Estudo avalia complicações da cesárea a longo prazo

Segundo os autores, os resultados obtidos apoiam políticas e esforços clínicos para prevenir partos por cesariana que não são indicados clinicamente.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) defende que a taxa de cesáreas em cada país gire em torno de 10 a 15%, mas nem sempre é isso que acontece, já que a média mundial é de aproximadamente 18,6%. Na hora de ter o bebê, a maioria das brasileiras também acaba se submetendo à cirurgia. Em 2015, de 3 milhões de partos realizados por aqui, 55,5% foram cesarianas enquanto 44,5% foram normais.

Com o objetivo de analisar as consequências futuras dessa decisão na vida das mulheres, a Aalborg University, da Dinamarca, conduziu um estudo que foi publicado em agosto no periódico científico JAMA Surgery. A pesquisa mostrou que fazer cesárea aumenta o risco das mães serem operadas novamente e também de terem complicações se realizarem a histerectomia em outro momento da vida.

Para produzir o trabalho, os acadêmicos utilizaram dados de 7685 dinamarquesas que deram à luz entre janeiro de 1993 e dezembro de 2013 e passaram pela cirurgia para retirar o útero entre 1996 e 2012. Contrapondo com as entrevistadas que escolheram o parto normal, as que fizeram cesariana tiveram 31% mais chance de passarem por uma nova operação depois da histerectomia e já nas que vivenciaram duas ou mais cesáreas, o risco foi aumentado até 35%.

Segundo os autores do artigo, os resultados obtidos apoiam políticas e esforços clínicos para prevenir partos por cesariana que não são indicados clinicamente. E é justamente isso que a análise pretende: chamar a atenção dos especialistas e de toda a sociedade para os possíveis problemas que podem acometer no futuro as mães que passaram por essa cirurgia.

“Se o parto for fisiológico, se desencadear espontaneamente, ele traz menos complicações para a mãe e o bebê. Esse estudo avaliou a evolução materna ao longo do tempo de cesárea e parto normal. Quem fez cesariana apresentou mais chance de ter infecção na fase do pós-parto, de fazer transfusão de sangue e está mais sujeita a passar por procedimentos cirúrgicos posteriormente – como a retirada do útero”, comenta Alberto Jorge Guimarães, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim e do Cejam (Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim), de São Paulo.

O médico ainda ressalta que é importante lembrar que essa é uma operação que salva vidas, mas que não deve ser banalizada. “O meu empenho é deixar a cirurgia somente para quando precisar. Essa pesquisa traz uma tendência: as pessoas vão começar a perceber o óbvio, que na medida em que os países levam a sério, divulgam os dados e os médicos dizem que o parto normal é melhor e mais seguro quando está tudo bem, isso contribui bastante para o resultado final”, acrescenta.

 

 

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