirandinha”.

(Halfpoint/Thinkstock/Getty Images)

– Encontre os pares

Esta é para um nível avançado de organização. Imprima uma foto de cada brinquedo ou desenhos que os representem e cole essas imagens do lado de fora das caixas em que eles deverão ser guardados. Até os 2 anos, guarde esses brinquedos mostrando para o bebê que eles são iguais à foto/ao desenho. Dos 2 aos 4, oriente para que a criança encontre os pares e coloque cada brinquedo em sua devida caixa.

– Acerte a caixa

Indicada de um ano e meio em diante. Segure a caixa em que os brinquedos serão guardados e incentive a criança a atirá-los dentro dela. Se errar, não tem problema: é só pegar o brinquedo no chão e tentar de novo. Esta atividade também é boa para o desenvolvimento da noção espacial e da coordenação motora.

 

De 5 a 6 anos

Agora já é possível dar pequenas ordens de organização para as crianças, que já entendem o que é a bagunça que fizeram e o que é a arrumação necessária na casa. Só preste atenção no tom de sua voz e entenda que o trabalho de uma pessoa tão pequena nem sempre será perfeito. “Se os pais forem muito críticos, agressivos ou tiverem uma reação desproporcional, a criança pode começar a ter medo de brincar”, alerta Carla. “E, assim, ela fica impedida de aprender, interagir com outras pessoas e expressar sua criatividade”.

Para esta faixa etária, já podemos falar de responsabilidades, e as seguintes podem ser passadas às crianças:

– Sempre guardar os brinquedos

E por conta própria. A criança tem que entender que, se não estiverem sendo usados, os brinquedos precisam estar guardados. Se ela esquecer (ou fingir que esqueceu) de fazer isso ao encerrar uma brincadeira, avise-a com carinho. “Estes brinquedos não estão sendo usados? Então está na hora de guardá-los, não é? Pode fazer isso agora!”

– Pôr a mesa para as refeições

Pode confiar, a criança consegue fazer isso. No começo, você precisará mostrar onde vai cada louça ou talher, mas depois de um tempo a atividade vai no automático. Caso ela erre a posição de alguma coisa, não faça tempestade em copo d’água: apenas mostre como é o certo. Também é importante deixar pratos, copos e talheres ao alcance da altura da criança. E, claro, não deixar que ela mexa em facas e outros objetos pontiagudos ou cortantes – estes continuam sob a responsabilidade dos adultos da casa.

(Comstock Images/Thinkstock/Getty Images)

– Arrumar a cama

Também é algo que a criança é capaz de fazer a partir do 4 anos. Demonstre como os lençóis devem ser esticados e arrumados e incentive-a a ir fazendo cada vez mais sem a necessidade de sua ajuda. Ao perceber que ela já faz um bom serviço sozinha, explique que dali por diante arrumar a cama é responsabilidade dela, para manter o quarto organizado. Ah, e se não ficar tudo perfeitinho, tudo bem. Não refaça o trabalho e lembre-se de que a prática leva à perfeição.

(moodboard/Thinkstock/Getty Images)

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