Depressão na gravidez: como identificar e tratar os sintomas

Entenda como funciona a condição e não hesite em buscar ajuda especializada

Por Redação Pais e Filhos
23 jan 2025, 12h00
Estudo mostra como depressão na gravidez impacta o comportamento do bebê
 (emituu/Thinkstock/Getty Images)
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A gravidez é um período de grandes transformações e, para muitas mulheres, a expectativa é de vivenciar uma experiência única de felicidade e conexão com o bebê. No entanto, a realidade pode ser diferente para algumas mulheres, que se veem enfrentando um quadro de tristeza profunda e desânimo, que vai além do que se espera para esse momento. A depressão na gravidez, também chamada de depressão perinatal, é uma condição que afeta muitas gestantes, mas que nem sempre é reconhecida ou tratada a tempo.

Sintomas de depressão durante a gravidez

A depressão na gravidez pode se manifestar de maneiras variadas. As mulheres podem sentir uma mistura de emoções intensas e, muitas vezes, silenciosas, que podem ser confundidas com os altos e baixos típicos da gestação. Alguns dos principais sintomas incluem:

  • Tristeza profunda e desânimo: Sentir-se vazia e sem esperança, mesmo quando a gravidez foi planejada e desejada.
  • Excesso de sono ou insônia: Alterações nos padrões de sono, que podem afetar a disposição e o humor.
  • Excesso ou falta de apetite: Mudanças no apetite, que podem levar a perda ou ganho significativo de peso.
  • Falta de concentração: Dificuldade em focar em atividades cotidianas.
  • Culpa excessiva: Sentimentos de culpa por não sentir felicidade pela gravidez, mesmo quando o bebê é desejado.
  • Pensamentos recorrentes negativos: Pensamentos negativos e até mesmo de desesperança, que podem afetar o bem-estar geral.

Esses sintomas não devem ser ignorados, pois podem evoluir e prejudicar tanto a saúde da mãe quanto a do bebê.

Diagnóstico da depressão na gravidez

O diagnóstico da depressão durante a gravidez pode ser difícil, pois muitas mulheres sentem-se pressionadas pela sociedade a estar “plenas” durante este período. A romantização da maternidade contribui para que as gestantes escondam os seus verdadeiros sentimentos, o que pode agravar o quadro e dificultar a busca por ajuda.

A negação do quadro por parte da mulher e da sociedade é o maior obstáculo para o diagnóstico adequado. A depressão na gravidez, muitas vezes, é camuflada pelos altos e baixos emocionais comuns à gestação, o que faz com que os sintomas sejam negligenciados.

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Causas e fatores de risco

Existem diversos fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da depressão na gravidez. A ansiedade e o medo de que algo dê errado durante a gestação podem aumentar a vulnerabilidade emocional da mulher, especialmente quando há histórico de problemas de saúde mental, como a depressão.

Outros fatores de risco incluem:

  • Histórico prévio de depressão: Mulheres que já enfrentaram episódios de depressão antes da gravidez têm mais chances de desenvolver a condição durante a gestação.
  • Falta de suporte social e econômico: A falta de uma rede de apoio familiar e emocional pode agravar a situação.
  • Problemas crônicos como alcoolismo ou estresse: Esses fatores podem ser gatilhos para o desenvolvimento da depressão.

Prevenção e tratamento da depressão na gravidez

A prevenção da depressão na gravidez envolve cuidados físicos e emocionais. Um acompanhamento pré-natal adequado com o obstetra é essencial para garantir a saúde da mãe e do bebê. Além disso, a grávida deve ser acolhida por sua rede de apoio, que inclui familiares, amigos e profissionais de saúde, para reduzir o sentimento de isolamento.

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Práticas como a realização de exercícios físicos leves, alimentação saudável e psicoterapia podem ajudar a evitar o aparecimento de um quadro depressivo. Quando a depressão é diagnosticada, o tratamento envolve uma abordagem multidisciplinar, com acompanhamento tanto psiquiátrico quanto obstétrico. O uso de medicamentos antidepressivos pode ser necessário, mas sempre sob orientação médica, pois é fundamental garantir que o tratamento seja seguro para a mãe e para o bebê.

A depressão na gravidez pode prejudicar o bebê?

Embora não existam estudos que provem uma relação direta entre a depressão e o desenvolvimento do bebê, mães com depressão tendem a ser mais negligentes com sua saúde, afetando o bem-estar do bebê. A falta de cuidados adequados, como alimentação inadequada, sono irregular e, em alguns casos, o uso de substâncias prejudiciais, pode impactar negativamente a gestação.

A depressão termina após o nascimento do bebê?

A depressão na gravidez não desaparece automaticamente com o nascimento do bebê. O quadro pode persistir ou até se intensificar após o parto. A recuperação da depressão requer um esforço conjunto entre a mãe, a família e os profissionais de saúde. Quanto mais apoio e acompanhamento especializado, mais rápida será a recuperação.

Consultoria: Dr. Sérgio Rocha, médico especialista em Psiquiatria e Dr. Ariel Lipman, psiquiatra e sócio-diretor da SIG Residência Terapêutica

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