Pais podem ser proibidos na hora do parto por causa do coronavírus?

Especialista explica que a decisão depende da capacidade da infraestrutura de cada maternidade em manter gestantes e acompanhantes isolados.

Por Alice Arnoldi Atualizado em 14 Maio 2020, 12h03 - Publicado em 26 mar 2020, 13h16

Com o número alarmante de casos confirmados de coronavírus (Covid-19) ao redor do mundo, países têm adotado diferentes medidas para fortalecer o isolamento social. Por exemplo, algumas maternidades nos Estados Unidos, como a do NewYork-Presbyterian Hospital, estão proibindo a presença dos pais ou de qualquer outro acompanhante na hora do parto, e também estão restringindo as visitas à maternidade. Com esse cenário, a pergunta que fica é: e no Brasil? Como está a situação?

“Os países do hemisfério norte já têm o hábito de restringir visitas nos períodos de epidemia de gripe comum, porque a gestante acaba tendo risco para complicações e contaminação pela doença. Portanto, isso já é um hábito deles que é diferente do nosso, inclusive poque temos essa coisa muito festiva, de todo mundo vindo para a maternidade”, explica Renato Sá, obstetra e Coordenador Geral do Centro de Diagnóstico da Perinatal, no Rio de Janeiro.

  • Entretanto, mesmo que ver o bebê pela primeira vez ainda na maternidade seja um ritual especial para as famílias, o médico esclarece que os cuidados em decorrência do coronavírus estão redobrados. Só que isso ainda não significa que a gestante brasileira não tenha direito a um acompanhante.

    “Nós fomos obrigados a proibir as visitas. Mas o acompanhante deve ser mantido, pelo menos até o momento, é a conduta que estamos adotando. A justificativa é que não tem nenhum sentido restringi-lo na maternidade se depois ele vai para casa cuidar do bebê junto com a mãe. Só que é uma pessoa só, que deve entrar e sair com a gestante”, detalha o obstetra.

    A mesma atitude de proibir visitas foi aplicada pelas maternidades Pro Matre Paulista, Santa Joana e Santa Maria, do Grupo Santa Joana. Só que, diferente da Perinatal que também restringiu a rotatividade dos acompanhantes, as instituições paulistanas citadas permitem uma troca por dia.

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    “As maternidades, desde a última segunda-feira (23 de março de 2020), suspenderam a entrada de visitas, por tempo indeterminado, na busca de diminuir a circulação de pessoas em suas dependências. Será permitido um acompanhante (maior de 18 anos) por paciente com direito a uma troca de acompanhante por dia. Somente serão permitidos acompanhantes assintomáticos. Caso o acompanhante apresente sintomas gripais durante o período intra-hospitalar, ele deverá afastar-se.”, informa a nota do Grupo Santa Joana para a imprensa.

    Só que é importante ter em mente que, ainda que dentro dessas maternidades seja viável a grávida ter um acompanhante, essa não é a realidade de todas as instituições. Renato explica que a possibilidade de manter um acompanhante junto a mãe varia de acordo com a infraestrutura de cada local. Portanto, os lugares que não conseguirem isolar os pais e os bebês de outras pessoas, as chances de proibir companhias familiares são maiores.

  • Mas os cuidados de prevenção mudam?

    Ainda que estejamos falando de uma mulher que acabou de passar por um processo intenso ou até mesmo cirúrgico, caso tenha sido uma cesárea, e de um bebê recém-nascido, as precauções contra a doença não se alteram.

    “Os cuidados são os mesmos para o coronavírus em geral. Higiene das mãos, e se apresentar qualquer sintoma deve ser afastado, permanecendo em isolamento”, pontua o obstetra.

    Ele ainda ressalta que para tosses esporádicas, que é comum as pessoas terem, deve-se fazer a etiqueta da tosse, em que se usa a dobra dos braços para cobrir as vias respiratórias e evitar que qualquer gotícula respingue na mãe e no bebê.

    Juliana Pereira/Bebê.com.br
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