Chulé em crianças: saiba quando o cheiro forte merece uma atenção especial

A higiene dos sapatos e outros cuidados simples podem amenizar a condição dermatológica de seu pequeno.

Depois de brincar o dia inteiro na escolinha, chega a temida hora de tirar a roupa suja. A criança levanta o pezinho, os papais puxam o sapato e o cheirinho forte logo chega no ar. Sim, o chulé incomoda, mas é uma manifestação comum em qualquer idade – inclusive na primeira infância.

Mas, afinal, até que ponto a condição é considerada “normal” e quando deve ser investigada? E como diminuir o odor desagradável que exala dos pequenos? Conversamos com profissionais da saúde para esclarecer tudo sobre o tema.

No meio médico, o chulé é cientificamente conhecido como bromidrose plantar. “Trata-se de um suor produzido pelas glândulas sudoríparas apócrinas presentes nos pés que, combinado com o atrito local desta região pelo uso de meias e calçados, retém a umidade e se torna um ambiente propício para a proliferação de bactérias e fungos, causando um odor desagradável”, explica Daniela Petry Piotto, pediatra do Fleury Medicina e Saúde.

Embora todos os baixinhos estejam sujeitos à condição, ela é mais recorrente em alguns. “É comum em crianças com hiperhidrose, que transpiram em excesso.  Elas têm, por exemplo, suor intenso nas mãos a ponto de deixar cair objetos; já nos pés, o suor faz com que escorreguem ao andar com um chinelo, por exemplo”, diz a pediatra.

Saiba quando procurar um especialista

O sintoma característico não é difícil de identificar. Mas, além do cheiro intenso, outros indícios podem alertar os adultos. “Os pais devem ficar atentos aos seguintes sinais: suor excessivo nos pés, odor desagradável, umidade nas meias e calçados, lesões de pele entre os dedos dos pés, como micose e frieiras, e descamação na região da planta dos pés”, recomenda Daniela.

De acordo com ela, o suor com odor esporádico é considerado normal nos pequenos. “Entretanto, se o chulé vem acompanhado de lesões de pele, micose, ou se a intensidade do odor se torna um motivo de incômodo para a família e a criança se sente constrangida, o tratamento é indicado”, acrescenta a doutora. 

“Nesses casos, é necessário levar a criança ao dermatologista para que seja avaliado se há alguma alteração na quantidade de bactérias que produzem a transpiração. Por ser fruto de um processo natural do corpo humano, o mau cheiro não pode ser eliminado, mas o médico pode indicar o tratamento correto para amenizá-lo”, diz a dermatologista da Clínica Excellence Christiane Ribeiro.

A especialista afirma que a prescrição ou não de medicamentos é avaliada caso a caso. “Há diversos produtos que auxiliam na melhora da condição, como talco e spray, assim como os sabonetes antissépticos. Se o problema persistir, podem ser prescritos outros produtos, algumas vezes com antibiótico tópico, para modificar o tipo e a quantidade das bactérias dessas regiões”. 

Dá para prevenir?

Sim! Algumas medidas simples podem ajudar – e muito – a evitar o mau cheirinho nos pés da criança. Isso não significa que ela ficará para sempre livre do chulé, mas já é um começo.

A dica da Doutora Christiane é escolher bem o que calçar. “Evitar sapatos fechados em dias de calor é uma boa solução, assim como calçados com materiais de plástico, que não deixam a pele transpirar corretamente. Estar atento ao material das meias também é uma forma de prevenir o chulé. Outra alternativa é secar os pés da criança antes de vestir os sapatos, o que também ajuda na prevenção de outras doenças.”

Já a dermatologista Anelise Ghideti, formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, enfatiza a importância de uma higiene cuidadosa como forma de restringir ao máximo as condições de proliferação dos micro-organismos que conferem o odor desagradável ao suor. “Para isso, podem ser utilizados sabonetes antissépticos para lavar a região dos pés. Além disso, o uso de desodorantes antitranspirantes ou talco que controlem a produção excessiva de suor pode ajudar. Nos casos mais intensos, produtos com antibiótico e/ou antifúngicos podem ser necessários.” 

A seguir, mais algumas recomendações dadas pela Dra. Daniela:

  1. Mantenha os pés da criança secos e arejados. Lave bem com muita água e sabão entre os dedos, nas plantas e na sola dos pés. Seque-os bem, principalmente entre os dedos, pois isso evita o chulé e as temidas micoses – também conhecidas como frieiras. O ideal é utilizar uma toalha limpa e de uso individual, que também seja lavada diariamente. Também pode ser usado o jato de ar frio do secador de cabelo para garantir a secagem completa;
  2. Evite o uso de tênis por muito tempo, sem meia ou com uma meia que não foi lavada. Procure aumentar a frequência da troca de meias e sapatos e faça um rodízio entre eles;
  3. Sempre que possível, deixe as crianças descalças para o pé respirar e não reter umidade;
  4. Use meias de algodão e evite tecidos que não absorvem a umidade, como o náilon. Para crianças maiores, é indicado o uso de meias com fios tratados, especialmente para a prática esportiva, situação em que a transpiração é maior;
  5. Livre-se dos sapatos impregnados pelo chulé. Depois de algumas tentativas de limpeza com produtos antissépticos, se a situação não foi resolvida, é sinal de que os micro-organismos se instalaram no acessório, principalmente naqueles sapatos fechados feitos de borracha e plásticos que não permitem a circulação do ar;
  6. Na hora de comprar um sapato, observe como ele é feito. Quanto menos ventilado for o calçado, pior. Sapatos e botas de couro costumam produzir mais suor. Vale se atentar também ao tecido do tênis. Se ele já possui um odor desagradável naturalmente, considere escolher outro modelo;
  7. Coloque os sapatos regularmente ao sol. Existem produtos específicos que podem ser aplicados diretamente nos sapatos ou tênis para evitar os odores desagradáveis. Lave as meias separadas do restante das roupas e utilize algum produto antisséptico neste processo.

Passos bem simples, certo? Agora, se o pequeno apresenta transpiração excessiva, os pais podem investir em alguns produtinhos de grande utilidade. “Tenha um talco para pés sempre ao alcance para aplicar na área, que deve estar limpa. Ele ajudará a absorver a umidade local. Outra boa dica é aplicar na pele limpa spray para pés à base de ingredientes como óleo essencial de hortelã”, aponta a pediatra.

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