Dor nas meninas é levada menos a sério pelos adultos, diz estudo

Trabalho inglês sugere que os estereótipos de gênero podem interferir na percepção de dor das crianças.

Meninos são fortes, meninas são sensíveis. Quem nunca ouviu um clichê nessa linha? Pois estes estereótipos de gênero, suspeitam os especialistas, podem prejudicar até o atendimento das crianças nos serviços de saúde. É o que aponta um novo estudo, publicado em janeiro desse ano por psicólogos na Universidade Yale, nos Estados Unidos.

A pesquisa foi feita com 264 participantes adultos, que assistiram ao vídeo de uma criança sem identificação clara de gênero sendo picada no dedo para coletar sangue. Depois, metade deles ouviu que se tratava de uma menina e a outra metade um menino recebendo a picada. Os voluntários tinham que classificar a quantidade de dor que a criança estava sentindo e demonstrando.

Na análise de dados, os pesquisadores viram que o nível de dor foi considerado mais alto entre os meninos. Por outro lado, ao analisar a demonstração desse incômodo, a percepção geral era de que os meninos, apesar de teoricamente estarem sofrendo mais, demonstravam menos dor. A diferença de julgamento nesse segundo quesito foi maior entre os participantes homens do que nas mulheres.

Hipóteses para a diferença

O trabalho mostra apenas a percepção dos adultos e não os motivos por trás dela, mas, no texto final, os pesquisadores apontam hipóteses para o viés. Por exemplo, durante o processo de socialização na infância meninos geralmente são ensinados a mostrar que são resistentes à dor, enquanto meninas, mais comunicativas, demonstram o que sentem em busca de apoio.

Da mesma maneira, entre os adultos há o estereótipo de que homens são mais tolerantes e que, assim, é menos aceitável que se queixem. Como a criança do vídeo claramente demonstrava o incômodo, a suspeita é de que os participantes que o viam como menino pensaram que ele devia realmente estar sofrendo muito para se comportar daquela maneira.

Para os autores, esse tema é relevante especialmente para hospitais, clínicas e pronto-socorros infantis, onde o nível de dor é um critério fundamental na triagem de pacientes. “Se esse fenômeno observado for confirmado em outros contextos, há implicações significativas para diagnóstico e tratamento. Qualquer julgamento enviesado sobre dor poderia levar a um atendimento desigual de saúde”, afirmou o psicólogo Joshua Monrad, um dos autores do trabalho, em comunicado à imprensa.

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